Os suspeitos, Abílio Nova e António Pedro Ribeiro foram, este mês, constituídos arguidos com termo de identidade e residência, no seguimento do despacho de 25 de Outubro passado, emitido pelo juiz de instrução criminal Pedro Miguel Vieira, do Tribunal Judicial da Póvoa de Varzim a que este jornal teve acesso.
O blogue povoaonline, que actuou sempre sob anonimato, foi entre os anos de 2005 e 2008, um difusor de informações e textos, no qual eram de forma sarcástica, caricaturados políticos, jornalistas, presidentes de instituições, associações e figuras públicas da sociedade poveira.
Em 2008, e por determinação do tribunal, o blogue foi encerrado após queixa judicial contra o mesmo, por parte do presidente da câmara, Macedo Vieira e do vice-presidente, Aires Pereira. No entanto, o blogue foi substituído por um novo - povoaoffline - que mereceu igual destino por ordem do tribunal.
Na altura, o encerramento do povoaonline conseguiu um enorme destaque na imprensa nacional, sendo referenciado como um contrapoder à autarquia local.
A determinação pelo tribunal da Póvoa, da constituição de arguidos enquanto suspeitos no processo, de Abílio Nova e António Pedro Ribeiro confirmou-se agora, após muitas dúvidas existentes na cidade, de quem actuaria desta forma e na Internet sob o anonimato.
O que foi escrito
Um tribunal ordenou o encerramento do blogue http://povoaonline.blogspot.com . Entretanto os mesmos autores criaram o blogue http://povoaoffline.blogspot.com .
Que poderá fazer a justiça?
Pela primeira vez em Portugal um blogue foi suspenso na sequência de uma decisão de um tribunal. O blogue Póvoa Online era acusado pelo presidente e vice-presidente da Câmara da Póvoa do Varzim, Macedo Vieira e Aires Pereira, de os difamar.
Segundo a edição de hoje do jornal "Público", a Ordem das Varas Cíveis de Lisboa emitida a 13 de Maio determinava que a Google tinha de impedir de imediato o acesso ao blogue, o que só ocorreu na sexta-feira.
A decisão do tribunal foi colocada na Internet no dia seguinte, no novo site Póvoa Offline, por Tony Vieira, pseudónimo do autor ou autores do blogue.
O Póvoa Online, que existia desde 2005, considerava que "Actualmente (a Póvoa de Varzim) apenas oferece lixo, areia da praia contaminada e um mar poluído, tudo supervisionado por autarcas agarrados ao poder e sustentados por uma teia de corrupção que corrói toda a gestão municipal. Vingou a lei do cimento".
O tribunal considerou que "a maior parte do conteúdo do blogue" consistia em "artigos de opinião" e que os autores criticavam Macedo Vieira e Aires Pereira, não apenas como presidente e vice-presidente da Câmara, mas também como "cidadãos, pais, familiares e amigos".
A sentença considerou também que diversos textos do Póvoa Online não eram feitos como "uma critica construtiva, baseada em factos provados, concretos e objectivos, mas com o objectivo de difundir, junto do público, de forma gratuita, a ideia de que os requerente são corruptos e corruptíveis".
Thursday, December 02, 2010
Monday, November 29, 2010
MANIPULAÇÃO MEDIÁTICA
Chomsky e as 10 Estratégias de Manipulação Mediática
O linguista americano Noam Chomsky elaborou a lista das "10 estratégias de manipulação" através da comunicação social:
1- A ESTRATÉGIA DA DISTRACÇÃO.
O elemento primordial do controle social é a estratégia da distracção que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e económicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distracções e de informações insignificantes.
A estratégia da distracção é igualmente indispensável para impedir o povo de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área das ciências, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. "Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à quinta como os outros animais (citação do texto 'Armas silenciosas para guerras tranquilas')".
2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES.
Este método também é chamado "problema-reacção-solução". Cria-se um problema, uma "situação" prevista para causar certa reacção no público, a fim de que este tenha a percepção que participou nas medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público exija novas leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou ainda: criar uma crise económica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.
3- A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO.
Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradualmente, a conta-gotas, durante anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconómicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários baixíssimos, tantas mudanças que teriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.
4- A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO.
Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo "dolorosa e necessária", obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é aplicado imediatamente. Segundo, porque o público - a massa - tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que "tudo irá melhorar amanhã" e que o sacrifício exigido poderá vir a ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se à ideia da mudança e de aceitá-la com resignação quando chegar o momento.
5- DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO SE DE CRIANÇAS SE TRATASSEM
A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entoação particularmente infantis, muitas vezes próximos da debilidade mental, como se cada espectador fosse uma criança de idade reduzida ou um deficiente mental. Quanto mais se pretende enganar ao espectador, mais se tende a adoptar um tom infantilizante. Porquê? "Se você se dirigir a uma pessoa como se ela tivesse 12 anos ou menos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa probabilidade, a dar uma resposta ou reacção também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade (ver "Armas silenciosas para guerras tranquilas")".
6- UTILIZAR MUITO MAIS O ASPECTO EMOCIONAL DO QUE A REFLEXÃO.
Fazer uso do discurso emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e pôr fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registo emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para incutir ideias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos...
7- MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE.
Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para o seu controle e escravidão. "A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores e as classes sociais superiores seja e permaneça impossível de eliminar (ver 'Armas silenciosas para guerras tranquilas')".
8- ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE.
Promover no público a ideia de que é moda o facto de se ser estúpido, vulgar e inculto...
9- REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE.
Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência da sua inteligência, de suas capacidades, ou do seu esforço. Assim, ao invés de revoltar-se contra o sistema económico, o indivíduo autocritica-se e culpabiliza-se, o que gera um estado depressivo, do qual um dos seus efeitosmais comuns, é a inibição da acção. E, sem acção, não há revolução!
10- CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM.
No decorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado um crescente afastamento entre os conhecimentos do público e os possuídos e utilizados pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o "sistema" tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos sobre si próprios.
O linguista americano Noam Chomsky elaborou a lista das "10 estratégias de manipulação" através da comunicação social:
1- A ESTRATÉGIA DA DISTRACÇÃO.
O elemento primordial do controle social é a estratégia da distracção que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e económicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distracções e de informações insignificantes.
A estratégia da distracção é igualmente indispensável para impedir o povo de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área das ciências, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. "Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à quinta como os outros animais (citação do texto 'Armas silenciosas para guerras tranquilas')".
2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES.
Este método também é chamado "problema-reacção-solução". Cria-se um problema, uma "situação" prevista para causar certa reacção no público, a fim de que este tenha a percepção que participou nas medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público exija novas leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou ainda: criar uma crise económica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.
3- A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO.
Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradualmente, a conta-gotas, durante anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconómicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários baixíssimos, tantas mudanças que teriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.
4- A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO.
Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo "dolorosa e necessária", obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é aplicado imediatamente. Segundo, porque o público - a massa - tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que "tudo irá melhorar amanhã" e que o sacrifício exigido poderá vir a ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se à ideia da mudança e de aceitá-la com resignação quando chegar o momento.
5- DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO SE DE CRIANÇAS SE TRATASSEM
A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entoação particularmente infantis, muitas vezes próximos da debilidade mental, como se cada espectador fosse uma criança de idade reduzida ou um deficiente mental. Quanto mais se pretende enganar ao espectador, mais se tende a adoptar um tom infantilizante. Porquê? "Se você se dirigir a uma pessoa como se ela tivesse 12 anos ou menos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa probabilidade, a dar uma resposta ou reacção também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade (ver "Armas silenciosas para guerras tranquilas")".
6- UTILIZAR MUITO MAIS O ASPECTO EMOCIONAL DO QUE A REFLEXÃO.
Fazer uso do discurso emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e pôr fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registo emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para incutir ideias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos...
7- MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE.
Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para o seu controle e escravidão. "A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores e as classes sociais superiores seja e permaneça impossível de eliminar (ver 'Armas silenciosas para guerras tranquilas')".
8- ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE.
Promover no público a ideia de que é moda o facto de se ser estúpido, vulgar e inculto...
9- REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE.
Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência da sua inteligência, de suas capacidades, ou do seu esforço. Assim, ao invés de revoltar-se contra o sistema económico, o indivíduo autocritica-se e culpabiliza-se, o que gera um estado depressivo, do qual um dos seus efeitosmais comuns, é a inibição da acção. E, sem acção, não há revolução!
10- CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM.
No decorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado um crescente afastamento entre os conhecimentos do público e os possuídos e utilizados pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o "sistema" tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos sobre si próprios.
Tuesday, November 23, 2010
ANIMAL DE PALCO

ANIMAL DE PALCO
A Susana diz que sou um animal de palco. Ontem fui, de facto, um animal de palco. As pessoas vinham falar comigo espontaneamente, felicitavam-me pela minha performance. Não, não são só os meus tectos que digo bem. Há outros textos com que me identifico, com que me solto. Sou fundamentalmente um aedo mas não apenas um aedo. Só falta que me comecem a pagar regularmente por isso. Ontem estava triste, há dois dias que tinha estado entediado na aldeia mas, como a Susana disse, houve qualquer coisa que explodiu dentro de mim, levantei-me e vesti a pele do animal de palco. Aprendi com o Jim Morrison, com o Robert Plant, com o Joaquim Castro Caldas, com o Adolfo Luxúria Canibal, com o António Manuel Ribeiro. É esse em que me torno fora daqui, da confeitaria. Nem sempre o consigo ser mas ele vem, sobe ao palco. É insolente e maldito. Vive. Provoca. Desafia o tédio, os poderes, os mercados. Chama a mulher. É louco. Não tem limites. Nada tem a ver com o personagem pacato e bem-comportado que vem à confeitaria. É realmente outro. Não tem inibições, nem castrações, nem sequer tem os media espetados nos cornos. É Dionisos. Não é deste tempo e é deste tempo. Vai atrás da glória, do divino, do próprio Graal. Mas percorre a estrada do excesso em busca do palácio da sabedoria, como William Blake preconizava. Torna-se realmente noutro, talvez se torne naquele que efectivamente é, na esteira de Nietzsche. Depois abandona o palco e regressa ao cidadão aparentemente comum que lê jornais e vê TV, ao erudito que escreve e devora livros. É claro que no acto da escrita, por vezes, também se ultrapassa a si mesmo, até mesmo na leitura de determinados autores. Contudo, não se vai pôr aos berros na “Motina”, no “Piolho” ou na “Brasileira”. Nem se põe a recitar poemas em pleno café, a menos que isso estivesse previamente combinado. É evidente que nem sempre soube descer do palco, nem sempre soube despir a pele do animal de palco. Aconteceu, por exemplo, em Paredes de Coura 2006, depois duma actuação memorável com o Adolfo Luxúria Canibal e com o Isaque Ferreira. Era como se continuasse no palco, ouvia vozes, ouvia pessoas que se lhe dirigiam, pensava que estavam sempre a falar dele. Chegou a casa desfeito em lágrimas. Dias depois, estava a partir vidros em Vila do Conde. O poema “Paredes de Coura (Fodido dos Cornos)” relata-o. Eis o animal de palco- eis aquele que queres apanhar. O cabotino, feito Morrison, feito Dionisos, que dançava em tronco nu no “Clube 84” e que, por isso, foi agredido. O poeta que actuou no Campo Alegre, no Púcaros, no Pinguim, no Pátio, no Deslize, no Clube Literário. Aquele a quem chamaram infame, a quem chegaram a perguntar se seguia alguma regra. O palco, a ribalta, transformam-nos, fazem de nós outros homens, quiçá, o homem porque nos batemos, o homem que se ultrapassa, que se liberta: orgulhoso, egocêntrico, desafiante, amante, criador, vivo. O homem de que temos falado ao longo deste livro: o bailarino de Nietzsche.
A POLÍTICA E A VIDA
A POLÍTICA E A VIDA
Não podemos, de facto, separar a política da vida. A política tem de atender às flutuações do dia-a-dia, ao estar-se triste ou contente, deprimido ou eufórico. Tem de levar em conta aquilo que o homem é nas suas forças e fraquezas. Não pode ser um mero arrastar de “slogans” gastos e frases feitas. Nem sequer se pode reduzir a uma ideologia. A política só pode ter que ver com a vontade e com as profundezas do homem.
Não podemos, de facto, separar a política da vida. A política tem de atender às flutuações do dia-a-dia, ao estar-se triste ou contente, deprimido ou eufórico. Tem de levar em conta aquilo que o homem é nas suas forças e fraquezas. Não pode ser um mero arrastar de “slogans” gastos e frases feitas. Nem sequer se pode reduzir a uma ideologia. A política só pode ter que ver com a vontade e com as profundezas do homem.
Monday, November 22, 2010
GREVE GERAL

Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses (PCTP/MRPP)
POR UMA FORTE GREVE GERAL NACIONAL!
PELO DERRUBE DO GOVERNO SÓCRATES!
Em consequência de uma profunda crise do sistema capitalista, os trabalhadores portugueses estão a ser sujeitos a um ataque de grandes dimensões por parte do Governo de Sócrates que, à custa de uma exploração selvática de quem vive da venda da sua força de trabalho, pretende assim salvar aquele sistema.
É neste contexto que, em resposta àquela ofensiva e contando com um vasto apoio, tanto dos operários e trabalhadores portugueses como dos seus irmãos de classe europeus, se irá realizar a greve geral nacional do próximo dia 24 de Novembro.
Mas para que se possa estabelecer uma firme e verdadeira unidade de princípio na condução vitoriosa desta greve geral, bem como de todos os movimentos contra as politicas de austeridade, é indispensável que se adopte para esta luta uma estratégia revolucionária.
Cá e no resto da Europa, forjada pelos ideólogos da classe dominante, pelo poder político e pela comunicação social, campeia uma teoria que pretende impor a despolitização da crise actual: as medidas de restrição e austeridade orçamental adoptadas pelos governos, com o apoio directo ou indirecto de todos os partidos parlamentares e do arco do poder, são apresentadas como uma resposta técnica a imperativos financeiros, e não como aquilo que efectivamente são: uma resposta política da classe dos exploradores contra os explorados. Se queres uma boa economia, aperta o cinto!
Esta teoria, que volteia o estandarte da ciência e da técnica económicas para ocultar a estratégia política da burguesia, escamoteia o facto de que os enormes défices orçamentais existentes nas contas públicas, de par com o aumento galopante e incontrolado da dívida soberana, resultam fundamentalmente dos milhares de milhões de euros que foram engolidos pelos bancos e instituições financeiras falidas durante a crise financeira internacional que explodiu em 2008.
No caso português, a explosão do défice orçamental e da dívida soberana ficou essencialmente a dever-se à nacionalização das falências da Sociedade Lusa de Negócios (SLN), do Banco Português de Negócios (BPN) e do Banco Privado Português (BPP), todos eles instituições fundadas e geridas pela camarilha cavaquista.
O défice orçamental e a dívida soberana resultantes das nacionalizações das empresas fraudulentamente falidas não são da responsabilidade do povo português, nem têm que ser pagos por meio de restrições orçamentais impostas ao povo português.
O povo português deve pura e simplesmente repudiar essa dívida!
A dívida directa total do Estado alcançou já os 152 mil milhões de euros, o que dá mais de 15.000€ a cada português. Às taxas de crescimento actuais, esta dívida é absolutamente insustentável: só no primeiro trimestre do próximo ano, haverá 20 mil milhões de euros de dívida soberana para pagar. E, em 2011, só em juros, Portugal terá de pagar 6,3 mil milhões de euros, mais do que aquilo que gasta com a educação.
Os credores da dívida e os beneficiários dos juros são a Banca internacional, sobretudo alemã e francesa. A dívida é, pois, o instrumento pelo qual a União Europeia explora e oprime o povo português. O povo português está assim condenado a trabalhar até à eternidade para pagar os juros e saldar uma dívida que nunca contraiu e que todos os dias cresce exponencialmente.
É, pois, política, e não técnica, a crise que vivemos.
Para além daquela teoria reaccionária, surge uma outra teoria oportunista, defendida pelas direcções sindicais e pelos partidos de esquerda parlamentar, para os quais as medidas de austeridade impostas pelo poder constituem uma ferramenta para desmantelar o Estado social. E, de acordo com esta teoria, o papel da classe operária e dos demais trabalhadores seria o de unirem forças para salvar o Estado social.
É tão aberrante esta segunda teoria, como aberrante é a primeira. Com efeito, o chamado Estado social não é outra coisa senão uma ditadura da burguesia, como o era o chamado Estado popular, defendido pelos oportunistas nos tempos de Marx, Engels e Lenine.
A estratégia da esquerda indigente, no sentido de unir forças em defesa do Estado social só pode conduzir à derrota total do movimento operário e da revolução.
Face à profunda crise do sistema capitalista – que é a crise que estamos a viver presentemente – cumpre ao movimento operário e comunista recusar frontalmente essa ordem, assuma ela a forma do Estado social ou a teoria dos meios técnicos e científicos da economia burguesa para salvar a crise.
A ordem burguesa, posta a nu na actual crise, deve ser rejeitada e firmemente combatida!
A greve geral nacional do próximo dia 24 de Novembro deve propor-se derrubar essa ordem burguesa, derrubando desde já o governo que a corporiza – o governo do Sócrates!
É para derrubar o governo, primeiro passo no caminho do derrubamento do sistema capitalista em crise, que esta greve deve ser ferreamente organizada.
E, ao contrário do que alguns oportunistas se preparam para tentar fazer, esta greve geral não pode ficar por aqui nem levar à desmobilização geral no dia seguinte, mas antes abrir caminho à intensificação da luta dos operários e trabalhadores pelo seu objectivo político imediato, apoiando e fortalecendo os órgãos de direcção da greve que forem constituídos.
PELO REPÚDIO DA DÍVIDA PÚBLICA!
MORTE AO CAPITALISMO!
ABAIXO O GOVERNO DE SÓCRATES!
VIVA O GOVERNO DOS TRABALHADORES!
17 de Novembro de 2010
O Comité Central do PCTP/MRPP
www.pctpmrpp.org pctp@pctpmrpp.org
AFUNDEMOS O CAPITALISMO

Heróis” do mar…afundemos o capitalismo!
Irlanda conseguiu que o FMI os “ajudasse”…uma ajuda “desinteressada” sem dúvida…salvar o sistema financeiro que eles, os irlandeses tinham intervencionado um ano antes para…salvar estes mesmo bancos…onde é já vimos este filme? A resposta deve ter sido unânime…canalhas!
Os trabalhadores europeus têm mesmo de dar resposta definitiva a estes lacaios e seus salvadores, afundando-os em águas profundas, para que nos salvemos como classe de futuro.
Para podermos viver numa sociedade sem exploração e opressão, aniquilemos o capitalismo!
http://lutapopularonline.blogspot.com
CONTRA A NATO
[CAGA] A NATO passou por aqui
domingo, 21 novembro
As fontes do Rossio jorraram esta tarde litros de sangue. Sangue não era certamente, mas sim um inofensivo líquido vermelho que pretendeu simbolizar os milhões de litros de sangue que serão derramados na sequência dos agressivos planos de guerra assinados ontem em Lisboa.
A NATO passou por aqui. E assinou um novo conceito estratégico que legitíma as criminosas intervenções militares que têm ocorrido desde o fim da guerra-fria (como a invasão e declaração unilateral de guerra, no Afeganistão) e o aumento da corrida ao armamento, a militarização das nossas vidas.
O Rossio voltou a ser palco de uma acção contra as políticas da NATO, na expectativa de que os portugueses se consciencializem de que estamos, neste momento, envolvidos numa guerra, apoiada pelo governo português, e a questionarem se os maiores terroristas e criminosos de guerra não são os que estiveram nos últimos dois dias reunidos no parque das nações!
Contra A Guerra Age
vejam as imagens
http://pt.indymedia.org/conteudo/newswire/2919
domingo, 21 novembro
As fontes do Rossio jorraram esta tarde litros de sangue. Sangue não era certamente, mas sim um inofensivo líquido vermelho que pretendeu simbolizar os milhões de litros de sangue que serão derramados na sequência dos agressivos planos de guerra assinados ontem em Lisboa.
A NATO passou por aqui. E assinou um novo conceito estratégico que legitíma as criminosas intervenções militares que têm ocorrido desde o fim da guerra-fria (como a invasão e declaração unilateral de guerra, no Afeganistão) e o aumento da corrida ao armamento, a militarização das nossas vidas.
O Rossio voltou a ser palco de uma acção contra as políticas da NATO, na expectativa de que os portugueses se consciencializem de que estamos, neste momento, envolvidos numa guerra, apoiada pelo governo português, e a questionarem se os maiores terroristas e criminosos de guerra não são os que estiveram nos últimos dois dias reunidos no parque das nações!
Contra A Guerra Age
vejam as imagens
http://pt.indymedia.org/conteudo/newswire/2919
NÃO SOU DA NÃO-VIDA

NÃO SOU DA NÃO-VIDA
O problema da existência quase não se discute nas escolas. A educação é muito instrumentalista, não se discute o sentido da vida. Os jovens são formatados para as coisas úteis, para a “vida prática”, para o trabalho. Cedo são castrados do infinito, do espírito, do despojamento. Não se questiona o porque é que estamos aqui, o que viemos fazer ao mundo. O que importa é safar-se, sacar dinheiro, progredir na vidinha. Levar uma vida entediante e repetitiva. Uma vida de medo em que nos ajoelhamos perante este ou aquele em busca do favor, do empreguinho ou do progresso na carreira. Não, não sou dessa não-vida. Acredito numa vida de criação, de aperfeiçoamento permanente. Acredito no homem que se constrói. No homem que questiona a não-vida dos mercados e da mercearia. Todos os dias há um combate na minha mente entre o mercado e a liberdade. A liberdade tem levado a melhor. Eu tenho seguido as pisadas de Morrison e de Nietzsche. Desde que ouvi as letras do Roger Waters dos Pink Floyd (“Money”, “Wellcome To The Machine”, “Another Brick In The Wall”) comecei a pôr a máquina em causa. Compreendi que não tinha de me submeter à lei do salve-se quem puder, do útil, da inveja. Não, eu queria outro caminho. O caminho da iluminação. Caí várias vezes, desci ao inferno da grande depressão. Mas agora estou aqui. A minha vida faz todo o sentido. Sou um rei na confeitaria. Não sou do número nem da conta. Sou aquele que conta. Sou dos Doors, sou dos Nirvana. Sou aquele que ama. Não amo às prestações. Caminho com Dionisos. Sou do excesso, embora nem sempre o seja. Ninguém me tira aquilo que sou. Procuro o Uno Primordial.
A BARBÁRIE E A TERNURA
A BARBÁRIE E A TERNURA
Na Grécia rebentam bombas e eu, paradoxalmente, volto a acreditar na ternura. Estamos a um passo da barbárie e eu volto a acreditar na ternura.
Sim, basta um pequeno passo. Basta que o respeito, a civilidade que ainda existe nas relações entre as pessoas deixe de existir para que a barbárie triunfe. O capitalismo do mercado e dos mercados tudo tem feito para destruir as relações fraternas e autênticas entre os homens. O meu amigo Carlos Pinto era e é um exemplo de resistência a esse estado de coisas. Porque cultivava verdadeiramente os afectos. E o afecto sincero, desprendido, vai rareando. O que sobra é algum respeito, as boas maneiras, alguma educação, no fundo, a civilização. Isto se ainda consegues ir aos sítios pagar o café e o jantar. Se não ninguém te respeita. O que é facto é que vivemos sob a ditadura de um sistema terrível, inumano, que, por si só, destrói o espírito e o coração. A lei dos mercados é absolutamente bárbara, selvática, sob a capa de uma pretensa racionalidade económica. A lei dos mercados e dos especuladores/agiotas/banqueiros determina tudo, desde as decisões dos governos e da União Europeia até ao quotidiano do cidadão comum. Perante um inimigo desta dimensão é natural que comecem a surgir actos de revolta desesperados, como os explosivos da Grécia, as montras partidas ou os carros incendiados em França. Essas formas de resistência, que nada têm a ver com o Alá da Al-Qaeda, são perfeitamente legítimas sob esta “ordem” que nos sufoca e que nos tira a vida. Não há pacto possível com o capitalismo dos mercados. É claro que alguns, como o padre Mário de Oliveira, nos falam de uma via pacífica. Há algo que nos empurra para essa via dos afectos, das mesas partilhadas, de Jesus, da filosofia enquanto fim da violência. Mas também é em nome dos afectos, da ternura entre os homens e as mulheres que resistem à contaminação do mercado e dos mercados, que dizemos que não aceitamos esse mundo, que temos de combatê-lo e destruí-lo todos os dias porque ele está a destruir as relações entre os homens e a própria vida.
Na Grécia rebentam bombas e eu, paradoxalmente, volto a acreditar na ternura. Estamos a um passo da barbárie e eu volto a acreditar na ternura.
Sim, basta um pequeno passo. Basta que o respeito, a civilidade que ainda existe nas relações entre as pessoas deixe de existir para que a barbárie triunfe. O capitalismo do mercado e dos mercados tudo tem feito para destruir as relações fraternas e autênticas entre os homens. O meu amigo Carlos Pinto era e é um exemplo de resistência a esse estado de coisas. Porque cultivava verdadeiramente os afectos. E o afecto sincero, desprendido, vai rareando. O que sobra é algum respeito, as boas maneiras, alguma educação, no fundo, a civilização. Isto se ainda consegues ir aos sítios pagar o café e o jantar. Se não ninguém te respeita. O que é facto é que vivemos sob a ditadura de um sistema terrível, inumano, que, por si só, destrói o espírito e o coração. A lei dos mercados é absolutamente bárbara, selvática, sob a capa de uma pretensa racionalidade económica. A lei dos mercados e dos especuladores/agiotas/banqueiros determina tudo, desde as decisões dos governos e da União Europeia até ao quotidiano do cidadão comum. Perante um inimigo desta dimensão é natural que comecem a surgir actos de revolta desesperados, como os explosivos da Grécia, as montras partidas ou os carros incendiados em França. Essas formas de resistência, que nada têm a ver com o Alá da Al-Qaeda, são perfeitamente legítimas sob esta “ordem” que nos sufoca e que nos tira a vida. Não há pacto possível com o capitalismo dos mercados. É claro que alguns, como o padre Mário de Oliveira, nos falam de uma via pacífica. Há algo que nos empurra para essa via dos afectos, das mesas partilhadas, de Jesus, da filosofia enquanto fim da violência. Mas também é em nome dos afectos, da ternura entre os homens e as mulheres que resistem à contaminação do mercado e dos mercados, que dizemos que não aceitamos esse mundo, que temos de combatê-lo e destruí-lo todos os dias porque ele está a destruir as relações entre os homens e a própria vida.
Wednesday, November 17, 2010
UM PRÍNCIPE NA "BRASILEIRA"
DESOBEDIÊNCIA CIVIL CONTRA A NATO

DESOBEDIÊNCIA CIVIL CONTRA A NATO
Press Release / Convite 17 de Novembro 2010
Treino de Desobediência Civil Não Violenta em Lisboa
Local e hora: Praça do Rossio: Quinta-feira, 18 de Novembro: 16h00
Entre 19 e 21 de Novembro, a NATO vai-se reunir para discutir o seu futuro através da aprovação do seu novo conceito estratégico em Lisboa. Activistas portugueses e de outros locais da Europa estão a preparar-se para acções não violentas contra a cimeira.
As acções de desobediência civil são – tal como a contra-cimeira e a manifestação – parte duma variedade de protestos contra a cimeira da NATO. Uma parte importante dos nossos preparativos são acções de treino, onde os participantes se preparam para para as acções não violentas. Na quinta-feira, 18 de Novembro, iremos mostrar publicamente partes desses treinos de desobediência civil.
“Os participantes treinam técnicas de diminuição de tensão, ou seja, como conseguem lidar com a polícia sem causar um aumento de tensão. Isto é importante, uma vez que o nosso objectivo não é lutar com a polícia, mas resisitir e obstruir políticas injustas com os nossos corpos”,explica Andreas Speck, da War Resisters International e da rede internacional ICC, em relação ao conceito dos treinos.
Através destas acções, os activistas pretendem realçar que a NATO não é a solução, mas parte do problema. Nas palavras de Benoit Calvi, do grupo belga Bombspotting: “Graças à NATO, países europeus estão envolvidos há já 9 anos numa guerra sem saída no Afeganistão. Graças à NATO, ainda há armas nucleares na Europa, 20 anos depois do fim da Guerra Fria. E graças à NATO, a Europa está a investir num projecto de defesa de mísseis inútil.”
Nesta ocasião, vários porta-vozes irão tomar posições nas seguintes questões:
. Porque é que a cimeira da NATO não tem legitimidade e as acções de desobediência civil têm?
. Que objectivos queremos atingir com as nossas acções de desobediência civil não violenta, quer simbolica quer praticamente?
. O que é que entendemos por desobediência civil?
Contactos para a imprensa:
Toni – Contra a Guerra Age (português) - +351 914834956
Andreas Speck – War Resisters International (inglês – alemão) - +351 968504757
Benoit Calvi – Bombspotting (francês – inglês) - +351 968564342
An Maeyens – Bombspotting (holandês – inglês – espanhol) - +32 489 577 851
War Resisters International, Bombspotting e Pagan são membros do ICC No to War – No to NATO
Tuesday, November 16, 2010
A CRISE DA ESQUERDA
Manuel BaptistaNovember 13, 2010 at 12:35pm
Assunto: A crise da esquerda
Estou convicto de que a esquerda (portuguesa) ainda não se recentrou no que é essencial porque está há demasiado tempo a «lamber as feridas abertas» pela derrocada do bloco soviético, pelo desmoronar do sonho de um «sistema socialista mundial» que iria progressivamente vencendo na competição com o capitalismo. O problema com esta esquerda (maioritária) é não ter querido acordar para a realidade há vinte anos. Os marxistas leninistas, das diversas tendências, são os mais conservadores. Guardam um respeito ritualístico pelos escritos dos «clássicos marxistas», mas são incapazes de os contextualizar ao momento em que foram escritos. A esquerda não autoritária (comunismo libertário, socialismo mutualista, anarco-sindicalismo...) deixou-se enredar em querelas de «capoeira» sem qualquer interesse, mas falhou a visão essencial de que os anarquistas (e conselhistas históricos) foram capazes de atempadamente ver o drama que era o nascimento do regime soviético, o facto de que se tratava não de uma forma «deturpada de socialismo» (trotsquistas dixit), mas sim duma nova forma de capitalismo, o capitalismo de estado. Todos os outros anti-sistema capitalista têm sido pouco eficazes na mudança social, pois se posicionam numa onda «culturalista».
Outros ainda, fazem «contestação» sem revolução, muitos ecologistas, feministas, e outros «one issue struggle people» (ou seja pessoas que se mobilizam exclusivamente por uma só causa).
É de dentro da esquerda revolucionária que tem de vir a crítica revolucionária. Á martelagem dos arautos do capitalismo senescente, ela deve responder com outras formas de estar /de ser/ de agir... que desemboquem numa saída -verdadeira, não ficcionada- para as crises.
A questão fundamental então é suscitar naqueles/as que realmente podem estar objectivamente interessados na revolução (uma enorme maioria do povo) a vontade de mudança.
Essa vontade só pode vir ao de cima, se cristalizar num programa, se houver uma enorme movimentação no sentido do apoderamento ou seja a autogestão das lutas e das organizações de classe genuínas, que são os sindicatos.
É a classe trabalhadora no seu conjunto que tem de se libertar a si própria, não é de fora desta que devem surgir as propostas organizativas e de estratégia (programa) e tática (iniciativas).
Uma instância - seja ela partido, sindicato ou associação - não pode arrojar-se o exclusivo disso, não pode ser vanguardista. Se o fizer, está a cortar pela raíz a unidade de classe. Sendo assim, não tem possibilidade de contribuir positivamente para a formação de uma frente AMPLA SOCIAL E POLÍTICA.
O povo trabalhador descrê da enorme força que tem quando está unido (não acredita já famoso slogan «o povo unido jamais será vencido!») mas isso deve-se à enorme auto-destruição da confiança, por parte de uma casta, que se «monta» no dorso dos trabalhadores e autoritariamente anda a desbaratar (há decénios!) o potencial de luta, fazendo o jogo (mesmo quando inconscientemente...) da burguesia. São pessoas destituídas de senso crítico e auto-crítico, incapazes de perspectivar a sua acção na história social. Ou seja, não são adequados ao momento. Infelizmente, são esses que detêm a maioria dos cargos nos partidos e sindicatos, o que bloqueia o processo da luta social.
É este o nó que os militantes têm de desfazer:
Substituir as lideranças caducas, ao mesmo tempo que se proporciona uma nova prática, de baixo para cima, de decisão horizontal, de democracia directa (inspirando-se no conselhismo, no anarquismo, no socialismo mutualista !).
Assunto: A crise da esquerda
Estou convicto de que a esquerda (portuguesa) ainda não se recentrou no que é essencial porque está há demasiado tempo a «lamber as feridas abertas» pela derrocada do bloco soviético, pelo desmoronar do sonho de um «sistema socialista mundial» que iria progressivamente vencendo na competição com o capitalismo. O problema com esta esquerda (maioritária) é não ter querido acordar para a realidade há vinte anos. Os marxistas leninistas, das diversas tendências, são os mais conservadores. Guardam um respeito ritualístico pelos escritos dos «clássicos marxistas», mas são incapazes de os contextualizar ao momento em que foram escritos. A esquerda não autoritária (comunismo libertário, socialismo mutualista, anarco-sindicalismo...) deixou-se enredar em querelas de «capoeira» sem qualquer interesse, mas falhou a visão essencial de que os anarquistas (e conselhistas históricos) foram capazes de atempadamente ver o drama que era o nascimento do regime soviético, o facto de que se tratava não de uma forma «deturpada de socialismo» (trotsquistas dixit), mas sim duma nova forma de capitalismo, o capitalismo de estado. Todos os outros anti-sistema capitalista têm sido pouco eficazes na mudança social, pois se posicionam numa onda «culturalista».
Outros ainda, fazem «contestação» sem revolução, muitos ecologistas, feministas, e outros «one issue struggle people» (ou seja pessoas que se mobilizam exclusivamente por uma só causa).
É de dentro da esquerda revolucionária que tem de vir a crítica revolucionária. Á martelagem dos arautos do capitalismo senescente, ela deve responder com outras formas de estar /de ser/ de agir... que desemboquem numa saída -verdadeira, não ficcionada- para as crises.
A questão fundamental então é suscitar naqueles/as que realmente podem estar objectivamente interessados na revolução (uma enorme maioria do povo) a vontade de mudança.
Essa vontade só pode vir ao de cima, se cristalizar num programa, se houver uma enorme movimentação no sentido do apoderamento ou seja a autogestão das lutas e das organizações de classe genuínas, que são os sindicatos.
É a classe trabalhadora no seu conjunto que tem de se libertar a si própria, não é de fora desta que devem surgir as propostas organizativas e de estratégia (programa) e tática (iniciativas).
Uma instância - seja ela partido, sindicato ou associação - não pode arrojar-se o exclusivo disso, não pode ser vanguardista. Se o fizer, está a cortar pela raíz a unidade de classe. Sendo assim, não tem possibilidade de contribuir positivamente para a formação de uma frente AMPLA SOCIAL E POLÍTICA.
O povo trabalhador descrê da enorme força que tem quando está unido (não acredita já famoso slogan «o povo unido jamais será vencido!») mas isso deve-se à enorme auto-destruição da confiança, por parte de uma casta, que se «monta» no dorso dos trabalhadores e autoritariamente anda a desbaratar (há decénios!) o potencial de luta, fazendo o jogo (mesmo quando inconscientemente...) da burguesia. São pessoas destituídas de senso crítico e auto-crítico, incapazes de perspectivar a sua acção na história social. Ou seja, não são adequados ao momento. Infelizmente, são esses que detêm a maioria dos cargos nos partidos e sindicatos, o que bloqueia o processo da luta social.
É este o nó que os militantes têm de desfazer:
Substituir as lideranças caducas, ao mesmo tempo que se proporciona uma nova prática, de baixo para cima, de decisão horizontal, de democracia directa (inspirando-se no conselhismo, no anarquismo, no socialismo mutualista !).
Thursday, November 11, 2010

Sou uma figura pública. Definitivamente, sou uma figura pública. Fazem de mim uma figura pública. Começam a ter medo, outra vez, dos anarquistas. Não tenho dinheiro mas incomodo. Nos cafés mantenho as distâncias. Mas sou mesmo o animal de palco, aquele que diz a palavra. Pouco tenho a perder. Sou louco. Vou atrás da loucura. Não me adaptei ao sistema. Não sou do sistema. Odeio o sistema. Essa é a verdade. Nada mais do que a verdade. Sou louco. Há dias, noites em que vou atrás da loucura. Nada a fazer, minha rica. Sou do aplauso. Deixo-me levar pelo aplauso. As minhas palavras começam a chegar longe. Há que prosseguir.
Wednesday, November 10, 2010
TELEJORNAL

O gerente do café explica o funcionamento do mesmo aos clientes. O primeiro-ministro
diz que ganhou a batalha da governabilidade. O governo mantém o aeroporto e a alta velocidade. O ministro das Obras Públicas discursa. o “pivot” do Telejornal é sério e usa gravata. O primeiro-ministro garante que o aumento do défice não foi descontrolo. O país janta e vê o Telejornal. O presidente da Junta anda descontrolado e bate uma punheta. O gerente do café continua a explicar o funcionamento do mesmo. O Orçamento é bom para o país. O ministro das Finanças admite que se engana. A deputada do CDS é boa…para o país. O défice dispara. As agências de rating controlam. O Bloco de Esquerda é bom para o país. Os deputados do Bloco de Esquerda são sérios mas não usam gravata. O gerente do café gosta de Coca-Cola. O governo já aguentou 100 dias. As garrafas estão expostas. O gerente arrota teses de doutoramento acerca do funcionamento do café. O primeiro-ministro é sério e usa gravata. Além disso, nunca se enerva. O primeiro-ministro é bom…para o país. O Presidente da República é sério e usa gravata. O líder do CDS também. O primeiro-ministro dá dinheiro aos bebés. O primeiro-ministro quer casar com a Carochinha. O primeiro-ministro e todos os ministros são bons…para o país. O gerente analisa agora a problemática da cerveja. O Presidente da República é sério e não bebe cerveja. O PPM quer referendar a monarquia. O PPM é sério e usa gravata. A autarca corrupta não vai a julgamento. O Obama continua a pregar. O gerente do café também. Todos os homens do poder são sérios e usam gravata. O Presidente da República é sério, honesto e usa gravata. Uma bombista suícida detonou explosivos em cima dos peregrinos. O México continua cheio de pistoleiros. O Presidente da República é sério, honesto, usa gravata e quer a estabilidade do país. O Leixões defronta o Marítimo. O gerente do café já resolveu todos os problemas da Humanidade. A brasileira alapa o cu ao balcão. O poeta escreve o que vê, o que ouve e o que lhe vem à cabeça. O Presidente da República é sério, honesto, usa gravata, quer a estabilidade do país e não apanha bebedeiras. O primeiro-ministro é bom…para o país e também não apanha bebedeiras. O ministro das Finanças é sério, honesto e usa gravata. Todos os homens públicos são bons…por natureza. A televisão promove os “Ídolos”. Os “Ídolos” são sérios, honestos, querem a estabilidade do país mas não usam gravata. O presidente da Câmara é bom…para a cidade. O TGV mantém-se, apesar do aumento da dívida pública. A sabedoria do gerente do café faz o meu cérebro dar voltas. O poeta é bom…mas também é mau, não quer a estabilidade do país, apanha bebedeiras e não usa gravata. O Pesidente da República é sério, honesto, usa gravata, quer a estabilidade do país, não apanha bebedeiras e só percebe de finanças. O ministro das Finanças é bom…para o país. O Presidente da República, o primeiro-ministro, o ministro das Finanças, todos os ministros, a oposição, o Orçamento, o presidente da Câmara, o presidente da Junta, o “pivot” do telejornal, o Leixões, os “Ídolos”, os pistoleiros mexicanos, a bombista suícida, os empresários dos carrosséis, o CDS, o PPM, o Bloco de Esquerda e o gerente do café são bons…para o país. A Beyoncé mostra as mamas. A Beyoncé é boa…para o país.
Tuesday, November 09, 2010
PORQUÊ?

O homem fuma à porta do Piolho. Que pensa? Até onde vai o pensamento do homem? Em que pensa o homem para lá da luta pela existência? Será que a luta pela existência se resume à luta pela sobrevivência? O que é a existência? Porque será que há coisas que estranham e depois encantam, como a escrita de Borges? Porque será que não me dedico em exclusivo ao pensamento? Porque será que não vivo disso? Porque continuo a olhar para as gajas e não as mando foder? Porque é que o bebé chora? Porque é que o homem e a mulher se mascaram tanto e eu próprio me tenho de mascarar? O que é que está para lá disto tudo? Porque é que alguns são tão limitados? Quem sou eu, que não era há 20 anos? O que é que eu sou mais? Porque é que continuo a ter medo? Porque é que sou outro quando me exponho publicamente? Que força me dá? Porque perco o medo? Porque sou, por vezes, tão agressivo? Que raiva me dá? Até onde sou capaz de ir? Porque não paro de escrever? Porque recusei a imbecilidade? Porque é que o Rocha se afastou de mim? Porque não me limito a ser como a maioria? Porque me incomodo tanto, porque sou tão sensível? Porque estou sempre a cair e a levantar-me? Sim, a diferença é que há uns anos atrás custava mais a levantar-me. Sempre aparecem umas gajas bonitas e isto não parece tão podre. Os outros levam uma vida tão ocupada e eu aqui a ouvir a conversa do casal do lado mesmo que não queira. Fala-se da imagem. Qual é a minha imagem? Sou tímido e desajeitado mas permaneço aqui. Às vezes perco a vontade mas permaneço aqui. Estou aqui melhor do que na aldeia apesar da Gotucha ter ido e de estar sozinho. Tenho tanta legitimidade de estar aqui como outro imbecil qualquer. Sempre se vêem umas gajas bonitas e ainda não vieram cá os praxistas. Escreve-se contra a morte, para matar o tempo. Nem sequer tenho que seguir um fio lógico. Estou aqui vivo. Ponto final. Não tenho que pedir autorização a ninguém para estar vivo. Vim para cá, é aqui que quero estar. Já conheci outros mundos em sonhos e delírios. Mas agora estou aqui no Piolho. Até pode ser que este texto se perca, como outros. Mas está escrito. E eu tenho estado aqui, vivo, a escrevê-lo. Outros dão pontapés na bola e têm mais seguidores. Qual é o sentido disto, daquilo e das outras coisas todas? Será que é mesmo preciso um sentido? Porque é que as gajas se exibem para nós? Porque é que agora olhas em desafio e há pouco estavas cagado de medo? Que é que te deu para te tornares outro? Porque és tão sensível aos estímulos? Qual é a magia para lá da doença? Porque é que agora duvidas do punho erguido? Porque não tens plateia hoje que precisavas realmente dela? O que é que te faz escrever tanto? Será que a literatura se mede ao metro? Porque não te safas como os outros? Porque não estás na mesma corrida? Será que a doença é uma bênção? Porque não fazes corte e costura? Porque é que, no fim de contas, te deixas levar pela onda? Que fizeste de brilhante hoje? Porque é que te centras tanto em ti próprio?
Thursday, November 04, 2010
O PÚCAROS DO CARLOS

Às 0h15, toca a sineta. «Fechou a cloaca», grita Carlos Pinto, proprietário do Púcaros, situado nas arcadas de Miragaia, em frente à Alfândega do Porto. É sempre assim que começam as noites de poesia, todas as quartas-feiras (muitas vezes, só têm início na madrugada de quinta).
O que se segue, pela noite dentro, é um desfilar de versos mais ou menos conhecidos, ditos por gente mais ou menos inspirada. A única regra é a liberdade total, a raiar a anarquia: não há tema, não há ordem definida, não há hora para acabar.
Os conflitos entre vários participantes desta tertúlia são recorrentes, mas as querelas dificilmente causam mossa. Quando é preciso, Carlos Pinto põe ordem na casa, mas sempre de forma bem humorada. «Digo tudo porque ouço tudo», explica. Há dois ou três palavrões lançados para o ar e a poesia continua.
Um dos habitués é Anthero Monteiro, que já tem várias obras de poesia publicadas. Numa mala, traz uns «cinco quilos de livros» e mais uma pasta cheia de poemas impressos. «O que faz rir é geralmente o que funciona melhor. No entanto, o poema mais dito aqui - e, provavelmente, em qualquer tertúlia poética portuguesa - deve ser o Cântico Negro, de José Régio», observa.
Quem também tem obra publicada é António Pedro Ribeiro, que apresentou no próprio Púcaros, em Maio, uma candidatura independente à presidência da República. «Quero fazer passar uma mensagem anti-mercado, contra o utilitarismo e a transformação de tudo e de todos em mercadorias», afirma. Esta incursão política não é inesperada: em 2006, o poeta escreveu Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro, uma provocação a desafiar o líder do Governo.
As noites de poesia do Púcaros cumprem 14 anos em Novembro e Carlos Pinto orgulha-se de ser o responsável pela «tertúlia poética ininterrupta mais antiga do país». A ideia inicial era «fazer uma noite dedicada aos dizeres populares, mas essa malta não é acessível», relembra.
Por isso, alargou-se o conceito à poesia e, desde então, todas as quartas-feiras, o ritual é sagrado: «Mesmo quando isto fica alagado, cumpre-se a tradição. Vamos ali para o cimo da rampa, recitamos dois ou três poemas e dizemos que nem as cheias nos hão-de calar». Numa sessão comum, a leitura é feita no meio das arcadas que dividem o bar - imaginamos que o espaço tenha sido em tempos idos um armazém de pipas de vinho do Porto. A bebida oficial é a sangria, servida nos púcaros que dão o nome à casa. Quem pedir uma bebida não alcoólica arrisca-se a ouvir uma boca do proprietário.
Muitos participantes lêem poemas de sua autoria e destas noites já resultou a colectânea Um Púcaro de Poesia, da editora Corpos. Mas esta é uma tertúlia de amadores e apaixonados pelas palavras: quem vem apenas ouvir poesia é bem-vindo, quem vem ler pela primeira vez é bem recebido.
As picardias estão reservadas aos veteranos: na noite a que assistimos criticou-se o mau gosto de deixar um poema a meio e a incapacidade dos presentes para «ir até Saturno» através da poesia. As palavras foram azedas , mas na semana seguinte estavam lá todos, amigos como dantes.
SOL
Friday, October 22, 2010
A SERENIDADE GREGA

A SERENIDADE GREGA
Um homem pode ficar parado a olhar sem escrever. Um homem pode, pura e simplesmente, dar-se ao mundo, mesmo que o mundo não seja o que ele quer. Um homem pode, simplesmente, contemplar sem se atirar de cabeça. Um homem pode também refugiar-se em si próprio, fugir da propaganda. Esse homem tem uma certa serenidade grega que o distingue dos outros. Esse homem olha o mundo com o olhar inaugural da criança. Pouco ou nada o afecta. Os outros homens transportam cargas como os camelos e têm horários a cumprir. O nosso homem não. Trabalha mas não o faz para a sua subsistência. Passa horas a escrever. É um criador, só a espaços se esforça. Todavia, um dos olhos vai-se queixando. As horas vão passando. Há jornais e revistas que o publicam. Há outros que recordam o seu nome. A sua escrita, dizem, chega mesmo àqueles que não costumam ler.
O PREÇO DA GUERRA DO IRAQUE
Dubai, 22 out (Lusa) - Pelo menos 109 mil pessoas, das quais 63 por cento civis, foram mortas no Iraque depois da invasão norte-americana, revelam os ...
Iraque: Guerra fez pelo menos 109 mil mortos, 63% civis - WikiLeaks, citado pela Al-Jazeera
Dubai, 22 out (Lusa) - Pelo menos 109 mil pessoas, das quais 63 por cento civis, foram mortas no Iraque depois da invasão norte-americana, revelam os documentos secretos obtidos pelo site WikiLeaks e revelados hoje pela televisão Al-Jazeera.
O período de tempo deste levantamento situa-se entre março de 2003 e o fim de 2009.
Segundo a cadeia televisiva do Qatar, "os documentos confidenciais obtidos pelo WikiLeaks revelam que as forças norte-americanas dispunham de um balanço dos mortos e feridos iraquianos, apesar de o negarem publicamente".
Adianta a cadeia televisiva que os registos "mostram que o conflito fez 285 mil vítimas, das quais pelo menos 109 mil mortos", entre 2003 e o fim de 2009. Dos mortos, 63 por cento eram civis.
Um balanço norte-americano, publicado no fim de julho no site do Comando Central do Exército (Centcom), indica que entre janeiro de 2004 e agosto de 2008, o período mais sangrento em sete anos de guerra, foram mortos cerca de 77 mil iraquianos, dos quais 63 185 civis e 13 754 membros das forças de segurança.
A avaliação do número de vítimas iraquianas desde a invasão lançada pelos Estados Unidos em março de 2003 alimenta controvérsias e varia, conforme as fontes, desde menos de 100 mil a várias centenas de milhares.
Num relatório publicado em outubro de 2009, o Ministério dos Direitos Humanos iraquiano avançou o número de 85 694 mortos e 147 195 feridos.
O site independente da Internet Iraq Body Count estima, por sua vez, que o número de civis mortos desde 2003 se situa entre 98 252 e 107 235 pessoas.
Um estudo publicado na revista britânica The Lancet em 2006 concluía que a guerra custara a vida a 655 mil iraquianos.
Um outro balanço baseado no site independente www.icasualties.org aponta para a perda de vida por parte de 4425 militares norte-americanos no Iraque desde 2003.
RN.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***
Lusa/Fim.
Iraque: Guerra fez pelo menos 109 mil mortos, 63% civis - WikiLeaks, citado pela Al-Jazeera
Dubai, 22 out (Lusa) - Pelo menos 109 mil pessoas, das quais 63 por cento civis, foram mortas no Iraque depois da invasão norte-americana, revelam os documentos secretos obtidos pelo site WikiLeaks e revelados hoje pela televisão Al-Jazeera.
O período de tempo deste levantamento situa-se entre março de 2003 e o fim de 2009.
Segundo a cadeia televisiva do Qatar, "os documentos confidenciais obtidos pelo WikiLeaks revelam que as forças norte-americanas dispunham de um balanço dos mortos e feridos iraquianos, apesar de o negarem publicamente".
Adianta a cadeia televisiva que os registos "mostram que o conflito fez 285 mil vítimas, das quais pelo menos 109 mil mortos", entre 2003 e o fim de 2009. Dos mortos, 63 por cento eram civis.
Um balanço norte-americano, publicado no fim de julho no site do Comando Central do Exército (Centcom), indica que entre janeiro de 2004 e agosto de 2008, o período mais sangrento em sete anos de guerra, foram mortos cerca de 77 mil iraquianos, dos quais 63 185 civis e 13 754 membros das forças de segurança.
A avaliação do número de vítimas iraquianas desde a invasão lançada pelos Estados Unidos em março de 2003 alimenta controvérsias e varia, conforme as fontes, desde menos de 100 mil a várias centenas de milhares.
Num relatório publicado em outubro de 2009, o Ministério dos Direitos Humanos iraquiano avançou o número de 85 694 mortos e 147 195 feridos.
O site independente da Internet Iraq Body Count estima, por sua vez, que o número de civis mortos desde 2003 se situa entre 98 252 e 107 235 pessoas.
Um estudo publicado na revista britânica The Lancet em 2006 concluía que a guerra custara a vida a 655 mil iraquianos.
Um outro balanço baseado no site independente www.icasualties.org aponta para a perda de vida por parte de 4425 militares norte-americanos no Iraque desde 2003.
RN.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***
Lusa/Fim.
Wednesday, October 20, 2010
Tuesday, October 19, 2010
MANIFESTO ANTI-GOVERNO, ANTI-ORÇAMENTO E ANTI-MERCADOS

O Governo não tem que me dizer o que devo fazer. O Governo não tem que dizer que eu devo levar uma vida frugal. A minha vida não está no Orçamento. Não aceito a minha vida reduzida a percentagens e estatísticas. O Governo e o Orçamento não me podem proibir de sair à noite nem de beber copos. Nem o Governo, nem o Orçamento, nem ninguém me podem impedir de escrever, de ter ideias e de olhar para as gajas.
Estou farto dos apelos ao diálogo do Presidente da República. Não sou do Presidente, nem do Governo, nem do Orçamento, nem dos mercados. Recuso-me a dialogar com essa gente. Não confio nessa gente. Aliás, ainda ninguém me explicou quem são os mercados. Os mercados nunca me foram apresentados. Só sei que o Presidente, o Governo, o Orçamento, o PSD, os banqueiros, a Comissão Europeia e o Estados Unidos obedecem aos mercados. Os mercados estão em todo o lado e entram no cérebro das gentes. Estou farto dos mercados! Os mercados e a economia enchem-me de tédio e de morte. Os mercados e o Governo não comandam a minha vida. Os mercados e o Governo não pertencem à vida.
SEF NÃO PROVA ACUSAÇÕES A ACTIVISTAS
Porto: SEF não prova acusação a activistas
artigo retirado de: http://pt.indymedia.org/conteudo/editorial/2461
AACILUS; CNLI; ESSALAM – Associação de Imigrantes Magrebinos e de Amizade Luso – Árabe; Espaço MUSAS; SOS Racismo; TERRA VIVA!/Terra Vivente AES foram as seis associações que subscreveram o comunicado de Imprensa que em Junho de 2006 atribuía responsabilidade moral aos serviços do Porto do SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras) pelo suicídio do imigrante paquistanês Ahmed Hussein. Na sequência dessas notícias (1 e 2), o SEF processou quatro dessas associações AACILUS; ESSALAM; Espaço MUSAS; e TERRA VIVA. Em julgamento estiveram representantes destas quatro associações. De fora ficaram, por razões que ficam por explicar, SOS Racismo e CNLI.
O processo arrastou-se. A primeira audiência foi marcada para Dezembro 2008, mas foi adiada por ausência do país de um dos arguidos. Em Janeiro seguinte, veio a público que o processo tinha transitado para as Varas Criminais.
A primeira sessão, no Tribunal do Bolhão, no Porto, realizou-se quase dois anos depois, em 15 de Setembro passado, na qual foram ouvidas duas testemunhas de acusação e adiada a sessão para duas semanas depois, por falta da terceira testemunha do SEF, elemento da instituição a gozar licença sem vencimento, algures no estrangeiro.
A testemunha de acusação também não compareceu no dia 30 e as testemunhas de defesa foram prescindidas. A promotora pública tomou posse da palavra: apesar de considerar que as acusações aos serviços do Porto do SEF, subscritas em comunicado de imprensa pelas associações arguidas, podiam, pelo seu carácter genérico, denegrir a imagem daquela instituição, afirmou não haver matéria suficiente para formalizar culpa.
À defesa, constituída por três advogados, coube pedir por justiça. Dois em jeito um tanto tímido, outro muito destemido: “Este é um caso em que há o puro arbítrio de uma instituição que se melindra. As pessoas melindram-se por tudo e por nada. Estamos num tempo em que há democracia mas não há democracia nenhuma. Este é um processo absurdo do ponto de vista social”. Frisou ainda que os quatro arguidos foram, durante quatro anos e meio, e sem formalização de culpa, sujeitos a medidas de coação, nomeadamente a termo de residência.
A leitura da sentença ficou então marcada para dia 6, mas só veio a concretizar-se dia 8 de Outubro. A absolvição já era esperada.
http://redelibertaria.blogspot.com
artigo retirado de: http://pt.indymedia.org/conteudo/editorial/2461
AACILUS; CNLI; ESSALAM – Associação de Imigrantes Magrebinos e de Amizade Luso – Árabe; Espaço MUSAS; SOS Racismo; TERRA VIVA!/Terra Vivente AES foram as seis associações que subscreveram o comunicado de Imprensa que em Junho de 2006 atribuía responsabilidade moral aos serviços do Porto do SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras) pelo suicídio do imigrante paquistanês Ahmed Hussein. Na sequência dessas notícias (1 e 2), o SEF processou quatro dessas associações AACILUS; ESSALAM; Espaço MUSAS; e TERRA VIVA. Em julgamento estiveram representantes destas quatro associações. De fora ficaram, por razões que ficam por explicar, SOS Racismo e CNLI.
O processo arrastou-se. A primeira audiência foi marcada para Dezembro 2008, mas foi adiada por ausência do país de um dos arguidos. Em Janeiro seguinte, veio a público que o processo tinha transitado para as Varas Criminais.
A primeira sessão, no Tribunal do Bolhão, no Porto, realizou-se quase dois anos depois, em 15 de Setembro passado, na qual foram ouvidas duas testemunhas de acusação e adiada a sessão para duas semanas depois, por falta da terceira testemunha do SEF, elemento da instituição a gozar licença sem vencimento, algures no estrangeiro.
A testemunha de acusação também não compareceu no dia 30 e as testemunhas de defesa foram prescindidas. A promotora pública tomou posse da palavra: apesar de considerar que as acusações aos serviços do Porto do SEF, subscritas em comunicado de imprensa pelas associações arguidas, podiam, pelo seu carácter genérico, denegrir a imagem daquela instituição, afirmou não haver matéria suficiente para formalizar culpa.
À defesa, constituída por três advogados, coube pedir por justiça. Dois em jeito um tanto tímido, outro muito destemido: “Este é um caso em que há o puro arbítrio de uma instituição que se melindra. As pessoas melindram-se por tudo e por nada. Estamos num tempo em que há democracia mas não há democracia nenhuma. Este é um processo absurdo do ponto de vista social”. Frisou ainda que os quatro arguidos foram, durante quatro anos e meio, e sem formalização de culpa, sujeitos a medidas de coação, nomeadamente a termo de residência.
A leitura da sentença ficou então marcada para dia 6, mas só veio a concretizar-se dia 8 de Outubro. A absolvição já era esperada.
http://redelibertaria.blogspot.com
Monday, October 18, 2010
O GRANDE ABSURDO

Este é o tempo do grande absurdo, da "grande náusea", do niilismo. Assim falava Nietzsche. Colocamos o nosso destino nas mãos dos mercados, de especuladores sem escrúpulos. Entregamos a nossa vida a políticos patéticos, ao serviço dos especuladores e dos banqueiros, a seres sem brilho, charlatães, vigaristas, que se servem à vez e nos cortam a vida. Este é o tempo dos pregadores da morte, dos inimigos da vida, que nos dão (ou vendem) o tédio e a miséria. Sobem as tentativas de suicídio, as depressões, a melancolia, o homem que não quer, que não crê, que não cria, o homem que já não é homem. É preciso fazer a ruptura. É preciso outro homem "que voltará a libertar a vontade, que devolverá à Terra o seu objectivo e ao homem a sua esperança, este anticristo e antiniilista, este homem que triunfará sobre Deus e sobre o nada." (Nietzsche, "Para a Genealogia da Moral"). Esse homem existe no homem. É preciso ir buscá-lo às profundezas, ao homem interior. Esse homem já existe naqueles que negam a não-vida "metro, trabalho, sepultura", naqueles que apedrejam os bancos e as bolsas, que negam a morte que vem dos mercados e dos políticos que lhes obedecem. É também um instinto. Mas o instinto existe. O mesmo instinto que nos leva a amar as pessoas, os cães e o planeta.
DO PAÍS
"Com os aumentos dos casos de carência, aumentam os casos de tentativa de suicídio, depressões e violência doméstica que não eram visíveis há uns anos atrás."
(Manuela Coelho, responsável pela acção social da Câmara da Feira, Jornal de Notícias, 18/10/2010).
"É preciso dar um sinal ao mercado, ou seja, aos que especulam com o dinheiro."
(Rafael Barbosa, Chefe de Redacção do "Jornal de Notícias", "Sem Sentido", 18/10/2010)
"Um país de bananas governado por sacanas."
(D. Carlos)
(Manuela Coelho, responsável pela acção social da Câmara da Feira, Jornal de Notícias, 18/10/2010).
"É preciso dar um sinal ao mercado, ou seja, aos que especulam com o dinheiro."
(Rafael Barbosa, Chefe de Redacção do "Jornal de Notícias", "Sem Sentido", 18/10/2010)
"Um país de bananas governado por sacanas."
(D. Carlos)
ORÇAMENTO
Como se esperava o ministro das finanças de o governo mais à direita desde do 25 de Abril, apresentou hoje (depois de entregar a “pen” do crime incompleta ao presidente da AR…) o Orçamento para 2011 com a contenção salarial e a redução de custos como fundamentais, para claro, sossegarem os mercados, vulgo, o grande capital.
Além da redução de salários, o roubo nos apoios sociais, onde se inclui o corte em muitos abonos de família e cortes nas prestações nos subsídios de desemprego, os trabalhadores e os seus agregados familiares nos chamados benefícios fiscais irão levar um enorme rombo, se estas medidas se concretizarem.
Por exemplo a generalidade dos trabalhadores por conta de outrem vai pagar IRS em 2012 quando entregar a declaração relativa aos rendimentos de 2011. Nalguns casos, as subidas no imposto podem ultrapassar os 26%. As subidas fazem-se sobretudo por via da imposição de tectos às deduções e benefícios fiscais, mas também das novas taxas de IRS anunciadas pelo Governo em Março deste ano.
De acordo com as simulações um casal com dois filhos - em que um dos membros esteja desempregado e não tenha rendimentos e o outro tenha um ordenado de 1.500 euros mensais - será penalizado em 26,7%. Já um casal sem filhos com rendimentos de 4.500 euros por mês terá um agravamento da carga fiscal de apenas 3,29%. No caso de um solteiro sem filhos com um rendimento de 1.500 euros, a subida será de 11,7%. Só quem ganha o salário mínimo escapa ao agravamento.
Na prática, os contribuintes têm direito às mesmas deduções, mas os montantes não poderão ultrapassar um determinado limite máximo. Os tectos correspondem a uma percentagem do rendimento - que varia entre 9,4% para quem se insere no terceiro escalão de rendimento - e 1,66% - para quem ganha até cerca de 153 mil euros. A esta percentagem é ainda aplicado um limite que varia entre os 800 euros para ganhos até cerca de 18.400 euros e os 1.100 euros para rendimentos superiores a 153 mil euros.
Quanto aos cortes nos ministérios, mais uma vez, a maior fatia vai para o Ministério da Saúde que lidera os cortes na despesa consolidada para 2011 com um decréscimo de 12,8 por cento, dos 9818,88 para os 8563 milhões de euros, outro é o Ministério da Educação, o segundo mais atingido com cortes no orçamento para 2011, que sofre um decréscimo de 11,2 por cento face à estimativa para este ano, para os 6391,1 milhões de euros.
O Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social tem menos 10,4 por cento para gastar em 2011 face à estimativa para este ano, uma redução de 902,2 milhões de euros.
Como se vê os cortes afectam os sectores mais permeáveis à crise deste sistema capitalista.
Os preços de primeira necessidade vão aumentar por via do aumento do IV, a maioria dos casos sobe para 23%, e outros aumentos significativos é o da electricidade 3,8% mais cara. E, claro, os bancos vão pagar um imposto extraordinário…entre 0,01% e 0,05%...á fartar vilanagem!
A resposta a este novo repositório de medidas reaccionárias de austeridade, só pode ser combatida se os trabalhadores forem determinantes na luta contra este governo e seus apoiantes do bloco de direita, tendo como objectivo o derrube deste governo. A próxima greve geral nacional tem de demonstrar isso mesmo, que os trabalhadores podem vencer a crise, lutando contra este sistema de exploração e opressão.
Para os trabalhadores poderem viver, o capitalismo tem de morrer.
http://lutapopularonline.blogspot.com
Além da redução de salários, o roubo nos apoios sociais, onde se inclui o corte em muitos abonos de família e cortes nas prestações nos subsídios de desemprego, os trabalhadores e os seus agregados familiares nos chamados benefícios fiscais irão levar um enorme rombo, se estas medidas se concretizarem.
Por exemplo a generalidade dos trabalhadores por conta de outrem vai pagar IRS em 2012 quando entregar a declaração relativa aos rendimentos de 2011. Nalguns casos, as subidas no imposto podem ultrapassar os 26%. As subidas fazem-se sobretudo por via da imposição de tectos às deduções e benefícios fiscais, mas também das novas taxas de IRS anunciadas pelo Governo em Março deste ano.
De acordo com as simulações um casal com dois filhos - em que um dos membros esteja desempregado e não tenha rendimentos e o outro tenha um ordenado de 1.500 euros mensais - será penalizado em 26,7%. Já um casal sem filhos com rendimentos de 4.500 euros por mês terá um agravamento da carga fiscal de apenas 3,29%. No caso de um solteiro sem filhos com um rendimento de 1.500 euros, a subida será de 11,7%. Só quem ganha o salário mínimo escapa ao agravamento.
Na prática, os contribuintes têm direito às mesmas deduções, mas os montantes não poderão ultrapassar um determinado limite máximo. Os tectos correspondem a uma percentagem do rendimento - que varia entre 9,4% para quem se insere no terceiro escalão de rendimento - e 1,66% - para quem ganha até cerca de 153 mil euros. A esta percentagem é ainda aplicado um limite que varia entre os 800 euros para ganhos até cerca de 18.400 euros e os 1.100 euros para rendimentos superiores a 153 mil euros.
Quanto aos cortes nos ministérios, mais uma vez, a maior fatia vai para o Ministério da Saúde que lidera os cortes na despesa consolidada para 2011 com um decréscimo de 12,8 por cento, dos 9818,88 para os 8563 milhões de euros, outro é o Ministério da Educação, o segundo mais atingido com cortes no orçamento para 2011, que sofre um decréscimo de 11,2 por cento face à estimativa para este ano, para os 6391,1 milhões de euros.
O Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social tem menos 10,4 por cento para gastar em 2011 face à estimativa para este ano, uma redução de 902,2 milhões de euros.
Como se vê os cortes afectam os sectores mais permeáveis à crise deste sistema capitalista.
Os preços de primeira necessidade vão aumentar por via do aumento do IV, a maioria dos casos sobe para 23%, e outros aumentos significativos é o da electricidade 3,8% mais cara. E, claro, os bancos vão pagar um imposto extraordinário…entre 0,01% e 0,05%...á fartar vilanagem!
A resposta a este novo repositório de medidas reaccionárias de austeridade, só pode ser combatida se os trabalhadores forem determinantes na luta contra este governo e seus apoiantes do bloco de direita, tendo como objectivo o derrube deste governo. A próxima greve geral nacional tem de demonstrar isso mesmo, que os trabalhadores podem vencer a crise, lutando contra este sistema de exploração e opressão.
Para os trabalhadores poderem viver, o capitalismo tem de morrer.
http://lutapopularonline.blogspot.com
Sunday, October 17, 2010
A ARDER

A ARDER
O país a arder
e eu também
o país a chorar
e eu a enlouquecer
aos berros
pelas ruas da aldeia
A insultar Deus
e o presidente
e a uivar Led Zeppelin
O país a arder
e eu a beber
copo sobre copo
sem parar
o país a arder
e eu a discutir
com o estalajadeiro
a exibir o cartão do partido
e a carteira profissional
a oferecer poemas às meninas
e a dar-lhes treta
O país a arder
e eu a sofrer
a cambalear
livre
embriagado
animal de palco
o país em fogo
e eu em chamas
anjo em chamas
O país a arder
e eu a incendiar.
in "Saloon" (Edições Mortas, 2007).
METRO, TRABALHO, SEPULTURA
Se mudam assim a idade da reforma, vão enterrar-nos vivos. Agora é "metro, boulot, caveau" [metro, trabalho, sepultura]." O protesto de Raoul Bourbot, de 56 anos, despedido da empresa de componentes automóveis Molex, registado pela AFP em Toulouse, mostra o sentimento dos que ontem saíram à rua em França, em luta contra a reforma do sistema de pensões: 850 mil, segundo o Ministério do Interior, muito perto de três milhões, segundo a CGT, principal central sindical.
Os números de adesão à quinta jornada de luta desde o início de Setembro contra o aumento da idade mínima de acesso à reforma dos 60 para os 62 anos e de adiamento da pensão completa dos 65 para os 67 foram inferiores aos da última terça-feira, mas considerados encorajadores pelos sindicatos.
Os 850 mil manifestantes da contabilidade do Governo são menos que os 899 mil que as autoridades reconheceram no protesto de 2 de Outubro, também um sábado, e os 1,2 milhões que admitiram na terça-feira passada. As centrais sindicais não coincidiram ontem na leitura dos números das 230 manifestações promovidas em dezenas de cidades e em que os jovens se incorporaram em grande número: a CGT anunciou quase três milhões de participantes, a CFDT ficou-se pelos 2,5 milhões. Ambas tinham reivindicado quase três milhões a 2 de Outubro e 3,5 milhões há cinco dias.
A tradicional disparidade nos números foi ontem mais evidente do que em ocasiões anteriores. Na maior concentração, em Paris, desfilaram 50 mil pessoas, segundo a polícia, 310 mil, de acordo com a CFDT. Em Marselha, houve 16.400 manifestantes ou 180 mil, conforme a fonte; em Bordéus 13.500 ou 130 mil; e em Toulouse 24 mil ou 125 mil.
Para o Governo - que viu na adesão de ontem uma "baixa significativa" relativamente às mobilizações anteriores -, o copo já vai meio vazio. Para os sindicatos, que tinham estabelecido como fasquia uma mobilização equivalente à de dia 2, está meio cheio. Porquê? No entender de Bernard Thibault, líder da CGT, o "movimento ancora-se e alarga-se". A opinião de Jean-Claude-Mailly, da Force Ouvrière, é de que as manifestações de ontem deixam prever "uma mobilização ainda mais forte" na próxima jornada de luta de greves e manifestações, marcada já para depois de amanhã, véspera da votação pelo Senado do projecto de reforma já adoptado pela Assembleia Nacional.
"Temos vários milhões de pessoas na rua, que nos apoiam e acreditam em nós", disse ontem, citado pela Reu- ters, o líder da CFDT, François Chérèque, em Paris. "O único bloqueio do país é o Governo." Para além das sucessivas manifestações, os sindicatos têm conseguido perturbar o estratégico sector dos transportes, particularmente os comboios, e quase fecharam a torneira do abastecimento de combustíveis.
A determinação parece bem viva entre os milhões que se têm mobilizado contra a impopular reforma do sistema de pensões, uma das principais bandeiras do Governo do Presidente Nicolas Sarkozy, que a considera indispensável para a sustentabilidade da Segurança Social. "É preciso ir até ao fim, permanecer firme e continuar com modos de acção diferentes", afirmou à AFP Daniel Daumières, de 54 anos, animador sócio-cultural, um dos manifestantes que se concentraram ontem em Bordéus.
www.publico.clix.pt
Os números de adesão à quinta jornada de luta desde o início de Setembro contra o aumento da idade mínima de acesso à reforma dos 60 para os 62 anos e de adiamento da pensão completa dos 65 para os 67 foram inferiores aos da última terça-feira, mas considerados encorajadores pelos sindicatos.
Os 850 mil manifestantes da contabilidade do Governo são menos que os 899 mil que as autoridades reconheceram no protesto de 2 de Outubro, também um sábado, e os 1,2 milhões que admitiram na terça-feira passada. As centrais sindicais não coincidiram ontem na leitura dos números das 230 manifestações promovidas em dezenas de cidades e em que os jovens se incorporaram em grande número: a CGT anunciou quase três milhões de participantes, a CFDT ficou-se pelos 2,5 milhões. Ambas tinham reivindicado quase três milhões a 2 de Outubro e 3,5 milhões há cinco dias.
A tradicional disparidade nos números foi ontem mais evidente do que em ocasiões anteriores. Na maior concentração, em Paris, desfilaram 50 mil pessoas, segundo a polícia, 310 mil, de acordo com a CFDT. Em Marselha, houve 16.400 manifestantes ou 180 mil, conforme a fonte; em Bordéus 13.500 ou 130 mil; e em Toulouse 24 mil ou 125 mil.
Para o Governo - que viu na adesão de ontem uma "baixa significativa" relativamente às mobilizações anteriores -, o copo já vai meio vazio. Para os sindicatos, que tinham estabelecido como fasquia uma mobilização equivalente à de dia 2, está meio cheio. Porquê? No entender de Bernard Thibault, líder da CGT, o "movimento ancora-se e alarga-se". A opinião de Jean-Claude-Mailly, da Force Ouvrière, é de que as manifestações de ontem deixam prever "uma mobilização ainda mais forte" na próxima jornada de luta de greves e manifestações, marcada já para depois de amanhã, véspera da votação pelo Senado do projecto de reforma já adoptado pela Assembleia Nacional.
"Temos vários milhões de pessoas na rua, que nos apoiam e acreditam em nós", disse ontem, citado pela Reu- ters, o líder da CFDT, François Chérèque, em Paris. "O único bloqueio do país é o Governo." Para além das sucessivas manifestações, os sindicatos têm conseguido perturbar o estratégico sector dos transportes, particularmente os comboios, e quase fecharam a torneira do abastecimento de combustíveis.
A determinação parece bem viva entre os milhões que se têm mobilizado contra a impopular reforma do sistema de pensões, uma das principais bandeiras do Governo do Presidente Nicolas Sarkozy, que a considera indispensável para a sustentabilidade da Segurança Social. "É preciso ir até ao fim, permanecer firme e continuar com modos de acção diferentes", afirmou à AFP Daniel Daumières, de 54 anos, animador sócio-cultural, um dos manifestantes que se concentraram ontem em Bordéus.
www.publico.clix.pt
Friday, October 15, 2010
FILHO DE DIONISOS

FILHO DE DIONISOS
São cinco da manhã e eu sou um homem livre. Não há fantasmas e o mercado não me entra pelos cornos.
Tenho companheiras que me dão a mão e entendem a minha mensagem. Companheiras que procuram, como eu, a verdade e a construção do homem. Até aqui segui o caminho da solidão mas agora encontrei companheiras. Eu sabia o que estava a dizer quando afirmava que me dirigia essencialmente às mulheres. A algumas mulheres. As minhas companheiras. Talvez as minhas bacantes. Sou um filho de Dionisos que escreve e filosofa, que tem as suas fases eufóricas e as suas depressões. Que nas suas fases eufóricas produz freneticamente e é excessivo no palco e na dança. Que nas suas fases depressivas se recolhe e lê. Sim, a era de Dionisos está de volta. É preciso que as minhas companheiras o entendam. Sou filho de Dionisos. Entendei-me agora, companheiras. Isto não é apenas literatura. Isto é um novo mundo que se está a criar. Um novo mundo de caos, celebração, mas também de amor. Do amor de que falamos hoje, companheiras. Como vos amo, como sois belas, companheiras. Como queria desposar-vos agora, companheiras. Vede agora como eu sou, como sou desprendido. Sou do mundo mas nada tenho a ver com a máquina. Sou da vida. Amo-vos. Atravessai comigo o deserto. Sois capazes. Amo-vos.
VIVO

VIVO
O impulso vital. A vida. Eis o que me mantém aqui. Falar. Ouvir. Ser ouvido. Ou então isto. Escrever. Esperar que alguém leia. Ou dizê-lo publicamente. O amor. A vida. O olhar. O olhar inaugural. Como se o mundo começasse agora. O conhecimento do mundo. A ideia. O papel, a caneta. A mesa, a cerveja. Os outros que me rodeiam. O beijo, o sorriso. A luz. Dentro e fora. O ecrã. A coluna. O texto que se constrói. O homem à solta. Vivo. Pleno. Que te aguarda. Que te celebra. Tudo o que está. Tudo o que é. A bondade. As amigas que se abraçam. O mundo que assim é belo. A partilha. O brinde. O estar à mesa.
Thursday, October 14, 2010
REVOLTA NA GRÉCIA E EM FRANÇA
Grécia: Polícia reprime trabalhadores que se manifestam…Em França a greve geral continua…
Dezenas de trabalhadores gregos em situação precária manifestaram-se esta manhã em frente à Acrópole, em Atenas.
Os manifestantes exigem emprego estável e o pagamento dos salários em atraso, face à intenção do ministério em dispensá-los no fim do mês.
A polícia usou gás lacrimogéneo ( http://pt.euronews.net/2010//) para dispersar os trabalhadores, reprimindo violentamente os trabalhadores.
O governo grego anunciou, mais uma vez outras medidas, entre elas uma série de cortes nas despesas públicas e o congelamento das contratações.
A luta dos trabalhadores continua diariamente contra os variados PEC (lá como cá), que o governo lacaio (que coincidência…lá como cá…), quer impor sob os ditames da UE e do FMI.
Entretanto os trabalhadores franceses continuam a manifestarem-se nas ruas, cumprindo o 3º dia de greve geral.
Estão paralisados portos, transportes, refinarias (prevendo-se falta de combustível nas bombas de abastecimento).
Para o dia 19 de Outubro está já marcado nova jornada de luta, com mais greves e manifestações. Recordemos que estiveram em greve, mais de 3,5 milhões de trabalhadores.
Publicada por Luta Popular Online em 19:48
Dezenas de trabalhadores gregos em situação precária manifestaram-se esta manhã em frente à Acrópole, em Atenas.
Os manifestantes exigem emprego estável e o pagamento dos salários em atraso, face à intenção do ministério em dispensá-los no fim do mês.
A polícia usou gás lacrimogéneo ( http://pt.euronews.net/2010//) para dispersar os trabalhadores, reprimindo violentamente os trabalhadores.
O governo grego anunciou, mais uma vez outras medidas, entre elas uma série de cortes nas despesas públicas e o congelamento das contratações.
A luta dos trabalhadores continua diariamente contra os variados PEC (lá como cá), que o governo lacaio (que coincidência…lá como cá…), quer impor sob os ditames da UE e do FMI.
Entretanto os trabalhadores franceses continuam a manifestarem-se nas ruas, cumprindo o 3º dia de greve geral.
Estão paralisados portos, transportes, refinarias (prevendo-se falta de combustível nas bombas de abastecimento).
Para o dia 19 de Outubro está já marcado nova jornada de luta, com mais greves e manifestações. Recordemos que estiveram em greve, mais de 3,5 milhões de trabalhadores.
Publicada por Luta Popular Online em 19:48
ENLACE ZAPATISTA

4160oct
13
2010Desde Suiza e Italia, apoyando a las BAZ desplazadas y a la educación autónoma.
Desde Suiza e Italia, apoyando a la educacion autonoma
A la Otra Campaña
A la Zezta Internacional
A las Juntas de Buen Gobierno
A los medios independientes
A los pueblos del mundo en lucha
Existe un mundo en donde los niños y las niñas pueden aprender sin jerarquías impuestas, sin tener que comprar un uniforme para ir a clase, sin pagar por ello. Donde, entre juegos y canciones de lucha, aprenden junto con los más grandes a ser libres, a decidir colectivamente, a respetar a la Madre Tierra, los mayores, los hombres, las mujeres, el otro. Un mundo, un espacio, una escuelita donde los niños y las niñas pueden aprender en el mismo idioma que hablan en sus hogares; un lugar donde su cultura, usos y costumbres y la historia de los de abajo es el eje de su aprendizaje. Donde no hay maestros, sino promotores, es decir, la enseñanza es un círculo.
No es una utopía, es el Sistema de Educación Rebelde Autónomo Zapatista que con mucho esfuerzo se construyó en cientos de comunidades indígenas de Chiapas y ha educado y sigue educando en la lucha a miles de jóvenes zapatistas.
La Educación Autónoma es uno de los ejes de la autonomía zapatista, el corazón del mañana que ya se perfila. Junto con otros avances, en salud, en justicia, en trabajo, en transporte y en agroecología, la educación autónoma es parte trascendente del auto-gobierno indígena
zapatista.
Por ello, se les ataca.
La última agresión de una larga serie es concretamente contra l@s habitantes de la comunidad de San Marcos Avilés, culpables, según los partidos políticos y el mal gobierno, de querer una escuela autónoma y ser zapatistas. Es una evidente agresión no sólo a las Bases de Apoyo de dicha comunidad (y de otra, Pamala) sino que es un intento de acabar con los proyectos autonomos impulsados por el EZLN.
De San Marcos Avilés y de Pamala fueron expulsad@s 170 Bases de Apoyos Zapatistas, es decir hombres, niñ@s y mujeres que ahora viven como desplazad@s en el monte y a l@s cuales se les robaron sus pertenencias, su ganado y sus tierras. Un despojo violento concertado entre todos los partidos políticos (PRD, PRI y Verde Ecologista) y del cual hay que responsabilizar los tres niveles del mal gobierno (local, estatal y federal).
Nos sumamos a la indignación internacional que recorre el planeta ante esta nueva agresión que padecen nuestr@s herman@s zapatistas. En adelante, estaremos informando sobre la guerra de exterminio que se está dando en México en contra de las comunidades indígenas en resistencia (Chiapas, Guerrero, Oaxaca, Michoacán) y luchando, desde nuestras trincheras, con ellas.
Nos sumamos a las actividades propuestas por la “Campaña Miles de Rabias, un corazón”, así que a través de una gira por Italia y Suiza, presentando también una muestra fotografica sobre la insurreción civil de Oaxaca 2006, estaremos difundiendo, platicando, tejiendo redes en solidaridad con el EZLN, las Juntas de Buen Gobierno, l@s compas afectad@s de San Marcos Avilés y de otras comunidades indígenas de Chiapas y de México. Nuestras actividades (que incluyen volanteos, distribución de textos sobre el zapatismo y La Otra, pláticas públicas y recolección de fondos) se darán en estos lugares:
- desde el 12 al 16 de octubre en el Centro Social Molino de Lugano, Suiza.
- desde el 19 al 21 de octubre en el Centro Social Laboratorio Okupado Ska de Napoles, Italia.
- desde el 22 al 26 de octubre en el Centro Social Forte Prenestino de Roma, Italia.
- desde el 26 al 30 de octubre en el Centro Social XM24 de Bolonia, Italia.
- desde el 5 al 7 de noviembre en el Espacio Social Ocupado Cox 18 de Milan, Italia.
Además, nuestr@s compañer@s en México tomarán parte en las actividades de protesta, acopio, difusión y participarán en la caravana de solidaridad organizada por el V Foro de Solidaridad con las Comunidades Zapatistas, para darle, con nuestras modestas posibilidades, un alcance internacional a dichas iniciativas.
“La libertad es un sueño que la educación hará realidad”
Desde la Otra Europa:
Colectivo Zapatista de Lugano “Marisol” (Suiza) –
http://czl.noblogs.org/
Observatorio America Latina del centro social XM24 de Bolonia (Italia)
- http://reporter.indivia.net/
Colectivo Nodo Solidale de Roma (Italia) –
http://www.autistici.org/nodosolidale/
Wednesday, October 13, 2010
DO HOMEM À MESA
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DO HOMEM À MESA
Senta-se um homem à mesa para criar. As barbas já crescidas. O homem agora está parado mas já viveu filmes que os outros não viveram. Raramente vai ao cinema. O homem pensa. Pensa que o pensamento é tudo. Olha a mulher que balança as ancas. Pensa que a própria mulher é fruto do seu pensamento. Observa depois o céu e as nuvens. As rivalidades entre os três cafés da zona não lhe dizem respeito. Só escolheu este porque têm mais mulheres jovens. Elas são amáveis para com o homem. O homem tem uma doença. É a sua maldição mas também a sua bênção. Hoje sente um estranho contentamento. Não está eufórico. Sentou-se à mesa para criar. Às vezes cai em raciocínios primários mas não tanto como o homem comum. Sente necessidade de falar, de estar com companheiros e companheiras. Tira os óculos. A mulher jovem fala de hipocrisia. Este não é certamente o mundo que deseja. “Cada um vive no mundo que cria”, diz o outro. É um facto. Mas estão sempre a espetar-nos coisas. Quando o homem cai ficam muito poucos e muito poucas. Contudo, o próprio homem nem sempre foi verdadeiro, nem sempre foi um poço de virtudes. Ainda ontem negou a mulher louca. Foi atrás do espectáculo, da estrela, das conveniências. Não, o homem não é aquele que alguns pintam. Tem a sua maldade e precisa dela. Precisa dela para criar. No fundo, é um vaidoso, um cabotino. Sem isso não evolui, não cresce. Aliás, nunca foi o homem da lógica apesar de ser um homem de pensamento. Em várias ocasiões parecia que estava a seguir um caminho coerente, direitinho mas, de repente, há qualquer coisa que rebenta. Foi essa, tem sido essa, a história do homem. O homem do pensamento, desde criança. O homem do pensamento precisa do palco, da vaidade, da explosão. Não aguenta ficar sempre no pensamento. Mas precisa do pensamento em acção. Vive disso. Ouve as conversas. As que falam da vida, da amizade, da solidão. Da verdadeira vida. Ouve-as com toda a atenção.
DO NOVO DEUS

DO NOVO DEUS
Hoje tenho de agradecer a inspiração à D. Arminda da “Motina”. A confeitaria com rádio e sem televisão faz toda a diferença. Apesar de só ter lido o jornal, os últimos livros que li estão a fazer efeito. Sei lá, são como os comprimidos. Miller é uma pedra. Nietzsche é uma pedra. Kierkegaard é uma pedra. Hoje vejo os horizontes claramente alargados. Há dias verdadeiramente triunfais. E hoje ainda não falei com ninguém. É impressionante como um homem se sente atado e um dia se levanta às três da tarde e, sem saber porquê, a mente começa a libertar-se. Será, em parte, da doença mas acredito que só os verdadeiros criadores se sentem assim. As ideias dançam. Há uma vontade louca de me agarrar ao papel. Não tenho explicação. Sinto-me capaz de discorrer sobre qualquer tema. Tenho opiniões absolutamente lúcidas e definitivas sobre a situação política nacional e internacional. Desejo ardentemente que o orçamento não passe, que o governo caia, que o país fique a arder. Não as casas, não as pessoas mas as instituições, as bolsas, os mercados. Especialmente as bolsas e os mercados. São estes o Deus a quem (quase) todos obedecem. Não, não me peçam análises imparciais e isentas. Não me peçam para ser o filósofo de Platão. Não me compete dirigir ou governar coisa nenhuma. Neste momento sou um incendiário. É também assim, às marteladas, que se destrói o velho homem para se construir o novo. Estou lúcido. Estou absolutamente lúcido. Não me peçam moderação nem sentido de Estado. Ainda assim tenho de agradecer à D. Arminda. Não peço bolos mas estou possesso na confeitaria. Derramo tinta no papel. A tinta vive. Sinto poderes mediúnicos. Tenho iluminações. Não me peçam para adorar os mercados. Não me peçam para ser apenas mais um. Antes ser louco, antes tornar-me louco, como disse Nietzsche. Não, não conteis comigo, ó banqueiros. Não embarco na vossa viagem, como diz Morrison, ó mercadores, merceeeiros, ó políticos trapaceiros que ao novo Deus dais o cu. Não, não sou do deus a que prestais vassalagem, aos mercados. O artista falha, o artista fraqueja mas o artista não tem que obedecer a deus nenhum.
PORTUGAL E OS MERCADOS
Portugal, os “mercados” e o empobrecimento generalizado
Sócrates & Passos,
Ao serviço dos ricaços
Sumário
1. Esperança que se some, revolta que aumenta
2. A soberania que emigrou para Bruxelas, Frankfurt, para os “mercados”
3. A delegação de poderes e a hierarquia de comando
4. O PEC III, a caminho do PEC IV, com o PEC V no horizonte. E o FMI?
5. Onde estão os ricos e quantos são?
População activa e inactiva
Composição da população activa
Composição da população inactiva
Repartição do rendimento gerado – 1
Repartição do rendimento gerado - 2
Desigualdades salariais
Este e outros textos em:
http://www.scribd.com/group/16730-esquerda-desalinhada
http://www.slideshare.net/durgarrai
www.esquerda_desalinhada.blogs.sapo.pt
Sócrates & Passos,
Ao serviço dos ricaços
Sumário
1. Esperança que se some, revolta que aumenta
2. A soberania que emigrou para Bruxelas, Frankfurt, para os “mercados”
3. A delegação de poderes e a hierarquia de comando
4. O PEC III, a caminho do PEC IV, com o PEC V no horizonte. E o FMI?
5. Onde estão os ricos e quantos são?
População activa e inactiva
Composição da população activa
Composição da população inactiva
Repartição do rendimento gerado – 1
Repartição do rendimento gerado - 2
Desigualdades salariais
Este e outros textos em:
http://www.scribd.com/group/16730-esquerda-desalinhada
http://www.slideshare.net/durgarrai
www.esquerda_desalinhada.blogs.sapo.pt
Saturday, October 09, 2010
IGUAIS AOS DEUSES
IGUAIS AOS DEUSES
António Pedro Ribeiro
Acordo de madrugada. Penso que sou um rei em cima do palco. As mulheres acham-me piada e riem-se para mim. Ontem só bebi cinco cervejas. Tenho bebido muitas mais noutras noites. Pensava que depois de ter ido ao Campo Alegre as mulheres bonitas me viriam dar beijos na boca. Afinal, não. É a mesma rotina de sempre. É como um gajo em frente ao computador a teclar. Terei algo que os outros não têm. Ando na demanda do Graal, procuro os moinhos de Quixote. A anarquia vem ter comigo. Estou mesmo muito bem disposto. Poderia ter conversas espirituosas com muita gente. Fá-los-ia rir. Pelo menos não ando para aí a partir os vidros dos carros. O que até nem era má ideia. Anjo em chamas. Por onde andas? Por aí, atrás da minha loucura. Os meus berros são de louco. Cambaleio pelo palco. Faz-me falta o Henrique. Ando a ouvir as canções todas das Las Tequillas no youtube. Diz a palavra. Quero ir para o palco. O meu reino por um palco. A plateia aborrece-se, entendia-me. Sempre as pessoas normais a fazer as coisas normais. Sempre as pessoas a dizer avé-maria ao chefe, ao Sócrates, ao Cavaco. Sempre atrás do dinheiro e do estatuto social. Sempre fechadas na família. Sempre a fingir que estão bem. Sempre a criticar o parceiro do lado. Não! Não é isso que quero. Afastei-me dessa via. Não sou mesquinho, não sou merceeiro. Estou do lado da liberdade. Do lado do criador. Do bailarino. Vim para aqui de graça para criar. Assim devo continuar. Assim é o Artista. Provoco os outros. Faço-os rir. Para isso vim ao mundo. Nada a fazer. A vida não é só comer, beber e sacar dinheiro. Estamos aqui para algo de muito mais alto, de mais sublime. Estamos aqui para sermos iguais aos deuses.
António Pedro Ribeiro
Acordo de madrugada. Penso que sou um rei em cima do palco. As mulheres acham-me piada e riem-se para mim. Ontem só bebi cinco cervejas. Tenho bebido muitas mais noutras noites. Pensava que depois de ter ido ao Campo Alegre as mulheres bonitas me viriam dar beijos na boca. Afinal, não. É a mesma rotina de sempre. É como um gajo em frente ao computador a teclar. Terei algo que os outros não têm. Ando na demanda do Graal, procuro os moinhos de Quixote. A anarquia vem ter comigo. Estou mesmo muito bem disposto. Poderia ter conversas espirituosas com muita gente. Fá-los-ia rir. Pelo menos não ando para aí a partir os vidros dos carros. O que até nem era má ideia. Anjo em chamas. Por onde andas? Por aí, atrás da minha loucura. Os meus berros são de louco. Cambaleio pelo palco. Faz-me falta o Henrique. Ando a ouvir as canções todas das Las Tequillas no youtube. Diz a palavra. Quero ir para o palco. O meu reino por um palco. A plateia aborrece-se, entendia-me. Sempre as pessoas normais a fazer as coisas normais. Sempre as pessoas a dizer avé-maria ao chefe, ao Sócrates, ao Cavaco. Sempre atrás do dinheiro e do estatuto social. Sempre fechadas na família. Sempre a fingir que estão bem. Sempre a criticar o parceiro do lado. Não! Não é isso que quero. Afastei-me dessa via. Não sou mesquinho, não sou merceeiro. Estou do lado da liberdade. Do lado do criador. Do bailarino. Vim para aqui de graça para criar. Assim devo continuar. Assim é o Artista. Provoco os outros. Faço-os rir. Para isso vim ao mundo. Nada a fazer. A vida não é só comer, beber e sacar dinheiro. Estamos aqui para algo de muito mais alto, de mais sublime. Estamos aqui para sermos iguais aos deuses.
A. PEDRO RIBEIRO EM "A VOZ DA PÓVOA"

Arquivo: Edição de 21-01-2010
SECÇÃO: Cultura
Entrevista a A. Pedro Ribeiro
Poesia de Choque
A. Pedro Ribeiro nasceu no Porto, em 1968 e vive em Vilar do Pinheiro, Vila do Conde. É Licenciado em Sociologia. Foi fundador da revista literária Aguasfurtadas e colaborador de revistas e fanzines como a “Portuguesia”, “Cráse”, “Voz de Deus”, revista “Bíblia”, e “Conexão Maringá”, do Brasil. O último dos oito livros de poesia publicados tem o título, “Um Poeta no Piolho” e foi lançado em Dezembro de 2009. Pedro Ribeiro também diz poesia e faz performances poéticas e poético-musicais.
A Voz da Póvoa – Qual a razão de comemorar os 100 anos do Piolho com um livro?
A. Pedro Ribeiro – A ideia partiu do escritor Raul Simões Pinto, que me convidou a reunir os poemas escritos naquele café. Alguns poemas perderam-se, outros aparecem nos vários livros que fui publicando. Tem também poemas inéditos escritos no Piolho a partir de Junho último.
A.V.P. – Cafés como o Piolho são referências que começam a rarear nas cidades?
A.P.R. – O Piolho tem uma história de encontro de opositores ao regime, tanto da área política como artística. A tertúlia ainda se mantém viva. Já vivi naquele lugar grandes discussões literárias e políticas. O Piolho no Porto, a Brasileira em Braga, o antigo Diana Bar ou o Guarda Sol na Póvoa, são espaços que tem uma certa especificidade. Não é um lugar onde vais simplesmente beber uma cerveja ou tomar um café, tem uma história, uma vivência que vem de longe. Infelizmente alguns vão desaparecendo.
A.V.P. – A que se deve o facto de ultimamente publicar com mais regularidade?
A.P.R. – Tem a ver com o ritmo da escrita. Escrevo praticamente todos os dias e vou publicando nos meus blogs. Há sempre cinco ou dez pessoas que lêem. A partir daí faço uma selecção. Mas há sempre textos que ficam para trás e só mais tarde é que são recuperados e publicados em livro.
A.V.P. – O ritmo do espectáculo tem acompanhado o ritmo da escrita?
A.P.R. – As duas coisas estão ligadas, mas são distintas. A escrita é fundamentalmente um acto solitário, mesmo que estejas a escrever num lugar cheio de gente. Quando estou acompanhado não escrevo. Não troco um amigo por um texto ou um poema. Já o acto de estar em palco é dar alguma coisa. Não dependes só de ti, mas também das reacções do público. Boas ou más, lido com ambas.
A.V.P. – Os palcos de Paredes de Coura e do Teatro Campo Alegre, definem o poeta?
A.P.R. – Espero que sim, até porque fui dizer poemas meus e as reacções do público foram muito positivas. Talvez devido ao tipo de textos que seleccionei, com uma temática ligada à vida boémia, textos que falam do sexo, da mulher fatal, das gajas boas. São textos que resultam bem em certos sítios, para um certo público. Mas há lugares onde digo Mário Cesariny, Jim Morrison, Allen Guinsberg ou Nietzsche.
A.V.P. – Cita e recita muito Nietzsche é porque assim falava Zaratustra?
A.P.R. – Estou a ler pela quarta vez esse livro. O Nietzsche fascina-me quando fala da superação do homem, que não é este homem pequeno das mercearias, das contas, dos orçamentos, do homem económico. Como diz o padre Mário de Oliveira, o homem é afecto e espírito, ou deveria ser sobretudo isso. Mas esse homem é destruído por esta sociedade capitalista. Mas há também o homem artista, que canta que dança, que está ai.
A.V.P. – Sente que o artista deve ser cada vez mais interventivo?
A.P.R. – O artista não tem que ser como os outros e levar aquela vida regrada e certinha. Deve ir mais longe, quebrar rotinas, ser um desalinhado. As pessoas podem não estar de acordo com tudo o que tu dizes ou escreves, mas aquilo mexe com elas. Esse é o objectivo.
Saturday, October 02, 2010
AMIGOS, ESTAMOS DE VOLTA
Friday, October 01, 2010
GARCIA PEREIRA
CONTRA O “COMER E CALAR”, VAMOS À LUTA!
Como já era previsível, o governo Sócrates, após ter andado a procurar ocultar a sua verdadeira dimensão, anunciou hoje um conjunto de medidas de suposto combate ao défice e de extrema gravidade para o Povo trabalhador.
Tais medidas vão, para já, do aumento para 23% da taxa geral do IVA (que é um imposto “cego”, que atinge tanto ricos como pobres mas que, agravando os preços de muitos produtos de primeira necessidade, vai prejudicar sobretudo os mais necessitados) ao abaixamento, de 5% em média, dos salários dos trabalhadores da Função Pública (alvo fácil e sempre à mão), ao congelamento das miseráveis pensões de reforma e à diminuição dos apoios sociais como o subsídio social de inserção.
Ora, é sabido que nenhum elemento do Povo ficou a dever o que quer que seja a quem quer que seja e que o actual défice (que, recorde-se, antes das últimas eleições o Ministro Teixeira dos Santos afirmava ser de apenas 3,5% e que, só após sacados os votos, veio reconhecer que era então já cerca de 9%...) se deve, em larga medida, aos dinheiros do Orçamento de Estado (cerca de 4,5 mil milhões de euros) que foram usados para tapar os buracos do sistema financeiro causados pela gestão fraudulenta e, por outro lado, à quebra de receita fiscal, a qual, por seu turno, decorre de uma parte da economia, em especial as pequenas e médias empresas, já não aguentar a carga fiscal e de áreas cada vez mais amplas de “desfiscalidade” (ou seja, de o Estado não cobrar os impostos que devia cobrar).
O que estas medidas de Sócrates representam é que quem nada teve que ver com a criação do défice e mais sofre com a crise, ou seja, os trabalhadores por conta de outrem, os reformados e os pensionistas, os desempregados, os idosos e os doentes, é que é posto, e de forma absolutamente brutal, a pagar a crise!
O sector financeiro que no ano da plena crise económica, que foi 2009, acumulou 1.725 milhões de euros pagou de imposto sobre esses lucros fabulosos apenas 74 milhões de euros, ou seja, 4,3%. E entretanto vai buscar dinheiro emprestado ao Banco Central Europeu à taxa de 1% e depois empresta aos cidadãos e às empresas e até ao próprio Estado a taxas 4, 5 e mais vezes superiores. Os empréstimos dos bancos que operam em Portugal ao Estado Português ascendem já a 10.530 milhões, a taxas que vão dos 4,5% para os empréstimos a 4 anos a 6,4% para os empréstimos a 10 anos.
Baixar o salário, um cêntimo que seja, a quem ganha 500€, congelar as pensões de um milhão e meio de portugueses que recebem as pensões mínimas e diminuir ou dificultar os apoios a quem não tem nenhum meio de subsistência, mostra bem a natureza de classe do Governo do PS. E exige que todos nós, contra a paralisia dos Sindicatos e o marasmo dos Partidos que se dizem de esquerda, nos ergamos resolutamente em luta. Não ceder, não aceitar a canga que nos querem pôr ao pescoço e impor na rua a queda do Governo reaccionário de Sócrates é a nossa primeira e principal tarefa.
Nunca como hoje faz tanto sentido a primeira estrofe da Internacional: “De pé, ó vítimas da fome”...
http://garciapereira2009.blogspot.com
Como já era previsível, o governo Sócrates, após ter andado a procurar ocultar a sua verdadeira dimensão, anunciou hoje um conjunto de medidas de suposto combate ao défice e de extrema gravidade para o Povo trabalhador.
Tais medidas vão, para já, do aumento para 23% da taxa geral do IVA (que é um imposto “cego”, que atinge tanto ricos como pobres mas que, agravando os preços de muitos produtos de primeira necessidade, vai prejudicar sobretudo os mais necessitados) ao abaixamento, de 5% em média, dos salários dos trabalhadores da Função Pública (alvo fácil e sempre à mão), ao congelamento das miseráveis pensões de reforma e à diminuição dos apoios sociais como o subsídio social de inserção.
Ora, é sabido que nenhum elemento do Povo ficou a dever o que quer que seja a quem quer que seja e que o actual défice (que, recorde-se, antes das últimas eleições o Ministro Teixeira dos Santos afirmava ser de apenas 3,5% e que, só após sacados os votos, veio reconhecer que era então já cerca de 9%...) se deve, em larga medida, aos dinheiros do Orçamento de Estado (cerca de 4,5 mil milhões de euros) que foram usados para tapar os buracos do sistema financeiro causados pela gestão fraudulenta e, por outro lado, à quebra de receita fiscal, a qual, por seu turno, decorre de uma parte da economia, em especial as pequenas e médias empresas, já não aguentar a carga fiscal e de áreas cada vez mais amplas de “desfiscalidade” (ou seja, de o Estado não cobrar os impostos que devia cobrar).
O que estas medidas de Sócrates representam é que quem nada teve que ver com a criação do défice e mais sofre com a crise, ou seja, os trabalhadores por conta de outrem, os reformados e os pensionistas, os desempregados, os idosos e os doentes, é que é posto, e de forma absolutamente brutal, a pagar a crise!
O sector financeiro que no ano da plena crise económica, que foi 2009, acumulou 1.725 milhões de euros pagou de imposto sobre esses lucros fabulosos apenas 74 milhões de euros, ou seja, 4,3%. E entretanto vai buscar dinheiro emprestado ao Banco Central Europeu à taxa de 1% e depois empresta aos cidadãos e às empresas e até ao próprio Estado a taxas 4, 5 e mais vezes superiores. Os empréstimos dos bancos que operam em Portugal ao Estado Português ascendem já a 10.530 milhões, a taxas que vão dos 4,5% para os empréstimos a 4 anos a 6,4% para os empréstimos a 10 anos.
Baixar o salário, um cêntimo que seja, a quem ganha 500€, congelar as pensões de um milhão e meio de portugueses que recebem as pensões mínimas e diminuir ou dificultar os apoios a quem não tem nenhum meio de subsistência, mostra bem a natureza de classe do Governo do PS. E exige que todos nós, contra a paralisia dos Sindicatos e o marasmo dos Partidos que se dizem de esquerda, nos ergamos resolutamente em luta. Não ceder, não aceitar a canga que nos querem pôr ao pescoço e impor na rua a queda do Governo reaccionário de Sócrates é a nossa primeira e principal tarefa.
Nunca como hoje faz tanto sentido a primeira estrofe da Internacional: “De pé, ó vítimas da fome”...
http://garciapereira2009.blogspot.com
Tuesday, September 28, 2010
O BIG BROTHER E OS MACACOS
Big Brother is Watching You". George Orwell no seu esplendor. Contas bancárias vigiadas, todos os passos vigiados, um fiscal em cada esquina. Só falta pagar o ar. À parte uns lampejos de liberdade controlada, que homem é este que estamos a criar? Um homem servil, cheio de medo e, por isso, cheio de invejas e ressentimentos. Um homem pessimista, niilista, o homem da "grande náusea face ao homem" que Nietzsche descreve magistralmente em "Para a Genealogia da Moral". Um homem que não cresce, que não evolui, que se agarra á carteira e à moral do mercado e da mercearia. Um homem mesquinho, pequeno, que se vai adaptando, que vai sobrevivendo, que vai vigiando e maldizendo os seus pares, que não suporta o homem livre, nobre, criador porque o inveja. Chega mesmo ao ponto de se colocar ao lado daqueles que o roubam, que o saqueiam, que o empurram ainda mais para baixo. Não, não é com um homem (e uma mulher) assim que construimos a vida. Não é com macacos vigilantes e mercadores que chegamos às alturas.
Tuesday, September 21, 2010
JOANA TENS UM
JOANA TENS UM
Joana
António
Amores algures
Viagens
Dentro do T1
Bonecas de porcelana
Corridas de F1
Joana
À porta do Centro de Emprego
Ofertas de caramelos
Desertos camelos
Minka a linkar
Ébrio 29
Cristo
Nietzsche
Sade
A gemer de sede
Maria Modivas Vila do Conde
Torpedo portento a rebentar
Joana
Pedro
16,30 H
Porteiro ponteiro a controlar
Na pastelaria onde o César come
Onde o César dorme Augusto
De caneta em punho
Punhos no nariz que sangra
Jesus na cruz
Madalenas à solta
Margaridas às voltas
Na Ribeira na Sé
No site nas quintas do Ribeiro
Nos Autos de Fé
Á porrada com os máfias
Puta madre sierra madre sierra maestra
Com o Che com Chávez na Venezuela
Na Colômbia na Argentina no galo no Peru
Dar-te flores cravos Abril
Orquídea selvagem
Na minha garagem
Cocktail molotov no armazém
Maio de 68
Paris Roma Funchal
Quartel infernal
Direcção regional
Comité central
Mistério ministério
Armada professora em Almada
Maria, foge já
Com o António
Irmão camarada Lisboa Rua do Carmo
Mães de Maio na praça
Na TV nos jornais em Mombaça
No alto da torre de controle
Sincero-canta
Tu em mim
No Auto da Barca
No alto da arca
Sexo na praia na arca frigorífica
Braga Cátia S. Marcos
Hospital
Entrar na foto
Sair do esgoto
Rato roto na rata
Apanhar o susto
Busto mamas mini-saia
Encherto de porrada
Rui rei da imagem
Na Avenida dos Banhos
Satanás à solta
A jogar à lerpa com Deus e Alá
A caminho de Meca tanto dá
A comer suecas
Copas dinamarquesas
IVA a 21%
Um clic em Copenhaga
Parafusos na tola
Que rola e enrola
Como a pasta a circular
Ana Maria sem trabalho
Mais um puto para o caralho
Bilhetes na central ao preço do carvalho
Braga Porto Póvoa
Gonçalo Cristóvão
Putas travestis marinheiros
Roubos de igreja
Extravio de telemóvel
A PT dentro do cu do conde
Anarca alucinado
Um broche ao Estado!
266 Câmara Municipal
O vigilante controla o andante
Mão na coima
António Ribeiro no Chiado
A descer a rua do Carmo
Internet Minka mocada
Basta! Diz o Senhor do Vale
A caminho do Carnaval
Morte aos bancos!
Apesar da simpatia
Apesar da fantasia Sapataria
Bárbara Fernanda
Caminho de néon…bom…bom…
Amazonas…boazonas…
Come…come…come, baby…
UH, baby, baby, baby,
Canta o Plant
Rega a planta
Estórias da noite
Maria Carvalho na serra
À cata de papéis
Rata que mata
Rostos de álcool
0% para os pensionistas rotos
E a Alexandra Bento bebe água benta
Em S. Bento
Anda
Joana
Vem comigo
Até ao inferno
Terno fogo
Anda
Rosa
Amar o artista
Que vem do norte
Do burgo
De S. Petersburgo
Do frio do gelo da fonte
Dos icebergs dos vikings dos géisers
Da Islândia da Gronelândia
Vem,
Mulher,
Em Maio em Abril
Ao Gerês
À cena que vês
Acabar de vez
Com este fado!
Vilar do Pinheiro, “Motina”, 24/25 Abril 2006
Joana
António
Amores algures
Viagens
Dentro do T1
Bonecas de porcelana
Corridas de F1
Joana
À porta do Centro de Emprego
Ofertas de caramelos
Desertos camelos
Minka a linkar
Ébrio 29
Cristo
Nietzsche
Sade
A gemer de sede
Maria Modivas Vila do Conde
Torpedo portento a rebentar
Joana
Pedro
16,30 H
Porteiro ponteiro a controlar
Na pastelaria onde o César come
Onde o César dorme Augusto
De caneta em punho
Punhos no nariz que sangra
Jesus na cruz
Madalenas à solta
Margaridas às voltas
Na Ribeira na Sé
No site nas quintas do Ribeiro
Nos Autos de Fé
Á porrada com os máfias
Puta madre sierra madre sierra maestra
Com o Che com Chávez na Venezuela
Na Colômbia na Argentina no galo no Peru
Dar-te flores cravos Abril
Orquídea selvagem
Na minha garagem
Cocktail molotov no armazém
Maio de 68
Paris Roma Funchal
Quartel infernal
Direcção regional
Comité central
Mistério ministério
Armada professora em Almada
Maria, foge já
Com o António
Irmão camarada Lisboa Rua do Carmo
Mães de Maio na praça
Na TV nos jornais em Mombaça
No alto da torre de controle
Sincero-canta
Tu em mim
No Auto da Barca
No alto da arca
Sexo na praia na arca frigorífica
Braga Cátia S. Marcos
Hospital
Entrar na foto
Sair do esgoto
Rato roto na rata
Apanhar o susto
Busto mamas mini-saia
Encherto de porrada
Rui rei da imagem
Na Avenida dos Banhos
Satanás à solta
A jogar à lerpa com Deus e Alá
A caminho de Meca tanto dá
A comer suecas
Copas dinamarquesas
IVA a 21%
Um clic em Copenhaga
Parafusos na tola
Que rola e enrola
Como a pasta a circular
Ana Maria sem trabalho
Mais um puto para o caralho
Bilhetes na central ao preço do carvalho
Braga Porto Póvoa
Gonçalo Cristóvão
Putas travestis marinheiros
Roubos de igreja
Extravio de telemóvel
A PT dentro do cu do conde
Anarca alucinado
Um broche ao Estado!
266 Câmara Municipal
O vigilante controla o andante
Mão na coima
António Ribeiro no Chiado
A descer a rua do Carmo
Internet Minka mocada
Basta! Diz o Senhor do Vale
A caminho do Carnaval
Morte aos bancos!
Apesar da simpatia
Apesar da fantasia Sapataria
Bárbara Fernanda
Caminho de néon…bom…bom…
Amazonas…boazonas…
Come…come…come, baby…
UH, baby, baby, baby,
Canta o Plant
Rega a planta
Estórias da noite
Maria Carvalho na serra
À cata de papéis
Rata que mata
Rostos de álcool
0% para os pensionistas rotos
E a Alexandra Bento bebe água benta
Em S. Bento
Anda
Joana
Vem comigo
Até ao inferno
Terno fogo
Anda
Rosa
Amar o artista
Que vem do norte
Do burgo
De S. Petersburgo
Do frio do gelo da fonte
Dos icebergs dos vikings dos géisers
Da Islândia da Gronelândia
Vem,
Mulher,
Em Maio em Abril
Ao Gerês
À cena que vês
Acabar de vez
Com este fado!
Vilar do Pinheiro, “Motina”, 24/25 Abril 2006
Wednesday, September 08, 2010
MANIFESTO POR UM PAÍS LIVRE DE POBRES
MANIFESTO POR UM PAÍS LIVRE DE POBRES
MANIFESTO POR UM PAÍS LIVRE DE POBRES
POBRES, NÃO! ESTRANGEIROS, NUNCA! ANARQUISTAS, JAMAIS!
Acabou, finalmente, a pobreza, a pedincha e a anarquia dos mesmos de sempre.
Nasce uma Nova Sociedade, inspirada pelo pequeno grande Sarkozy e regida pela ciência aritmética dos mercados, pelas inspiradas leis da indústria, comércio e finança!
Agora, todos os pobres, todos os estrangeiros, os anarquistas, iconoclastas, ateus, revoltosos e inadaptados terão um rumo a seguir. Criaremos novas normas, uma nação nova, leis que todos terão de seguir, de forma ordeira e exemplar, segundo o modelo 2177-A do Diário da Republica - IIª série. Os pobres, os estrangeiros, os anarquistas e os demais, serão examinados cuidadosamente nos Laboratórios da Direcção Geral dos Assuntos Fiscais, para avaliar do seu estado físico, mental e, sobretudo, financeiro.
Os que merecerem a aprovação dos Serviços serão devidamente normalizados, desinfectados e hermeticamente fechados!
O critério fundamental para a aprovação prende-se com a saúde financeira de cada espécimen, de acordo com as seguintes regras:
1 – Só é permitida a estadia em Portugal, aos estrangeiros com emprego, que não tenham dívidas de qualquer espécie, como por exemplo, renda de casa, merceeiro, água, luz, telefone, prestações de carro e electrodomésticos. Também incorrem em expulsão os indivíduos de nacionalidade estrangeira que procurem eximir-se ao pagamento do transporte colectivo, da quota do seu clube de futebol ou qualquer outro pagamento.
2- Todos os pobres nacionais que não tenham emprego, ou incorram em dívidas descritas no ponto 1, perderão a nacionalidade portuguesa.
3 – Não é permitida a estadia em Portugal a indivíduos sem nacionalidade definida.
4 – Todos os anarquistas, iconoclastas, ateus, revoltosos e inadaptados, serão submetidos a exames periódicos por parte do Observatório de Segurança.
5 – Todos os indivíduos referidos em 4, que não corresponderem aos parâmetros estabelecidos pelo Observatório de Segurança, particularmente por representarem um perigo para a ordem pública e a tranquilidade dos espíritos ou se revelarem pobres, perderão a nacionalidade portuguesa.
Todos os indivíduos que sejam expulsos do país, terão direito a uma passagem de avião, só de ida.
Os processos de expulsão democrática serão integrados num nível de gestão industrial, organizada e gerida como uma fábrica de enchidos!!!
Expulsões sim; mas muito humanas, com licença e autorização.
Expulsões, sim; mas homologadas pela ASAE e restantes organismos oficiais
Expulsemos os pobres, os heréticos, os anarquistas e demais espécimen deste tipo e marchemos, cantando e rindo, com as carteiras recheadas!
Mais uma vez daremos o exemplo ao mundo. Construiremos um mundo asséptico e inodoro, onde não cabem os pobres, os estrangeiros se forem pobres, e todos os revoltosos. Todos aqueles que não dão garantias de solvabilidade não interessam à nossa Pátria.
Todos terão de se submeter às leis supremas do mercado.
Só importam os úteis, produtivos e rentáveis!!!
DIRECÇÃO GERAL DA COLONIZAÇÃO DAS MENTES
MANIFESTO POR UM PAÍS LIVRE DE POBRES
POBRES, NÃO! ESTRANGEIROS, NUNCA! ANARQUISTAS, JAMAIS!
Acabou, finalmente, a pobreza, a pedincha e a anarquia dos mesmos de sempre.
Nasce uma Nova Sociedade, inspirada pelo pequeno grande Sarkozy e regida pela ciência aritmética dos mercados, pelas inspiradas leis da indústria, comércio e finança!
Agora, todos os pobres, todos os estrangeiros, os anarquistas, iconoclastas, ateus, revoltosos e inadaptados terão um rumo a seguir. Criaremos novas normas, uma nação nova, leis que todos terão de seguir, de forma ordeira e exemplar, segundo o modelo 2177-A do Diário da Republica - IIª série. Os pobres, os estrangeiros, os anarquistas e os demais, serão examinados cuidadosamente nos Laboratórios da Direcção Geral dos Assuntos Fiscais, para avaliar do seu estado físico, mental e, sobretudo, financeiro.
Os que merecerem a aprovação dos Serviços serão devidamente normalizados, desinfectados e hermeticamente fechados!
O critério fundamental para a aprovação prende-se com a saúde financeira de cada espécimen, de acordo com as seguintes regras:
1 – Só é permitida a estadia em Portugal, aos estrangeiros com emprego, que não tenham dívidas de qualquer espécie, como por exemplo, renda de casa, merceeiro, água, luz, telefone, prestações de carro e electrodomésticos. Também incorrem em expulsão os indivíduos de nacionalidade estrangeira que procurem eximir-se ao pagamento do transporte colectivo, da quota do seu clube de futebol ou qualquer outro pagamento.
2- Todos os pobres nacionais que não tenham emprego, ou incorram em dívidas descritas no ponto 1, perderão a nacionalidade portuguesa.
3 – Não é permitida a estadia em Portugal a indivíduos sem nacionalidade definida.
4 – Todos os anarquistas, iconoclastas, ateus, revoltosos e inadaptados, serão submetidos a exames periódicos por parte do Observatório de Segurança.
5 – Todos os indivíduos referidos em 4, que não corresponderem aos parâmetros estabelecidos pelo Observatório de Segurança, particularmente por representarem um perigo para a ordem pública e a tranquilidade dos espíritos ou se revelarem pobres, perderão a nacionalidade portuguesa.
Todos os indivíduos que sejam expulsos do país, terão direito a uma passagem de avião, só de ida.
Os processos de expulsão democrática serão integrados num nível de gestão industrial, organizada e gerida como uma fábrica de enchidos!!!
Expulsões sim; mas muito humanas, com licença e autorização.
Expulsões, sim; mas homologadas pela ASAE e restantes organismos oficiais
Expulsemos os pobres, os heréticos, os anarquistas e demais espécimen deste tipo e marchemos, cantando e rindo, com as carteiras recheadas!
Mais uma vez daremos o exemplo ao mundo. Construiremos um mundo asséptico e inodoro, onde não cabem os pobres, os estrangeiros se forem pobres, e todos os revoltosos. Todos aqueles que não dão garantias de solvabilidade não interessam à nossa Pátria.
Todos terão de se submeter às leis supremas do mercado.
Só importam os úteis, produtivos e rentáveis!!!
DIRECÇÃO GERAL DA COLONIZAÇÃO DAS MENTES
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