Sunday, July 06, 2008

DN 7.6.2006




O surrealismo como arma de combate


Alfredo Mendes

"Quanto mais surreal, mais verdadeiro", eis o mote para um debate que juntou, no Café Literário da Feira, escritores da estirpe de Pedro Ribeiro, Daniel Maia-Pinto, João Gesta e João Habitualmente. Adolfo Luxúria Canibal vocalista e letrista dos Mão Morta moderou, competindo ao actor Isaque Ferreira a leitura de textos. Obscenos? Vade-retro! Antes, a jocosidade na peanha para exorcizar preconceitos.

O pretexto, disseram os intervenientes, é dar combate ao sistema. Com ironia, sarcasmo, arestas de subtileza. Numa breve incursão histórica, falou-se, inclusivamente, das cantigas de escárnio e de maldizer, com penadas de surrealismo.

Concordaram que o "terrorismo poético" denuncia a sociedade contemporânea. Vai daí, a Declaração de Amor ao primeiro-ministro, obra cujo autor pretende ver Sócrates protagonista de um filme porno. Até porque, disse outro participante , o capitalismo está em todo o lado, Lisboa, Caxinas, Vilar de Mouros, ilustrou. E também na feira do livro. A forma de derrotar o flagelo "é a via do surrealismo". O que existe, considerou-se, "não presta! É tédio, morte!".

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