É a morte que faz viver, sim! e que consola;
É o fim da vida, é a única esperança
Que, como um elixir, nos enche e nos embriaga
E nos dá coragem para caminhar até à noite;
Através da tempestade, da neve e da geada,
É a luz que vibra no horizonte negro;
É a célebre estalagem inscrita no livro,
onde poderíamos comer e dormir e sentar-nos...
CHARLES BAUDELAIRE in "A Morte dos Pobres".
Tuesday, September 25, 2007
Wednesday, September 19, 2007
Monday, September 17, 2007
ESPERO POR QUEM VEM
Friday, September 07, 2007

BÊNÇÃO
Ter dinheiro e não ter
Pagar ficar a dever
Ir aos bares do Bairro Alto
Beber nos bares nas barracas
Cheio de cacau nos bolsos
Depois deixar cair o cacau
Pelos bolsos abaixo
Perder os óculos em Lisboa
Andar à toa feito rock-star
Regressar sem saber como
Comprar dois bilhetes em vez de um
Um para o Porto outro para Coimbra
Viajar fodido dos cornos, do estômago e da barriga
Entrar, sair e depois cair na cama
Sem luz, sem vontade
E depois regressar a Zaratustra
Ao poeta-mago
Ao céu ao sol à luz
Às mulheres que queres
Aos pulsos que cortas que feres
À prudência que mandas para o caralho
Vira o baralho
E volta o futebol
O circo máximo de outrora
Quando andavas por Roma
Entre Cícero e Augusto
Rei morto, rei posto
Em transe por Lisboa
Ao acaso à deriva à sorte
Como Pessoa
E, por duas horas, não sabes bem
O que fizeste, onde estiveste
Com quem estiveste
Ficou tudo em branco
Hoje estás a caminho do mesmo
Mas não tens cacau
E isto não é Lisboa
Nem tu és o príncipe da Macedónia
Só há golos e tolos a festejar
Nuvens a perturbar- assim falava Zaratustra
E tu amas as alturas
Amas realmente as alturas
E até a Humanidade
Mas não suportas a pequenez dos homens
És daqueles que sabes
Nada há a fazer
Mesmo que vás pelos caminhos direitos
Haverá sempre noites, dias em que seguirás
As ruas tortuosas
Porque sabes que esse é o caminho do Céu
Não o céu de Deus, de Alá ou de Cristo
Mas o céu de Nietzsche, de Blake, de Rimbaud,
De todos os malditos
Abençoados sejam os malditos
Abençoados sejam os que procuram a luz
No meio das trevas
Abençoados sejam os que te amam
Abençoados os que enlouquecem
Porque a loucura dos que se curvam
Não é loucura, é doença.
Vila do Conde, 28.0ut.06, A. Pedro Ribeiro.
Wednesday, August 22, 2007
LOUCURA
LOUCURA
A loucura serve-se aos cálices
galopa na solidão
à espreita do próximo abrigo
A loucura estoira
num bar de cães
atira facadas
pela noite dentro
A loucura entontece
molda as palavras
torna-nos frágeis
e invencíveis
A loucura
não tem cura.
A. Pedro Ribeiro, 8.5.2004
A loucura serve-se aos cálices
galopa na solidão
à espreita do próximo abrigo
A loucura estoira
num bar de cães
atira facadas
pela noite dentro
A loucura entontece
molda as palavras
torna-nos frágeis
e invencíveis
A loucura
não tem cura.
A. Pedro Ribeiro, 8.5.2004
Thursday, August 16, 2007
LOJA DO CIDADÃO
Loja do Cidadao
na loja do cidadao
a ler nietzsche
as meninas tiram fotocopias
e correm atras dos correios
a humanidade dentro do cerebro
um anti-cristo
no meio da democracia burguesa!
festim de mendigos
um cabotino a alucinar
as meninas
acariciam os cabelos
no deslize
micam-se estrelas do rock n' roll.
E tu choras
presa a cama
a caminho do aviao
este e o tempo
dos assassinos de Deus.
na loja do cidadao
a ler nietzsche
as meninas tiram fotocopias
e correm atras dos correios
a humanidade dentro do cerebro
um anti-cristo
no meio da democracia burguesa!
festim de mendigos
um cabotino a alucinar
as meninas
acariciam os cabelos
no deslize
micam-se estrelas do rock n' roll.
E tu choras
presa a cama
a caminho do aviao
este e o tempo
dos assassinos de Deus.
Wednesday, August 15, 2007
AS MENINAS

as meninas
quando as meninas beijam
o amor vem
quando as meninas sorriem
o amor vem
quando as meninas são bonitas
o amor vem
quando as meninas se mexem
o amor vem
quando as meninas falam
o amor vem
quando as meninas se despem
o amor vem
quando as meninas enlouquecem
o amor vem
e quando o amor vem
o mundo recomeça.
Wednesday, August 08, 2007
O ROCKER

O ROCKER
Sou um rocker
Vivo no palco
Acendo o rastilho
Sou um rocker
Dou-me no canto
Renasço na dança
Puxo do gatilho
Sou um rocker
Nos olhos da menina
Um rocker
Nas luzes da ribalta
Sou um rocker
Estou em alta
Sou um rocker
Sigo o instinto
Sou um rocker
Vivo no palco
Prossigo o transe
Até à última dança
Sou um rocker
Nada me pára
Sou um rocker
Não valho nada.
www.myspace.com/manacalorica
LUCIFER
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> > LUCIFER> >> > [1]> >
Sinais de fogo> >
vulcões> >
gentes que fogem> >
em fúria> >
outras que caem> >
ao Hades> >
is this the end, beautiful friend,> >
or just the beginning of the new age?> >> >
Devo desposar-te,> >
minha mulher,> >
ó eternidade?> >
ou devo combater,> >
meu comandante?> >> >
quando um homem>
> procura a solidão>
> e regressa á infância> >
que pode esse homem encontrar> >
senão a luz, senão a vingança?> >> >
Quem é esse homem> >
que vem do incêndio> >
da cidade eterna?> >
Quem é esse homem> >
no meio das mulheres>
> e das outras merdas?> >> >
Quem é este> >
que tu queres> >
e volta de madrugada> >
a cair de bêbado> >
atraiçoado> >
a arder no canto> >
a subir no verbo> >
na tua palavra> >>
> Lúcifer> >
anjo de Deus> >
anjo de Bosch> >
anjo deboche> >
rei guerreiro> >
rei querido> >
Hamlet em delírio> >
bruxas> > feitiços> >
o que é que conta isso> >
diante de ti> > homem livre> >
espírito que dança> >
em busca do Graal.> >> >
A. Pedro Ribeiro, 6.4.2007, Braga, Forum.
Tuesday, August 07, 2007
Monday, August 06, 2007
LAS TEQUILLAS

Las Tequillas em concerto
A banda Las Tequillas, constituída por António Pedro Ribeiro (voz), Henrique Monteiro (guitarra eléctrica), Marco (baixo) e Valdemar Monteiro (bateria) dá um concerto no Luna Bar em Vila Chã (Vila do Conde) hoje, pelas 22h30. A banda, uma mescla de rock e blues com a performance poético-teatral, interpreta os temas próprios «Submissão», «Image», «Távola», «Anjo em Chamas», «Bailado» e «A Coisa» e os blues «Crawling King Snake» (John Lee Hooker/the Doors) e «The Cars Hiss By My Window» (The Doors). Os Las Tequillas voltam a actuar dia 12, domingo, no Atlantic Caffé, em Mindelo (Vila do Conde), pelas 22h30.
in "O Primeiro de Janeiro", 4.8.2007
Monday, July 30, 2007
O AMOR LOUCO
AMOR LOUCO ________________________________________
O Amor Louco não quer se alistar no exército
de ninguém, não toma partido na Guerra dos Sexos,
entedia-se com os argumentos a favor de iguais
oportunidade de trabalho (na verdade, recusa-se a
trabalhar para ganhar a vida), não reclama, não
explica, nunca vota & nunca paga impostos.
O Amor Louco gostaria de ver todo bastardo ('filho natural')
chegar ao fim de sua gestação e nascer - o AL vive de
aparelhos antientrópicos - o AL adora ser molestado por
crianças - o AL é melhor que preces, melhor que
sensimilla (3) - o AL leva para onde for suas próprias
palmeiras & sua própria lua. O AL admira o tropicalismo,
O amor louco não é uma social-democracia, não é um
parlamentarismo a dois. As atas de suas reuniões
secretas lidam com significados amplos, mas precisos
demais para a prosa. Nem isso, nem aquilo - seu Livro
de Emblemas treme em suas mãos.
Naturalmente ele caga para os professores & para a
polícia, mas também despreza os liberais & os ideólogos
- não é um quarto limpo & bem iluminado. Um topógrafo
embusteiro projetou seus corredores & seus parques
abandonados, criou sua decoração de emboscada feita
de tons pretos lustrosos & vermelhos maníacos
membranosos... O anarquismo ontológico nunca retornou
de sua última viagem de pesca. Conquanto ninguém nos
denuncie para o FBI (CIA), o CAOS não se importa nem
tão pouco com o futuro da civilização. O amor louco
procria apenas por acidente - seu objetivo principal é
engolir a Galáxia. Uma conspiração de transmutação...
O amor louco é saturado de sua própria estética, enche-se
até as bordas com a trajetória de seus próprios gestos,
vive pelo relógio dos anjos, não é um destino adequado
para comissários ou lojistas. Seu ego evapora-se com a
mutalidade do desejo, seu espírito comunal murcha em
contato com o egoísmo da obsessão. O amor louco pede
sexualidade incomum, da mesma forma que a feitiçaria
exige uma consciência incomum. O mundo anglo-saxão
pós-protestante canaliza toda sua sensualidade
reprimida para a publicidade & divide-se entre
multidões conflituantes: caretas histéricos versus
clones promíscuos & ex-ex-solteiros.
a sabotagem, a break dance, Layla & Majnun (4), o cheiro
de pólvora e de esperma. O AL é sempre ilegal, não importa
se disfarçado de casamento ou de um grupo de escoteiros -
sempre embriagado do vinho de sua próprias secreções ou
do fumo de suas virtudes polimorfas. Não é a deterioração
dos sentidos, mas sim sua apoteose - não é resultado da
da liberdade, mas seu pré-requisito. Lux et voluptas.
O Amor Louco não quer se alistar no exército
de ninguém, não toma partido na Guerra dos Sexos,
entedia-se com os argumentos a favor de iguais
oportunidade de trabalho (na verdade, recusa-se a
trabalhar para ganhar a vida), não reclama, não
explica, nunca vota & nunca paga impostos.
O Amor Louco gostaria de ver todo bastardo ('filho natural')
chegar ao fim de sua gestação e nascer - o AL vive de
aparelhos antientrópicos - o AL adora ser molestado por
crianças - o AL é melhor que preces, melhor que
sensimilla (3) - o AL leva para onde for suas próprias
palmeiras & sua própria lua. O AL admira o tropicalismo,
O amor louco não é uma social-democracia, não é um
parlamentarismo a dois. As atas de suas reuniões
secretas lidam com significados amplos, mas precisos
demais para a prosa. Nem isso, nem aquilo - seu Livro
de Emblemas treme em suas mãos.
Naturalmente ele caga para os professores & para a
polícia, mas também despreza os liberais & os ideólogos
- não é um quarto limpo & bem iluminado. Um topógrafo
embusteiro projetou seus corredores & seus parques
abandonados, criou sua decoração de emboscada feita
de tons pretos lustrosos & vermelhos maníacos
membranosos... O anarquismo ontológico nunca retornou
de sua última viagem de pesca. Conquanto ninguém nos
denuncie para o FBI (CIA), o CAOS não se importa nem
tão pouco com o futuro da civilização. O amor louco
procria apenas por acidente - seu objetivo principal é
engolir a Galáxia. Uma conspiração de transmutação...
O amor louco é saturado de sua própria estética, enche-se
até as bordas com a trajetória de seus próprios gestos,
vive pelo relógio dos anjos, não é um destino adequado
para comissários ou lojistas. Seu ego evapora-se com a
mutalidade do desejo, seu espírito comunal murcha em
contato com o egoísmo da obsessão. O amor louco pede
sexualidade incomum, da mesma forma que a feitiçaria
exige uma consciência incomum. O mundo anglo-saxão
pós-protestante canaliza toda sua sensualidade
reprimida para a publicidade & divide-se entre
multidões conflituantes: caretas histéricos versus
clones promíscuos & ex-ex-solteiros.
a sabotagem, a break dance, Layla & Majnun (4), o cheiro
de pólvora e de esperma. O AL é sempre ilegal, não importa
se disfarçado de casamento ou de um grupo de escoteiros -
sempre embriagado do vinho de sua próprias secreções ou
do fumo de suas virtudes polimorfas. Não é a deterioração
dos sentidos, mas sim sua apoteose - não é resultado da
da liberdade, mas seu pré-requisito. Lux et voluptas.
Tuesday, July 10, 2007
ESPERO POR QUEM VEM
Espero por quem vem
desta vez vem
tenho a certeza
espero por quem vem
desta vez
tenho a cerveja
espero por quem vem
sou o anjo maldito
o rocker sem cheta
o gajo das alucinações
já chateia a treta
da vedeta incompreendida.
desta vez vem
tenho a certeza
espero por quem vem
desta vez
tenho a cerveja
espero por quem vem
sou o anjo maldito
o rocker sem cheta
o gajo das alucinações
já chateia a treta
da vedeta incompreendida.
Sunday, July 08, 2007
A POLÍCIA É UMA DELÍCIA
Brasileira acusa PSP de agressão violenta no Porto
Tivera uma zanga amorosa, apetecia-lhe sair. Bebeu umas cervejas na Foz, talvez cinco. Quis tomar um copo na Baixa, mas a "movida" portuense é quase uma inexistência ao domingo à noite. "Estava tudo fechado." Ana (nome fictício) pôs-se a dar chutos na Rua do Almada. Primeiro num carro, depois num edifício. André agarrou-a, para a controlar. De repente, aproximam-se dois agentes da PSP. "Só me lembro de ser puxada pelos cabelos."
Tivera uma zanga amorosa, apetecia-lhe sair. Bebeu umas cervejas na Foz, talvez cinco. Quis tomar um copo na Baixa, mas a "movida" portuense é quase uma inexistência ao domingo à noite. "Estava tudo fechado." Ana (nome fictício) pôs-se a dar chutos na Rua do Almada. Primeiro num carro, depois num edifício. André agarrou-a, para a controlar. De repente, aproximam-se dois agentes da PSP. "Só me lembro de ser puxada pelos cabelos."
Saturday, July 07, 2007
princess om

fantasy trip
A luta por uma crença construtiva que parte da intelligentsia divinizada de quem procura o amor a dimensão alternativa da percepção. Abstraccionar.Surrealizar a mente. Denunciar a autoridade, a prepotência, a mentira, o horror, crescer como um elo interdependente com o outro. em ligação cósmica quando a verdade floresce no planeta com arte, a transferência da realidade para a arte, faz progredir o imaginarium colectivo.
Mensagem de paz de Carla Vera
Peace Warrior
dedicated to Tó Pereira
Art in Sabar
Publicada por Sabar em 6:09 0 comentários
Tuesday, July 03, 2007
JORNAL DIGITAL
Braga - O politicamente incorrecto poeta portuense António Pedro Ribeiro veio a Braga, quinta-feira, apresentar a sua «Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro e Outras Pérolas - Manifestos do Partido Surrealista Situacionista Libertário», obra surrealista e directa que não poupa nas palavras fortes para fazer uso da liberdade de expressão.«Ele tem um modo de estar arrogante, intolerante e mecânico, um modo de falar robótico, tecnológico», diz Pedro Ribeiro sobre José Sócrates, actual chefe do Governo português, a quem dedica o poema que dá nome ao seu mais recente livro. Mas além do primeiro-ministro, que o autor, rebelde assumido, pretende ver «num filme porno», há outros visados. «Este livro não é apenas uma dedicatória a José Sócrates, é um livro assumidamente anarquista, guevarista. Todos os poderes estão em causa, não é só o primeiro-ministro», explicou o próprio ao Jornal Digital aquando do lançamento na Livraria Centésima Página, em Braga, cidade onde viveu muitos anos.«Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro», título cuja escolha «não foi inocente», reconhece o autor, é também um manifesto contra o que se passa actualmente nos partidos políticos em Portugal. Os três primeiros textos são dedicados à Póvoa de Varzim, Porto e Vila do Conde «e respectivos presidentes de Câmara», refere o poeta. Com a primeira autarquia diz ter «uma especial relação de amor. Mais até do que com Sócrates». E nem a Igreja nem os jornalistas escapam à visceral «paixão» de Pedro Ribeiro.A obra, editada no início do ano pela objecto cardíaco, do escritor valter hugo mãe, que esteve presente na apresentação, é «muito influenciada» por leituras que o autor fez no Verão passado. Admirador dos situacionistas e dos surrealistas, o poeta utiliza algumas técnicas que estes usaram, nomeadamente a colagem. Em muitos dos seus textos mistura, por exemplo, excertos de notícias de jornais com frases suas ou de outros autores.Fundador da revista «aguasfurtadas», A. Pedro Ribeiro, que nasceu no Porto no famoso ano de 1968, publicou já outros livros e manifestos. «Eu também escrevo poemas de amor melancólicos», lembra o escritor que é também autor do blog «trip na arcada» e membro da banda Mana Calorica. Alguém que acredita «que a criatividade é o último reduto da rebelião».
Madalena Sampaio
Madalena Sampaio
Saturday, June 30, 2007
O POETA VEM

O poeta vem e senta-se
a menina dos olhos está grávida
o poeta vem e senta-se
a menina do encontro
ainda não chegou
mas ainda está dentro da hora
o poeta vem e senta-se
não se passa nada
o poeta vem e senta-se
a menina dos olhos passa
o poeta vem, senta-se
e agarra-se à literatura
o poeta vem e senta-se
o mundo é o mesmo
não muda nada
o poeta vem e senta-se
espera pela dama
o poeta vem e senta-se
será que vem?
A. Pedro Ribeiro
Saturday, June 23, 2007
Nietzsche
O grande homem irradia, transborda, consome-se, não se poupa.
(Nietzsche, "Crepúsculo dos ídolos")
(Nietzsche, "Crepúsculo dos ídolos")
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