Wednesday, July 27, 2011

UMA CERVEJA NO INFERNO


Defendo a violência de Atenas mas não sou violento. Sempre passei muito tempo sozinho. Não tenho medo. Desde que não esteja deprimido. Tenho 43 anos. Estou a caminho de escrever a grande obra. A obra do profeta que regressa à praça. Como Zaratustra. Estou a abrir a mente, a abrir as portas. Não há fronteiras. Deus, Satã e tudo o mais bebem à minha mesa. Não quero mais saber da conversa dos ignorantes, dos imbecis. Estou na demanda. Não posso deixar fugir o instante. O instante mágico. Sou aquele que possui, aquele que agarra. Não, não me atireis mais conversa fiada. Eu sou do outro reino mas sou também da Terra. Altura! Altura! Vem apanhar-me. Olha como voo, como sou belo. "Como te amo, ó eternidade". Nada acima de mim. Falta consumar-se o casamento. Sou o profeta. Os deuses amam-me. O cérebro alimenta-se. Quem sois, meus demónios? Porque não dançais, bailarinos? Por onde andais, meus queridos? Tantas noites, preso à mesa, preso ao balcão, a beber no inferno.

Tuesday, July 19, 2011

ESPÍRITO E GRAÇA

ESPÍRITO E A GRAÇA

É madrugada. Chove lá fora. Tenho pesadelos. A minha alma é acossada pelos demónios. Não sei se sou homem ou se me estou a transformar em algo mais. Bebi seis minis no "77". Fiquei ao balcão e olhava silenciosamente as mulheres. Que mundo entra nelas? Que novo mundo entra nelas? Aparentemente divertem-se nesta nova Babilónia. Estamos aqui para gozar. Que mais estaríamos a fazer aqui? Mas, depois, no dia seguinte, vem sempre a castração do desejo. A sociedade só permite que gozes até certo ponto. Não permite o gozo permanente. Mas elas até parece que gozam em permanência. Queres viver o mundo delas. Queres filhos delas. Continuar a criação. Já não sabes se és homem ou se te estás a transformar noutra coisa. Os teus demónios abençoam-te e fazem-te alcançar a clarividência. Todos os grandes livros que leste estão em ti. Atingiste a Luz. As mulheres olham-te e dão-te a Luz. Ouves o relógio. Viverias sem relógios e sem televisores. Vives agora num mundo sem castrações. és um dos eleitos. As mulheres olham-te, tentam compreender-te mas parece que receiam chegar a ti. Também te tens fechado na pose da estrela distante. Tens de descer da pose. Tens de descer ao mundo. Procuras o "país dos teus filhos". Por isso, as tens de procurar e amar. Brincas com elas, fazes-las rir quando estás em palco. ÉS o mais louco e o mais insolente dos poetas. Mas ficas muito tempo em silêncio, a observar. Há uma certa beatitude em ti, que vem da infância. Distingues claramente, traças uma fronteira entre o animal de palco e o ser silencioso que observa. Os gatos gemem lá fora. Falam a linguagem da criação. Há qualquer coisa que ultrapassa o corpo. Há qualquer coisa que faz de ti um rei de outras paragens, de outras eras. Ulisses, Artur de Camelot. Não te resignas ao corpo, como Platão. És da Ideia. Nasceste para a Ideia. Não vieste desempenhar tarefas manuais. ÉS aquele que nasce e volta a nascer. Os negócios dos homens nada te dizem. Poeta, a madrugada é tua. Cantas com os animais o cântico da criação. Zaratustra vai descer da montanha, vai ter com os homens à praça pública. Sabe que pode ser vencido, humilhado até. Mas sabe que terá que ser assim. Aproxima-se o Grande Meio-Dia. Marlon Brando no "Apocalipse Now". Os seus discípulos veneram-no como a um deus. Mas nenhum o conhece realmente, nenhum atinge o seu estado de lucidez, nenhum vê a luz como ele vê, estão contaminados pelo mundo do trabalho e do sacrifício. Ele é espírito. Dança com os demónios e com os fantasmas. Vive deles. É Hamlet. Atinge a Ideia e a Graça. Talvez por isso ande encerrado em mim mesmo, Gotucha. Talvez por isso não te esteja a dar atenção. Sabes, o mundo das coisas práticas, do quotidiano fica muito lá em baixo. Sou essencialmente Espírito e Ideia. O mundo dos negócios e das notícias é realmente menor, superficial. Estou no campo da filosofia, da ausência de violência. Vivo o homem bom, a criança sábia, aquele que se ultrapassa a si mesmo mas que retorna eternamente a si mesmo. Não mais guerras. Não mais escravos. A manhã é real. Beija-me. Vem ter comigo como a mulher.

NA VIA DA LUZ


Estou na via da luz, do conhecimento. Lembro-me do Jesus da "Última Tentação de Cristo" de Scorcese. Lembro-me do Jesus que hesitava, que não conseguia pronunciar a Palavra. Sinto-me nesse papel, á medida que vou bebendo a sabedoria do padre António Freire, que fala de Ésquilo, Sófocles, Eurípedes, Aristóteles. Veio a luz e escrevi o poema. Veio a luz e voltei a ser louco divino, o ser que persegue a glória. Vim ao mundo, era um miúdo que pensava muito, que brincava muito em casa com os irmãos mas que na escola se comportava demasiado bem, brincava também com as meninas da turma. Tinha um mundo meu, muito meu, onde inventava jogos, personagens, onde questionava o próprio acto de falar. Na adolescência era tímido, demasiado tímido, quase não comunicava com as miúdas. Depois no 12º ano comecei a soltar-me, passeava à noite, ouvia os Doors, tinha paleio para as moças. Depois vieram as noites de Braga, a rádio, os copos, o gosto pela leitura. Depois a revolta contra a Faculdade de Economia, as primeiras depressões, a liberdade, a casa de Braga só para mim. Agora, aos 43, sinto-me, de novo, na estrada do sublime. Há mais de dois anos que não tenho depressões. Sinto-me capaz de escrever a grande obra. As iluminações vieram ter comigo esta noite. Escrevo como os grandes. Tenho uma mente brilhante mas as depressões e o tédio quotidiano tem-na ofuscado. O Jesus de Scorcese torna-se o dono da Palavra. Já posso dirigir-me á praça pública.

Saturday, July 09, 2011

JIM MORRISON FOREVER (1971-2011)


JIM MORRISON, PROFETA DA REVOLTA

A Jim Morrison, 40 anos após a partida, a 3 de Julho de 1971

Jim Morrison, o poeta/cantor dos Doors. Fascina-me desde os 16 anos. Nessa altura do Liceu Sá de Miranda ouvia muito os Pink Floyd. Conhecia as letras subversivas do Roger Waters, as críticas mordazes à Thatcher e ao sistema. Mas quando um amigo meu me emprestou o disco "Strange Days" e a longa canção "When The Music's Over" houve uma explosão. Tem piada que à primeira audição estranhei a coisa. Mas depois, bem depois havia aquele órgão, aquela bateria, aquele som hipnótico e o Jim recitava: "estamos fartos de tantos rodeios/ fartos de esperar com o ouvido colado ao chão/ queremos o mundo e exigimo-lo...AGORA!" Todas as infâncias, todas as antigas convicções, todas as missas, todos os preconceitos acabavam ali. Quando o Jim Morrison gritou "NOW!" eu tornava-me outro. Não há aqui misticismos baratos. É a urgência de quem não pode esperar mais. Tem de ser "agora" ou então está tudo perdido. Terminou o tempo das "risadas" e das "doces mentiras", como diz o outro épico dos Doors, "The End", que esteve na base do "Apocalipse Now" de Coppola. Tem piada que as palavras proféticas de Morrison voltam agora a fazer todo o sentido com as revoltas na Grécia. É uma revolta que ultrapassa os sindicatos e os partidos, uma revolta com pedras e "cocktails molotov" que não se limita

á exigência do derrube de um governo, uma revolta de raiva que põe tudo em causa, uma revolta sem negociações, uma revolta morrisoniana, daqueles que estão "fartos de tantos rodeios", que exigem nada mais, nada menos do que o próprio mundo.

A postura de Jim Morrison em palco ajuda à lenda. Os concertos dos Doors eram celebralções dionisíacas, num terreno nietzscheano que transcendia o bem e o mal. Morrison era o xamã que provocava o público até à loucura. Havia mulheres que se despiam, que tiravam os soutiens, que dançavam como nos antigos bacanais. Jim era também Dionisos com a ajuda do àlcool e de outras drogas, era o deus que achava os "hippies" e o "flower power" ingénuos, que falava do amor no meio do caos, que dizia aos jovens que não passavam de escravos que faziam tudo o que lhes mandavam fazer.

REVISIONISTAS

A Associação Fórum Manifesto defendeu hoje que o período das correntes internas do Bloco de Esquerda (BE) está “esgotado” e deve “terminar”, e que é necessário um “acordo político” para que estas se “apaguem da vida interna do partido”.
Associação Fórum Manifesto diz que o período das correntes internas BE está “esgotado” (Miguel Madeira)

A Manifesto, que congrega várias figuras da ala Política XXI, reuniu-se no âmbito da iniciativa O Bloco e os Caminhos da Esquerda, em Lisboa, e concluiu que é preciso que as correntes fundadoras do Bloco se “inibam voluntariamente” de participarem de forma “organizada e concertada” nos órgãos de decisão do partido. A ideia é assim “descorrentizar” o partido e dar espaço de actuação aos militantes mais novos que não se revêem nestes sectores fundadores.

José Gusmão, dirigente do BE e ex-deputado, reconhece que as correntes fundadoras [PSR, UDP e Política XXI] foram importantes para a construção do partido, mas defende que agora é tempo de se apagarem e iniciarem um “processo de retracção”.

Gusmão disse ainda que a Política XXI está disponível para dar o seu contributo nesse âmbito, porque é preciso iniciar um “novo ciclo interno”.

Ao debate desta tarde compareceram Ana Drago, José Manuel Pureza, Marisa Matias, Rui Tavares, Daniel Oliveira, entre outros.

Friday, July 08, 2011

LIXO


Lixo. Somos lixo. Eis onde os politiqueiros nos levaram. Eis o que dizem os mercados e a finança. Eis o que os Passos Coelho e os Cavacos merecem. Eis o que uma boa parte de nós não pode aceitar. Somos homens, seres humanos, não somos lixo. Lixo é o que nos espetais nos cornos todos os dias.
Ás vezes até parece que nos deixamos levar mas depois ressuscitamos. Não somos lixo. Lixo sois vós que produzis o lixo, lixo sois vós que vos deixais levar sempre. Nós resistimos. Temos as nossas próprias ideias. Não somos criados de ninguém nem comentadores da corte. Somos livres. Absolutamente livres. Acreditamos nas nossas ideias. Não somos lixo. Não vivemos apenas para comer e beber. Pensamos. Lemos livros. Não percebemos nada de finanças nem queremos perceber. Não falamos a linguagem económica. Somos criadores. Do papel fazemos nascer a palavra. Estamos fartos de ser governados por imbecis que outros imbecis elegem. Estamos fartos das ordens dos patetas. Não aceitamos. Temos todo o direito de não aceitar. Não somos lixo. Quem quiser que se contente com o lixo. Nós não. Nós vimos das estrelas. Somos o homem de Platão e de Nietzsche. Estamos aqui. Vivemos. Não nos limitamos a arrastar o corpo. Viemos para desafiar o tédio e a rotina. Viemos de mente aberta. Viemos abrir as portas.

www.jornalfraternizar.pt.vu

Wednesday, July 06, 2011

Aqui chegados. A menina de preto ao balcão. A nova canção da revolução. Atenas. Grécia. Os camaradas resistem. Atiram pedras ao instituído. Os mercados aliviados por uma votação, por um dia. Tremem. Somos contra os mercados, já o dissemos. Somos do mundo, vivemos o mundo, vivemos a revolução. Amamos. Também somos capazes de odiar. Quando estamos na corda-bamba não conseguimos ser equilibrados. Eles tremem. Outros nada sabem. Ignoram. E nós vamos avante. Mesmo que nos espetem com a Bárbara. Não nos convém beber àlcool. Mas vamos fazê-lo em honra da menina da "Padeirinha". Valha-nos a menina senão morremos de tédio. Agora espetam-nos com o casamento real. Simulam que está tudo bem. Mas não está. Estes gajos fazem-me rir. Com o homem deles, com o Cavaco. Razão tem o Rocha. Antes só do que aturar doidos. Nós próprios somos doidos mas também somos revolucionários. Vá lá que existem as gajas para nos puxar para cima. Senão isto é a miséria asbsoluta. Tempo de pedir uma cerveja à menina. Somos loucos, absolutamente loucos, como dizia o Jaime. Abusamos. Continuamos a abusar até cair para o lado. Queremos a Grécia aqui! "Eles vão ficar à solta", António. Nós também. Somos do mundo. Olhamos para o cu da menina. Antes olhar para o cu da menina do que morrer de tédio como os outros caramelos. Os velhotes já me saúdam. A menina traz-me a cerveja. Estamos a reinar. "Eles vão ficar à solta". Como Cesariny. Vibramos com o mundo. Já não vibramos com o futebol.

Monday, July 04, 2011

JORNAL DE NOTÍCIAS


Há oito dias que não escrevia. Agora tudo é diferente. As pernas não aguentam. Vês tudo aos rectângulos e aos quadrados. Estás sujeito a cair na rua. O sol arde, queima. Estás doente aqui em Braga. O chão começa a desaparecer. Tens de te agarrar à Gotucha. Agora já não gozas com as velhas, ó poeta. Nem foste lesto a sacar do "Jornal de Notícias". Já não vês o fogo na Trofa. Mas ouves Hendrix e isso põe-te em cima. O velho rock n´roll põe-te em cima. Mas já não tens pedalada para ir até à Avenida. O feitiço virou-se contra o feiticeiro. Ah! Ah! Salva-te, ó poeta beat. Não foste a Amarante nem a Lisboa. Começas a admirar os militares depois da conversa com o camarada de Aveiro. És da vida, não da morte. De qualquer forma, o calor faz-te sair da toca. Tal como o rock. És do rock. Dos AC/DC, dos Deep Purple, dos Led Zeppelin. Quando andas por lá pões as gajas malucas. Mas desde o S. João que não te aguentas das pernas. Já não é só quando não dormes. Como vai ser agora, menino? O jogo desta vez é a valer. O sol arde dentro e fora. Cowboy solitário em pleno "Saloon", quase de muletas. Valha-te o santo rock n´roll. O gajo nunca mais acaba o "Jornal de Notícias". E tu já não danças. Homem superior, resta-te a inteligência. Por enquanto, dizem...ir à casa de banho tornou-se um sacrifício. A gaja do café rega. Ir até casa vai ser outro sacrifício. Prepara-te, menino. O chão aos losangos e aos quadrados. A loucura. Quantos dias mais permanecerás aqui? Nem sequer convém beber álcool. Ri-te agora, ó poeta. Entre isto e as alucinações, não sei...venha o diabo e escolha. Pois, precisamente o diabo. Santo Deus, valha-nos Satã. Talvez ele te salve. Valha-nos Satã e a aguínha, não é menino? Ou, por outro lado, talvez te fizesse bem ir à missa, à igrejinha, orar a Deus e a Jesus, pedir-lhes milagres. Levanta-te, Lázaro. Desperta. Agarra-te às mulheres. Talvez elas te salvem do inferno em que te vieste meter. Resta-te mesmo a inteligência, Pedro. Por enquanto. Mal te mexes. Tens de permanecer deitado ou sentado. Coitado. Vão começar a ter pena de ti, novamente. E o gajo nunca mais acaba o "Jornal de Notícias". Estás como o Nuno. Entregas-te à literatura. Pelo menos, ainda tens olhos, braços e a mão direita. As pernas falham, tremem, não te obedecem. Estás por um fio, grande rei. Os teus dias na Terra estão a chegar ao fim. Valha-te o "Jornal de Notícias".

ESTOU À ESPERA QUE AS GAJAS ME LIGUEM


Estou à espera que as gajas me liguem
e começo a ver a luz
a potência da preta do ténis
em Wimbledom
onde havia o Bjorn Borg
quando eras o rapaz inocente
da Trofa
agora ouves os estudantes
cantar o passado
e ficas comovido
é isto a vida
estás a vivê-la
no fundo,
seguiste quase sempre
a estrada certa
com alguns desvios
os olhos choram
o mundo é este
não há outro.

Friday, July 01, 2011

ZAPATISTAS


enlaceZapatista

Esta es la bitácora en línea de la Comisión Sexta del Ejército Zapatista de Liberación Nacional Inicio / RedContraRepresion
jun
30
2011Declaración de la RvsR sobre el Movimiento de Víctimas de la Guerra de Calderón

Declaración de la RvsR sobre el Movimiento de Víctimas de la Guerra de Calderón



La Red vs la Represión y la Solidaridad reunida en la Ciudad de México, el 25 de junio, con la representación de los estados de Puebla, Colima , Chihuahua, Morelos, estado de México, Tlaxcala, Chiapas, Ciudad de México y Oaxaca (regiones centro, triqui, loxicha y chinanteca) manifiesta su apoyo al movimiento de las víctimas de la guerra de Calderón y se suma al dolor y la rabia generada por la masacre contra el pueblo.

En esta guerra que ya ha dejado 40 mil muertos y 18 mil desaparecidos, y que cada día cobra nuevas víctimas, la mayoría de los crímenes son cometidos por cuerpos militares, policiacos y paramilitares profesionales, o realizados con su apoyo y complicidad. Estas fuerzas profesionales, en particular las policías y el ejército, han tenido cerca de 700 bajas, mientras son miles los muertos y desaparecidos del pueblo, que como muestran los testimonios que recogiera la Caravana por la Paz con Justicia y Dignidad, son muchachos y muchachas, bebes y niños, campesinos, indígenas, trabajadores y desempleados, habitantes de colonias, comunidades y ciudades, que se ven perseguidos y hostigados, criminalizados y finalmente aniquilados. Son civiles, ciudadanos y ciudadanas, gente de abajo, humilde y sencilla. Esta guerra es un verdadero genocidio.

Es necesario parar esta guerra y el primer paso es la desmilitarización, que el ejército regrese a sus cuarteles, que las policías y los militares cesen sus patrullajes, hostigamiento y amenazas contra la población civil, los asesinatos, desapariciones, tortura y criminalización de la lucha social.

Desde la Red vs la Represión y la Solidaridad no confiamos en el que arriba comete crímenes de lesa humanidad., consideramos que la otra campana puede contribuir a parar esta guerra genocida, nombrando a las víctimas en todas las plazas, fortaleciendo la organización de los familiares y del movimiento que los apoya, así como el desarrollo de las autonomías y los procesos organizativos abajo y a la izquierda.


Por la desmilitarización del país

ALTO A LA GUERRA DE CALDERÓN

Red Contra la Represión y por la Solidaridad (RvsR)

NO PASARAN


NO PASARAN


A Grécia. Sempre a Grécia. Da Grécia não levais nada, ó inquisidores, ó capitalistas. Na Grécia não há Medinas Carreira que vos valham, nem profetas da morte, nem economistas da treta, nem contabilistas. Na Grécia o povo bate-se nas ruas, enfrenta o poder e a polícia. Na Grécia não há meias-tintas. Na Grécia não há Passos Coelho, nem Cavacos, nem vendilhões, nem troca-tintas. Ou, se os há, estão em xeque. O povo combate nas ruas. O povo de Homero, de Sófocles, de Eurípedes, de Pitágoras, de Sócrates, de Platão, de Aristóteles não aceita mais a ditadura dos mercados e a escravatura da troika, da Merkel, do Obama, do Sarkozy. Um povo assim não pode cair. Um povo assim não cai na cantiga. Um povo assim dignifica o Homem na Terra. Um povo assim faz o homem. Sejamos todos gregos. Como no princípio. Pela civilização, pelo homem livre, pela Vida. No Pasaran.

Wednesday, June 29, 2011

NOTÍCIAS DA GRÉCIA

Grécia: greve geral de 48 horas, raiva nas ruas…Não Pagamos!
Os trabalhadores gregos estão de novo nas ruas para protestar, mas a greve geral de hoje, que acontece um dia antes da votação no Parlamento das medidas reaccionárias de austeridade, paralisa sectores importantes da economia e vai parar o país por 48 horas.


Em causa está os remédios do grande capital contra a crise sistémica do capitalismo, o país já havia parado outras 16 vezes desde os primeiros anúncios de corte de gastos, mas desta vez, é diferente: estamos falando de uma greve geral de dois dias, a primeira desde 1974.


Esta enorme mobilização foi convocada pelos dois principais sindicatos da Grécia, esta greve afecta, por exemplo, os transportes públicos. De acordo com fontes sindicais somente o metro está em operação para levar os manifestantes até os principais pontos de protesto em Atenas. O resto dos transportes estão paralisados, as repartições públicas e os correios também não abrirão as portas. Escolas e hospitais só atenderão emergências.


Os aeroportos estarão fechados hoje e amanhã entre 8h e 12h e das 18h até as 22h, milhares empresas médias e pequenas encerram as portas com a ausência dos trabalhadores em greve. Em suma o país está paralisado…só o parlamento burguês está em funcionamento, mas cercado pelos mais de 20 mil manifestantes.


A raiva está na rua, nos pensamentos, nas palavras de ordem, e fisicamente, segundo as imagens as manifestações de hoje foram mais violentas do que as anteriores com aumento da repressão policial, que usam bombas de gás lacrimogéneo, e manifestantes, armados de paus e pedras.


Os trabalhadores gregos, que já enfrentam alto desemprego e recessão, gritam nas ruas contra a aprovação de mais medidas de austeridade que prevêem aumento de impostos, despedimentos em massa de trabalhadores, funcionários públicos, mais e mais privatizações e aumento da idade mínima dos aposentados.


A luta do povo grego é determinante como exemplo para os povos nesta Europa, tenhamos coragem de seguir o mesmo caminho, dizer Não a estas políticas de traição, Não ao Pagamento das dívidas, Não ao capitalismo!

http://lutapopularonline.blogspot.com

Tuesday, June 28, 2011

ZAPATISTAS AMEAÇADOS DE MORTE


Frayba: Acción urgente, amenazas de muerte, hostigamiento y riesgo de desplazamiento forzado a bases de apoyo zapatistas en San Marcos Avilés
San Cristóbal de Las Casas, Chiapas, México

27 de junio de 2011

Acción Urgente No. 3

Amenazas de muerte, hostigamiento y riesgo de desplazamiento forzado en San Marcos Avilés

Según información documentada por este Centro de Derechos Humanos (Frayba), en el ejido San Marcos Avilés, municipio de Chilón hay amenazas de muerte, hostigamiento, despojo y riesgo de desplazamiento forzado a Bases de Apoyo del Ejercito Zapatista de Liberación Nacional (BAEZLN) por parte de habitantes del mismo ejido, afiliados al Partido Revolucionario Institucional (PRI), Partido de la Revolución Democrática (PRD) y Partido Verde Ecologista de México (PVEM).

Ante esta situación el Frayba manifiesta su preocupación por el inminente riesgo a la vida, integridad y seguridad personal que sufren las BAEZLN, habitantes del ejido San Marcos Avilés, ya que dichas amenazas de muerte y hostigamientos han ido aumentando en el curso de los últimos días; además el despojo de tierras impide las labores en el campo y la cosecha de sus productos básicos, lo que ocasiona que las personas afectadas sufran por la falta de alimentos, generando graves daños a la salud de niños, niñas, mujeres, hombres, ancianas y ancianos.

Ante estos hechos, las familias BAEZLN tienen el temor de ser nuevamente desplazadas, razón por la cual este Centro de Derechos Humanos señala:

La responsabilidad del Estado por omisión ya que las autoridades gubernamentales no han actuado para garantizar la integridad y seguridad personal de las BAEZLN y el acceso a la tierra a pesar de las varias intervenciones enviadas por este Centro de Derechos Humanos;

y exige:

*

El cese a las amenazas de muerte, hostigamiento y despojo en contra de las BAEZLN por parte de los integrantes de los partidos políticos del ejido San Marcos Avilés;

*

Proteger y garantizar la vida, la integridad y seguridad personal de las BAEZLN respetando su proceso autonómico que vienen construyendo desde años en el marco del derecho a la libre determinación de los pueblos, establecido en el Convenio (No. 169) sobre pueblos indígenas y tribales en países independientes y la Declaración de las Naciones Unidas sobre los Derechos de los Pueblos indígenas.

Antecedentes:

EL 9 de septiembre de 2010, este Centro de Derechos Humanos recibió denuncia de la Junta de Buen Gobierno Corazón Céntrico de los Zapatistas Delante del Mundo, del Caracol 2 Resistencia y Rebeldía por la Humanidad con sede en la comunidad Oventic, San Andrés Sakamch´en de Los Pobres, Chiapas, en relación a las amenazas, hostigamiento y desplazamiento forzado que sufrieron 170 personas entre hombres, mujeres, niñas y niños BAEZLN del ejido San Marcos Avilés del municipio de Chilón, Chiapas; después de que en el mes de agosto de 2010 las BAEZLN construyeron la primera escuela autónoma en el ejido, para el comienzo de las actividades previstas del Sistema Educativo Rebelde Autónomo Zapatista.

Ese día, 30 personas del ejido San Marcos Avilés afiliadas al partido PRI, PRD y PVEM, encabezados por los Sres. Lorenzo Ruiz Gómez y Vicente Ruiz López, ingresaron de forma violenta, con palos, machetes y armas de fuego en las casas de integrantes BAEZLN, momento en el que intentaron violar a dos mujeres que lograron escapar. Para no responder a la agresión, las BAEZLN abandonaron sus casas refugiándose en el monte. Después de 33 días de desplazamiento forzado sin alimentos y sin ninguna protección, el 12 de octubre de 2010 27 familias BAEZLN (50 mujeres, 47 hombres y 77 niños; en total 170 personas) retornaron a su comunidad.

Por lo documentado por este Centro de Derechos Humanos en las casas de los desplazados, se constató que: las viviendas habían sido saqueadas de todas sus pertenencias, cosechas de maíz y frijol; sus cultivos cafetales y árboles frutales destruidos; tampoco se encontraron los animales de corral que cada familia tenía.

Desde que el Frayba tuvo conocimiento de la problemática en el ejido San Marcos Avilés, informó en varias ocasiones a las autoridades gubernamentales de la situación, a fin de solicitar el cumplimiento en su obligación de garantizar la integridad y seguridad personal de los habitantes y buscar una solución al conflicto. Pese a esto, no hubo respuesta.

Sin embargo, aún cuando la población desplazada retornó a su comunidad de origen, recibimos y documentamos amenazas persistentes y cotidianas en la comunidad, por lo que hay un riesgo de desplazamiento forzado. El día 6 de abril de 2011, en el ejido se instaló un Campamento Civil por la Paz, integrado por observadores civiles para disuadir posibles acciones violentas, sin embargo también ellos son objeto de amenazas y hostigamiento.

*-*

Envíe sus llamamientos a:

Lic. Felipe de Jesús Calderón Hinojosa

Presidente de la República

Residencia Oficial de los Pinos

Casa Miguel Alemán

Col. San Miguel Chapultepec,

C.P. 11850, México DF

Tel: (52.55) 2789.1100 Fax: (52.55) 5277.2376 Correo: felipe.calderon@presidencia.gob.mx

Lic. José Francisco Blake Mora

Secretario de Gobernación

Bucareli 99, 1er. Piso, Col. Juárez,

Del. Cuauhtémoc,

C.P. 06600 México D.F.
Fax: (52.55) 50933414; Correo: secretario@segob.gob.mx, contacto@segob.gob.mx

Lic. Juan José Sabines Guerrero

Gobernador Constitucional del Estado de Chiapas

Palacio de Gobierno del Estado de Chiapas, 1er Piso
Av. Central y Primera Oriente, Colonia Centro, C.P. 29009
Tuxtla Gutiérrez, Chiapas, México

Fax: +52 961 61 88088 – + 52 961 6188056

Extensión 21120. 21122; Correo: secparticular@chiapas.gob.mx

Dr. Noé Castañón León

Secretario General de Gobierno del Estado de Chiapas

Palacio de Gobierno del Estado de Chiapas, 2do Piso

Av. Central y Primera Oriente, Colonia Centro, C.P. 29009

Tuxtla Gutiérrez, Chiapas, México
Conmutador: + 52 (961) 61 2-90-47, 61 8-74-60
Extensión: 20003; Correo: secretario@secgobierno.chiapas.gob.mx

Lic. Raciel López Salazar

Procuraduría General de Justicia de Chiapas

Libramiento Norte Y Rosa Del Oriente, No. 2010, Col. El Bosque

C.P. 29049 Tuxtla Gutiérrez, Chiapas

Conmutador: 01 (961) 6-17-23-00. Teléfono: + 52 (961) 61 6-53-74, 61 6-53-76, 61 6-57-24,

61 6-34-50

Correo: raciel.lopez@pgje.chiapas.gob.mx

Dr. Santiago Canton

Comisión Interamericana de Derechos Humanos
1889 F Street, NW
Washington, D.C. 20006
USA

Fax 1-202-458-3992

Enviar copia a:

Centro de Derechos Humanos Fray Bartolomé de Las Casas, A.C.

Calle Brasil 14, Barrio Méxicanos,

29240 San Cristóbal de Las Casas, Chiapas, México

Tel: 967 6787395, 967 6787396, Fax: 967 6783548

Correo: accionurgente@frayba.org.mx

Wednesday, June 22, 2011

DA VIOLÊNCIA


Pero ¿quiénes son los violentos?

Se está hablando mucho de que si alrededor del 15-M hay actos de violencia o no. Están hablando mucho de esto el gobierno y los medios de comunicación oficialistas, claro, y no es por casualidad. Cuanto más se hable de este asunto de la “posible” violencia del 15-M, menos se hablará de los contenidos de las protestas, de las reivindicaciones concretas del movimiento 15-M. Los gobernantes y poderosos se limitan a no escuchar, a escuchar pero no hacer caso o, directamente, a amenazar con la “firmeza policial si hubiera actos de violencia”. Además, la TVE ya no tiene vergüenza en decir que la policía se está infiltrando en las manifestaciones para “garantizar el orden”…


El gobierno no solo no toma nota de lo que la gente está diciendo en la calle, sino que la gente de la calle recibimos, una vez y otra, amenazas directas o amenazas veladas por parte del gobierno y del partido de la oposición. Es la técnica, ancestral, del miedo: si creamos un clima de inseguridad, actos de violencia, etc., la gente dejará de apoyar al 15-M. Pero, oh sorpresa, la gente tiene plena conciencia de la debilidad de esta vieja estrategia gubernamental y acaba de salir a la calle, por centenares de miles, sin el más mínimo incidente. Frente al único argumento del gobierno (la cachiporra), un civismo absoluto. ¿Y ahora qué?.


Pues ahora queda de manifiesto que la violencia no surge del pueblo que exige democracia y dignidad, sino de un sistema que ha creado graves situaciones de injusticia, es decir, de violencia social. La violencia social, la violencia social grave, viene de arriba, planificada y fríamente.


En mi opinión, desde los tres ámbitos de la espiritualidad, la ética y la conciencia política, pienso que toda la sociedad está ahora en su derecho de desobedecer las leyes injustas que generan, de forma tan clara, tanta opresión y violencia social. Son los de arriba los que están quebrando el sistema, dictando leyes antisociales y creyendo, encima, que los de abajo nos limitaremos a padecer y callar.

"Ni cara A, ni cara B, queremos cambiar de disco". El 15-M no es sólo una protesta, un simple desahogo de unos cuantos jóvenes sin trabajo; el 15-M es una exigencia profunda de cambios sociales inmediatos y estructurales. La clase política hace mal, muy mal, en no querer entender el alcance de este movimiento... porque esto es lo primero que ha hecho el 15-M: poner en entredicho la complicidad de la clase política con la violencia estructural de “los mercados”.

(http:/noviolencia62.blogspot.com)

Thursday, June 16, 2011

O MAU RAPAZ


Para quê trabalhar se a revolução se faz em Atenas e Barcelona? Para quê preocupações com o dinheiro se os multibancos ardem em Portugal? Para quê ter as conversas da rotina e da vidinha se os tsunamis devoram a terra no Japão? Para quê ser um cidadão bem-comportado e cumpridor se vem aí a grande explosão? Para quê seres quem tens sido, para quê seres quem tens sido, para quê seres amável, se a guerra está aí? Quem és tu, quem sou eu, com o mundo a arder? Para quê morrer se podes nascer? Porque é que continuas a ouvir e a tomar nota da conversa dos imbecis? Quem és tu, quem sou eu, no novo mundo, no novo homem? Até onde vais, até onde serás capaz de ir, quando nada há a perder? Porque não voltas a levantar a voz? Só tens que ter medo dos leões e dos pitbulls, mais nada. De resto, és rei nesta terra inóspita. Alguns saúdam-te. Apesar de tudo, ainda amas o homem. És louco. É isso que te tem mantido aqui. Vá lá que ainda te podes agarrar à caneta. A caneta é a tua salvação. Tem sido, particularmente ao longo dos últimos anos. De qualquer forma, o que estás a escrever agora é uma bomba, não é para mostrar a toda a gente. Fartas-te de poetas menores. A gaja está operacional para a revolução. Os negócios do mundo começam a dizer-te respeito, ó poeta. És do mundo e destróis o mundo. ÉS do mundo e crias o mundo. Não és, definitivamente, do trabalhinho e do empreguinho. Normalmente és bom mas, em certos casos, certas noites, tornas-te mau, filho de Satã, absolutamente maléfico. Escreves, pois é isso que sabes fazer. Vives porque não suportas mais estar morto. Estás claramente acima desses macacos escrevinhadores. Estás ao nível dos maiores. Agora sabe-lo. Agora és definitivamente tu. Definitivamente não, pois ainda há umas mutações por que tens de passar. Mas, não há dúvida, o ouro começa a cair do céu. És quem vem. És todos os filósofos. Aquele a quem os apóstolos abandonaram. És o rei destas paragens. ÉS o mundo que vai ao fundo e que se levanta. és o amaldiçoado que encanta. És o mau rapaz. És aquele que faz.

Wednesday, June 15, 2011

DIÁRIO LIBERDADE


Europa tornou-se sistema de partido único

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Batalha de ideias
Quinta, 16 Junho 2011 00:46

O Diário - [Cláudia Antunes] Entrevista com István Mészáros: A actual crise do capitalismo enterrou os resquícios de diferença entre social-democratas e conservadores na Europa. Vale para o continente a frase que o escritor Gore Vidal cunhou para caracterizar os EUA: é um sistema de um só partido com duas alas direitistas.


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FOLHA - A resposta dos social-democratas à crise foi voltar às ideias de John Maynard Keynes sobre intervenção estatal, enquanto governos de esquerda na América Latina reforçaram o papel do Estado no desenvolvimento. Eles estão certos?

ISTVÁN MÉSZÁROS - Governos social-democratas sempre tentam voltar a Keynes para solucionar o que acreditam ser crises financeiras. Isso pode trazer alívio temporário, mas não uma solução real. Isso porque as chamadas crises financeiras são também sociais, com extensas ramificações, especialmente sob as actuais condições de desenvolvimento socioeconómico global.

Nas últimas décadas nós assistimos a uma significativa –e também perigosa– virada em favor do domínio económico-financeiro, como uma alternativa em última instância inalcançável ao desenvolvimento produtivo, muitas vezes com consequências incontroláveis ou até mesmo fraudulentas, mesmo quando sancionadas pelo Estado. Em muitos países o resultado foi e continua sendo a falência maciça, seguida de resgates feitos pelo Estado, que mergulha mais e mais no chamado "endividamento soberano".

Na Europa três países estão obviamente falidos –Grécia, Irlanda e Portugal–, enquanto vários outros, incluindo economias maiores como a Itália e o Reino Unido, não estão muito longe disso. É verdade que "Estados soberanos" podem intervir para se proteger, por meio do agravamento de seu próprio endividamento. Mas também há um limite para isso, e ir além pode gerar problemas ainda piores. A dura verdade é que agora nós ultrapassamos as mais optimistas recomendações keynesianas: em vários países o volume de dívida insustentável chegou aos trilhões de dólares.

FOLHA - Como o sr. interpreta o predomínio de governos de direita hoje na Europa, incluindo uma forma bem extremada na Hungria?

MÉSZÁROS - Esses problemas são em grande medida cíclicos, e no próximo ciclo os governos podem ir para a outra direcção. Mas o aspecto mais importante dessa questão é o tipo de desenvolvimento político-institucional a que estamos assistindo nas últimas duas décadas ou mais. O escritor americano Gore Vidal o caracterizou bem quando disse que nos Estados Unidos temos "um sistema de partido único com duas alas direitistas". O mesmo é verdade na maioria dos países europeus. É suficiente lembrar que tanto na França quanto na Itália os antigos partidos comunistas se transformaram em forças políticas muito difíceis de distinguir de seus oponentes neoliberais.

Claro que na Hungria a mudança no Parlamento assumiu uma forma chocante [dois terços das cadeiras estão na mão do ultraconservador Fidesz]. No entanto, é necessário lembrar que o partido que o antecedeu por oito longos anos no governo [nominalmente social-democrata] esteve muito longe de ser um partido de esquerda, com sua devoção a impor aos trabalhadores as políticas neoliberais mais dolorosas, disseminando o ressentimento e a alienação.

Se quisermos superar a paralisia do "sistema de partido único com duas alas direitistas", é preciso mudar o processo de tomada de decisões políticas. Na Grécia e na Espanha, por exemplo, temos supostamente governos "socialistas", mas nada que devamos comemorar. E na Inglaterra, na próxima eleição, devemos ver o retorno de outro governo "socialista". À luz da experiência passada, quem seria corajoso o suficiente para sustentar que um governo do "Novo Trabalhismo" representaria mais do que uma mudança cosmética?

FOLHA - O sr. está optimista com as últimas manifestações populares na Espanha e na Grécia?

MÉSZÁROS - A palavra optimista não cabe muito bem. Não penso nesses termos porque sei que muita coisa pode dar errado e, como resultado, muitas vezes os mais vulneráveis e fracos têm que arcar com o maior peso. No entanto, estou certamente esperançoso, e reconheço que é preciso encontrar esperança, do contrário seria apenas um "pensamento positivo" que se extinguiria numa ilusão derrotista.

De fato, há uma boa base para estar convencido de que nem a Grécia nem a Espanha podem se conformar com os requerimentos prescritos a elas pelo sistema bancário internacional. Também nesse aspecto há um limite. É de fato muito irónico que nesses dois países a tarefa de impor um arrocho cada vez maior aos trabalhadores tenha sido passada a um governo "socialista" e assumida por ele.

Inevitavelmente, essa circunstância carrega com ela um processo de aprendizado penoso e o necessário reexame das respostas institucionais tradicionais dadas à pergunta "o que fazer?". Seria ingénuo pensar que esse aprendizado pudesse trazer resultados rápidos. No entanto, a dimensão positiva de tudo isso é que grupos cada vez maiores de trabalhadores se vêem diante do desafio inevitável de reavaliar tantos as formas de tomada de decisão com que se acostumaram no passado quanto as respostas a ela. Seria arrogante presumir que nada de significativo possa emergir desse processo.

FOLHA - Qual será sua principal mensagem aos universitários que o ouvirão no Brasil?

MÉSZÁROS - Em certo sentido é muito simples. Quero chamar sua atenção para a natureza da crise de nosso tempo e a necessidade de lidar com ela o mais rápido possível. Porque o que devemos encarar não é a crise cíclica tradicional do capitalismo, que vai e vem em intervalos regulares, mas algo radicalmente diferente. É a crise estrutural global do sistema do capital em sua integralidade, que não pode ser conceituada nos termos habituais da "longa onda descendente" (downturn) seguida da confortadora "longa onda ascendente" (upturn), dentro de um período de mais ou menos cinco décadas. Há muito tempo essa caracterização perdeu credibilidade e não há nenhum sinal da fictícia "longa onda ascendente".

A razão pela qual é importante reposicionar nossa atenção nessa direcção é porque uma crise estrutural requer remédios estruturais radicais para sua solução. O que está em jogo é muito grande porque nossa crise estrutural está se tornando mais profunda, em vez de diminuir. A crise financeira global a que fomos submetidos nos últimos anos é um aspecto importante disso, mas só um aspecto. Não há lugar para a auto complacência quando trilhões de dólares jogados fora mal puderam arranhar a superfície do problema real.

FOLHA - O sr. previu uma confrontação entre os EUA e a China. Também sugeriu que a China não pode ser classificada como um país capitalista. Ainda pensa assim?

MÉSZÁROS - Sim, nos dois casos, mesmo se desde que eu escrevi isso, há 12 anos, muitas coisas mudaram e devem continuar mudando. O principal ponto é a diferença dramática no nível de desenvolvimento económico dos dois países, com sinais de conflitos de interesse significativos decorrentes desse fato surgindo em partes diferentes do planeta, incluindo a África e a América Latina.

Considerar a China simplesmente como um país capitalista é simplista demais. O facto é que alguns sectores vitais da economia, especialmente na produção de energia e na extracção de material estratégico, estão em grande medida sob o controle do sector estatal. Além disso, e isso é um fato de importância seminal, o sector bancário e o câmbio - questão muito debatida e ressentida pelos EUA - estão sob controlo estatal completo. Tente convencer as empresas capitalistas e o sistema bancário nos EUA a imitar isso.

Conflitos de interesse nessas linhas podem não apenas se intensificar como se tornar não administráveis, ao ponto da explosão. Mas claro que seria loucura pensar nisso em termos de fatalidade. No entanto, muitos problemas herdados do passado terão que ser confrontados no tempo certo para resolver as contradições subjacentes.

FOLHA - O sr. disse uma vez que "revoluções reverberam por séculos, até que suas causas profundas sejam resolvidas". O sr. vê alguma reverberação de revoluções passadas nas revoltas que ocorrem nos países árabes?

MÉSZÁROS - Sem dúvida podemos ouvir potentes reverberações, ao lado dos temas prementes às populações dos países em questão. É quase impensável que o chamado "Estado pós-colonial" de dominação e dependência da segunda metade do século 20 pudesse ser mantido permanentemente nesses países. E claro que estamos muito longe do fim desse processo doloroso.

Também não podemos nos esquecer que a grande maioria das pessoas nos países afitados tem o problema básico de se alimentar, problema que está se agravando com o aumento do preço dos alimentos em todo o mundo.

Além disso, quando o presidente Obama (ou os redactores de seus discursos) fala das virtudes da "democracia", eles falham em reconhecer que o governo criminalmente repressivo do presidente egípcio Hosni Mubarak, que deve ser julgado em Agosto, esteve em total subserviência em relação aos EUA por três décadas. Isso sem mencionar a ausência total de qualquer referência crítica à Arábia Saudita, que é feudal, mas lucrativa militarmente.

As reverberações que ouvimos devem continuar e se tornar mais altas, porque têm uma base causal e uma realidade irreprimível.


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E ELA VEM...


O país enfrenta a terceira greve geral de 24 horas, neste ano.


Os comboios e navios estão parados. Os bancos, os ministérios, os serviços públicos, as creches e as empresas estão fechados esta quarta-feira.


Os trabalhadores gregos manifestam-se nas ruas, a esta greve juntam-se os protestos do movimento dos "indignados" grego que estão há já 21 dias acampados na Praça Syntagma.

O valor do último pacote de austeridade é de 78 mil milhões de euros e com ele haverá mais privatizações, cortes salariais, autênticos roubos nos salários, o encerramento de empresas públicas com a previsão em massa de despedimentos e aumentos de impostos.


No dia em que o parlamento grego deverá votar um novo pacote de medidas de austeridade, (existem ratos que querem abandonar o navio…) manifestantes atiraram bombas de gasolina contra os edifícios que integram o Ministério das Finanças da Grécia, na Praça Syntagma, em Atenas.

http://lutapopularonline.blogspot.com

Friday, June 10, 2011

A QUEDA DO IMPÉRIO


10 Junho 2011A queda do império, e o que falta fazer

Sócrates, finalmente, caiu. Não com o desequilíbrio de uma cadeira velha, mas com o estrondo repetido de telepontos e portas que não aguentam a dose de hipocrisia que sobre eles se abate. E nem mesmo após a queda soube assumir responsabilidades, antes tendo sido vergado pela força das evidências, mesmo quando tudo fez para as negar.

Conduziu, sozinho, o país à situação de mão estendida em que se encontra, antes mesmo de qualquer crise internacional, como o demonstram os indicadores económicos da própria agencia nacional de estatisticas, mesmo que vertendo a conta-gotas dados "pouco simpáticos" quase sempre APÓS eleições.


Cereja no topo do bolo, depois de ter dito que nunca seria candidato com o FMI o país, nem isso cumpriu. Típico de pessoa que nunca soube desenvolver qualquer sentido auto-crítico, ou ser suficientemente humilde para assumir os seus próprios erros. Sócrates não "se demitiu": foi demitido pela História, e por milhares de portugueses fartos da vergonha em que a sua conduta se tornou. Não "abriu portas", foi lançado através delas para fora do cargo. Não é bem a mesma coisa. Se vamos debater eufemismos, ao menos que sejam honestos e inteligentes.


Numa altura em que se criticam os "ismos" do BE - que, pelo menos, são transparentes, e criticas precisamente por o serem - o mesmo não pode dizer-se dos unanimismos artificiais do PS, com saneamento de candidatos próximos da oposição (muitos dos apoiantes de Seguro nem nas listas estiveram), com "militantes" que apupam jornalistas para que não façam perguntas incómodas, com militantes que empurram a dissonância para fora de restaurantes, com jornalistas que são despedidos por se recusarem a inventar notícias a pedido de consultores próximos do PS, entre outros "ismos" que, por educação, não reproduzo. Com "esse" tipo de ismos o BE tem, ainda, muito a "aprender".


Sobre "democracia interna" no "reinado" de Sócrates muito haveria a dizer, mas não quero dar tempo de antena a mortos. Já sobra demasiada antena nos principais media para cada suspiro vindo dos partidos ao centro, e merecerem também tempo do meu seria, a todos os níveis, um despropósito. Direi apenas que "a ilusão da democracia" e a "decisão do colectivo" com que por vezes se veste o PS lembram, sobretudo, as candidaturas que à direcção do PS nunca existem, por razões que todos conhecemos, e que apenas alguns socialistas tiveram a ousadia de revelar. Até ministros com mais humildade que JS são estrategicamente apagados das fotos no site do partido em que ambos apareciam. Curiosa democracia. Curiosa forma de "assumir".


Nunca a inteligência e a consequência estiveram tão divorciadas como nos partidos catch-all que temos em Portugal. A esse título, aliás, bastaria comparar o CV, por exemplo, de Francisco Louçã, com cujas palavras concordo amiúde, mas cuja conduta interna raramente subscrevo: não se é premiado academicamente, não se é publicado cientificamente fora do país por amiguismos a la Armando Vara. Só mesmo num partido podre, no qual a meritocracia se exibe na parede sem se praticar, se poderia criticar o mérito intelectual alheio quando tão fino é o vidro do telhado próprio. FL não terminou graus académicos ao fim-de-semana, nem enviou trabalhos por fax. Sobre isso, aliás, o perfil das lideranças socialistas é tão absolutamente falho de competencia tecnica que chega a ser risível ter de debate-lo.


Em jeito de resposta a quem considera que o PS é uma escolha errada de alvo para o BE, é precisamente por todas as razões que apontei, e que qualquer pessoa com memória e sentido crítico desmontaria, que o PS é um excelente alvo para qualquer partido digno, com pessoas a quem ambos os olhos ainda ajudam a ver. Porque se tornou um saco de gatos hipócrita, que mantém uma espécie de verniz finissimo de pseudo-aristocracia, que passeia a nudez das suas ideias na esperança de que ninguém a aponte, e que se tornou com o seu último líder uma anedota política de que a História se encarregará de manter registo, mesmo tendo em conta o recorde que o sr "6x3, é só fazer as contas" deixou a esse respeito. É por ter os telhados de vidro que tem, e por ainda assim ter o descaramento de se chamar "socialista" e de tratar os seus por "camaradas" que tem de ser o alvo, não apenas do BE, mas de todas as pessoas no mundo que têm nos valores da esquerda a sua praia. Chega de fraudes e de embustes.

http://pedropereiraneto.blogspot.com

Tuesday, June 07, 2011

ATÉ ÀS PRÓXIMAS


VENHAM AS PRÓXIMAS


António Pedro Ribeiro



Sócrates caiu, finalmente. Chegaram ao fim seis anos de mentira, arrogância e incompetência absoluta. A vitória de Passos Coelho e Paulo Portas é sobretudo a derrota de Sócrates. O PCP de Jerónimo resiste e reforça-se com o deputado do Algarve. O Bloco afunda-se e volta a ser o que realmente é- uma federação de tendências- a UDP de Fazenda, o PSR de Louçã, a Política XXI de Miguel Portas, a Ruptura/FER de Gil Garcia e outras. Ou seja, vai desde a social-democracia ao trotskismo puro e duro. Entendei-vos, camaradas, ou então separai-vos de uma vez por todas. O PCTP/MRPP ultrapassa a barreira mítica do 1%, tal como o Partido dos Animais e da Natureza (PAN), e mantém-se como sexta força política nacional, ficando perto de eleger Garcia Pereira. Aliás, se os principais partidos tivessem comparecido ao debate com Garcia (como foi determinado pelos tribunais), certamente que este teria sido eleito. O Coelho da Madeira passou de quase 40% na ilha e 4,5% no país nas presidenciais à patetice absoluta. Por isso desaparece. E bem. O MEP do queque cristão Rui Marques foi à vida.



Esta foi também a campanha do insulto primário, a mais baixa de sempre. PS e PSD não tiveram pejo algum em usar palavrões como “Saddam Hussein”, “Adolf Hitler” ou pura e simplesmente “pateta” para insultar o adversário. De resto, a “troika”- FMI, Banco Central Europeu, Comissão Europeia- mantém-se aqui a controlar o país e aí nada muda. Os temas financeiros, a TSU e as outras taxas, ou seja, a linguagem assexuada ao serviço dos mercados e dos banqueiros que quase ninguém entende dominaram a campanha. A própria esquerda parlamentar- PCP e BE- não é capaz de ir muito além do discurso economicista, não pondo em causa o capitalismo no seu todo. Como diziam os situacionistas, além do risco de morrer de fome (cada vez mais real), há o risco de morrer de tédio. O tédio é consequência directa de um sistema brutal e inumano que (quase) tudo castra. É a morte em vida que inclui o aumento galopante das situações de depressão, bem como o avanço das tentativas de suicídio e de suicídio, sobretudo no Alentejo. Quase ninguém nesta campanha foi capaz de se referir aos problemas existenciais do “mal de vivre”, à dramática questão da solidão. Os políticos do sistema nem sequer vivem, estão fora da vida, como dizem Miller, Morrison e Nietzsche, quase se limitando a vomitar percentagens e estatísticas. Jamais questionarão o homem de Homero, de Sócrates (esse mesmo, o grego, o outro está moribundo…), de Pessoa, de Shakespeare, de Marx, de Bakunine. São seres absolutamente limitados.



Por sua vez, o cidadão comum, na sua maioria, vota nesses partidos, está de tal forma dominado pelas tricas televisivas e pela máquina que perdeu toda a capacidade de reacção e de reivindicação. É escravizado pelo trabalho (quando o tem…), pelos mercados e pelos poderes vários. Compete às minorias conscientes mudar este estado de coisas. Há sinais que vêm de fora, da Grécia, de Espanha, da Islândia, do Egipto, da Tunísia, do Iémen, da Síria. Há também (ou havia) os acampados, os “indignados” da Batalha, do Rossio, de Barcelos, de Faro, de Coimbra. Os tempos estão a mudar, cantava Bob Dylan. É preciso tomar consciência do novo mundo, do novo homem, da era do espírito que preconizava Agostinho da Silva. Por todo o lado, os velhos valores começam a entrar em decadência. Um novo espectro se levanta, meu caro Marx. Transmutação de todos os valores, meu caro Nietzsche. Estas eleições pouco ou nada resolveram. Venham as próximas…

Monday, June 06, 2011

OS MONÓLOGOS DA VAGINA


jun
06
2011

Cafetería Comandanta Ramona invita a la obra de teatro “Los Monólogos de la Vagina”. Sábado 18 de junio.

EZLN