A ILÍADA NO VELVET
Mas o poema sobre o qual eu gostaria de me deter é o intitulado "A Ilíada no Velvet" , talvez o melhor do livro e onde se misturam aquelas que me parecem ser as três linhas de força da poesia de A. Pedro Ribeiro: a iconoclasta (que elege como alvos a sociedade em geral, a política, a religião, os costumes, o senso comum, etc), a surrealizante, de celebração dionisíaca, que eu prefiro chamar de xamanística, dado o cenário mental de "trip" e o ascendente da geração "beat" e, finalmente, a veia irónica, da auto-irrisão implacável, que, quanto a mim, está na base dos melhores poemas deste livro, como já acontecia no anterior "Saloon". Falo dos poemas nos quais um olhar gasto, estóico e céptico faz as vezes de um holofote discreto que, a partir da extremidade de um balcão ou de uma mesa de café, vai incidindo no vai-vem dos fregueses que entram e saem, e se sentam e falam e levantam, vai-vém que se cruza e mistura até à indistinção com o estado mental do sujeito que faz uma análise desassombrada de si mesmo: não só da sua condição existencial mas também, ou sobretudo, da sua condição de poeta e até do seu contexto físico, corpóreo, o das necessidades básicas- onde se inclui a financeira: "Ao que parece, nada se vai passar até às 6/ nem tão pouco conversas com putas, travestis/ e amigos das putas que nos oferecem poemas/ e são membros da Junta de Freguesia/ Só putos e tédio/ não há rock nada rola/ e a menina bonita não está/ não vai estar mais/ Deveria ter ido para casa/- dizem a moral e o bom senso".
É também nesta família de poemas que se revela melhor o enorme talento irónico de A. Pedro Ribeiro, capaz de uma ironia de "Caranguejola", como a de Sá-Carneiro, sossegada à superfície, até terna, por vezes, mas escondendo, no fundo, uma extrema violência e revolta.
Rui Lage
Thursday, November 05, 2009
Tuesday, November 03, 2009
MERCADO MATRIMONIAL

Estou mal colocado no mercado matrimonial
não tenho salário
não tenho emprego
não tenho dinheiro
As mulheres até olham para mim
o pior é depois
não tenho cartão de visita
nada tenho para oferecer
estou mal colocado no mercado matrimonial
Hoje excepcionalmente tenho dinheiro
e estou a gastá-lo em vinho
sabe bem beber outro e mais outro
e o empregado a trazê-los
satisfeito com o cliente
mas continuo mal colocado no mercado matrimonial
ou talvez não
até porque já fiz a boa acção de hoje
dei dois euros para a "Cais"
Hoje é à grande e à francesa
vou embebedar-me sozinho
antes de apanhar o metro
em vez de fugir das pessoas
vou procurá-las
vou emborrachar-me antes da Santa Páscoa
em vez de estar sempre a contar os trocos
e o Do Vale aparece
a caminho de Braga
Bom Jesus
Cidade Santa
SAnta como a Katiucha
e o Do Vale reentra
e comenta a minha escrita
Finalmente há alguém que comenta a minha escrita
no acto da escrita
quando elas doem
quando elas vêm
quando elas se vêm
e os putos espanhóis revezam-se no fumo
e o jogo nunca mais acaba
e até vem a menina dos olhos
que realmente nunca conheci
e o mundo não acaba aqui
e até me acham piada
por eu beber uns copos.
Monday, November 02, 2009
A ODISSEIA NA PADEIRINHA

Ah! Afinal tens sentido de humor
não opinas sobre o Saramago
mas tens sentido de humor
até fazes retardar o metro
para Vila do Conde
afinal, até parece
que és descomprometida
sei lá
isso também não interessa
nos dias que correm
por ti até escrevo
a "Odisseia na Padeirinha"
dá-me motivos
~para lá das tuas mamas
também não te vou
mostrar estes poemas
senão ficavas escandalizada
agora conversas animadamente
com a cliente
afinal até tens alma
e levantas-te às seis da manhã
e vens fresca e boa para aqui
e atendes toda a gente
e agora aparecem os putos
vestidos de diabos´
para o "Halloween"
só os putos é que se mascaram
as outras falam do tempo
e eu prossigo a "Odisseia"
antes de ir a Vila do Conde
ter com uma gaja
antes de acabar esta cerveja
não sou um trabalhador como tu
nem tenho que ser
existo para vir ao café
para olhar para ti
para o teu cu
e para as tuas mamas
é esta a missão do poeta
é isso que me faz escrever
e a noite cai
prefiro a noite ao dia
até vou beber mais uma
não há dúvida que tenho
coisas absolutamente originais
só faltava agora um gajo
chegar à minha beira e dizer,
um gajo místico e profético:
"Toma, aqui tens um milhão de euros,
faz deles a revolução,
faz deles o que quiseres!"
A verdade, gaja, é que me fazes escrever
vai sair mais um épico
o camelo é que nunca mais sai
sempre gosto mais de te ouvir rir
olho para as horas
são seis horas
é tempo de partir.
O HOMEM EM FRENTE AO COPO

Bebo e limito-me a beber
já nem tento ler
é só a cerveja à minha frente
a arder
à espera da hora do ensaio
nem sequer consigo
escrever coisas interessantes
bebo e limito-me a beber
a isto me resumo
as minhas amigas estão distantes
nem sequer v~em assistir
aos meus espectáculos
e eu limito-me a permanecer aqui
em frente ao copo
não há aqui magia
nem alquimia
é apenas o homem em frente ao copo
Bebo e limito-me a beber
não me peçam grandes discursos filosóficos
poemas homéricos
limito-me a escrever
o que me passa na cabeça
a cada instante
sou o homem que bebe
e renasce
a cada copo
já nem sequer
tenho a força de outrora
apenas permaneço.
"Petúlia", 28.10.2009
Friday, October 30, 2009

“Nestes tempos de crise das bolsas, dos bancos, dos negócios, nestes tempos de falência, de desemprego em massa, em que a vida perde o seu valor, a mensagem de Nietzsche e de Jim Morrison ganha uma actualidade única. Ao homem-mercadoria, ao homem-percentagem, ao homem-número, ao homem vencido, há que opôr o homem criador, o homem que diz sim à vida, não à vidinha da submissão, não à vidinha da rotina, não à vidinha do rebanho, mas sim à vida plena, à vida alegre, à vida autêntica. É possível passar do sub-homem ao super-homem se acreditarmos que, como disse Jim Morrison, isto não passa de um jogo, de um jogo imbecil. Se num desafio de futebol um jogador, uma estrela qualquer, decidir, de repente, pontapear a bola para fora e, pura e simplesmente, abandonar o campo toda a gente vai dizer: ponham esse palhaço na rua! Mas ele responde: ora, isto não passa de um jogo, da merda de um jogo, não sei porque lhe dão tanta importância. E o que temos de fazer é isso: abandonar o jogo, deixar que façam de nós escravos, imbecis. Temos de fazer alguns sacrifícios, seguir a nossa via ("solitário, segue o caminho que conduz a ti mesmo", diz Nietzsche), descurar a sobrevivência, abandonar a máquina mas o ganho será muito superior: tornar-nos-emos livres, poetas, filósofos, super-homens. Temos de nos juntar, fazer a revolução, mas não uma mera revolução política como a de 1917, como a de 25 de Abril, uma revolução global do espírito, das consciências. Teremos de ser até algo irracionais contra a pretensa racionalidade das bolsas, dos bancos, das empresas, da economia. TEmos de derrubar todos os governos. Destruir para construir. Começar do zero. Não ouçamos os jogos eleitoralistas e tácticos dos partidos políticos, dos sindicatos e das outras organizações. Sejamos nietzscheanos, morrisonianos. Punhamos à prova os limites da realidade. SEjamos doidos! Sejamos poetas! Superemos o homem, superemos o real. Construamos a vida. Sejamos afirmadores da vida. Afastemos a morte! Afastemos Deus, o capital e o dinheiro! Brindemos a Dionisos. Construamos o Céu na Terra, o Paraíso na Terra. O mundo é nosso. Não há regras. Não há limites. Queimemos o dinheiro! Queimemos a economia! Calemos para sempre os economistas. Sejamos, como disse Nietzsche, "decifradores de enigmas". Tornemo-nos deuses em vez de carneiros. Demos caos ao caos.” A. Pedro Ribeiro
Thursday, October 29, 2009
SOU APENAS AS LETRAS
este é o caminho é entrar nem sequer bato punhetas hoje o espectáculo esteve a matar este é o caminho é entrar gajas boas a apresentar gajas boas a rodear este é o caminho é entrar acredito na vida acredito no rock n' roll o público acha graça antes que caia em desgraça já estoirei hoje estou em casa a celebrar mesmo que diga maluquices não há problema este é o caminho é entrar joy division quero a minha namorada quero a minha namorada estou a arder quero a minha namorada onde está ela no comité central? onde vai ela vou apanhá-la este é o caminho é entrar, minha gente nau catrineta vou estoirar um abraço ao gesta vou aterrar.
Tuesday, October 27, 2009
O GRAAL
Origem - A etimologia da palavra Graal é um tanto duvidosa, mas costuma-se considerá-la como oriunda do latim gradalis - cálice. Com o brilho resplandecente das pedras sobrenaturais, o Graal, na literatura, às vezes aparece nas mãos de um anjo, às vezes aparece sozinho, movimentando-se por conta própria; porém a experiência de vê-lo só poderia ser conseguida por cavaleiros que se mantivessem castos. Transportado para a história do Rei Arthur, onde nasce o mito da taça sagrada, encontramos o rei agonizante vendo o declínio do seu reino. Em uma visão, Arthur acredita que só o Graal pode curá-lo e tirar a Bretanha das trevas. Manda então seus cavaleiros em busca do cálice, fato que geraria todas as histórias em torno da Busca do Graal. É interessante notar que a água é uma constante na história de Arthur. É na água que a vida começa, tanto a física como a espiritual. Arthur teria sido concebido ao som das marés, em Tintagel, que fica sob o castelo do Duque da Cornualha; tirou a Bretanha das mãos bárbaras em doze batalhas, cinco das quais às margens de um rio; entregou sua espada, Excalibur, ao espírito das águas e, ao final de sua saga, foi carregado pelas águas para nunca mais morrer. Certo de que sua hora havia chegado, Arthur pede a Bedivere que o leve à praia, onde três fadas (elemento ar) o aguardam em uma barca. "Consola-te e faz quanto possas porque em mim já não existe confiança para confiar. Devo ir ao vale de Avalon para curar a minha grave ferida", diz o rei. Avalon é a mítica ilha das macieiras onde vivem os heróis e deuses celtas e onde teria sido forjada a primeira espada de Arthur - Caliburnius. Na Cornualha, o nome Avalon - que em galês refere-se à maçã - é relacionado com a festa das maçãs, celebrada durante o equinócio de outono. Acreditam alguns que Avalon é Glastonbury, onde tanto Arthur quanto Guinevere teriam sido enterrados. A abadia de Glastonbury, onde repousaria o casal, é tida também como o lugar de conservação do Graal.
Monday, October 26, 2009
UM POETA NO SAPATO

Local: Teatro do Campo Alegre
Horário: 22:00h
Município: Porto
Ficha Técnica: Espectáculo para maiores de 16 anos. As "Quintas de leitura" vão pegar fogo. Eles são quatro vozes fulgentes, irreverentes, alucipantes, da poesia portuguesa contemporânea: António Pedro Ribeiro, Daniel Jonas, João Rios e Nuno Moura. Durante quarenta minutos, ler-nos-ão os seus poemas incendiários, eivados de amor e humores de todas as cores.
Promotor: Porto
Temática: Etc
Ciclo: Quintas de Leitura
Início:
2009-10-29
Fim:
2009-10-29
Thursday, October 22, 2009
O POEMA DO HOMEM SENTADO À MESA

Este é o poema
do homem sentado à mesa
do homem que já cá está
desde as cinco da tarde
são oito agora
e o homem não vai embora
já cá estiveram
os amigos do homem
a tratar do livro
com o gerente
os amigos foram
o homem permanece
sente-se em casa
sente-se com a sua gente
o homem do livro
o homem presente
não há aqui segredo
nem qualquer transcendente
é apenas o homem
com a cerveja à frente
limita-se a escrever
o que lhe vem à mente
o homem do livro
o homem crente
este é o poema
do homem sentado à mesa
do homem que observa
e não se mexe
já se imaginava assim
aos quinze anos
o homem das ideias
o homem que permanece
nem sempre o poema
sai de enfiada
mas o homem não desespera
o homem não se enfada
o homem só quer
ficar sem fazer nada.
"Piolho", 21.10.2009
DEUS E SARAMAGO

José Saramago tem razão. O Deus da Bíblia, sobretudo o do Antigo Testamento, é um deus cruel, vingativo que está sempre a ameaçar com dilúvios, catástrofes, fins do mundosó porque fazemos umas asneiras. Mas é bom que se ponha a questão de Deus em cima da mesa. Como em Atenas, como em Florença, como na Renascença. É bom que se discuta tudo, que não haja temas-tabu. Sobretudo a questão essencial, a questão da criação. Deus expulsou-nos do Paraíso, deu-nos o dilúvio, arrasou Sodoma e Gomorra. É preciso discutir Deus. Pôr em causa Deus, a vida, tudo. Começar do zero. Até porque Deus vende livros.
QUEIMAI O DINHEIRO NA BIBLIOTECA DE VILA DO CONDE
O livro "Queimai o Dinheiro" (Corpos Editora) de A. Pedro Ribeiro vai ser apresentado na Biblioteca José Régio, em Vila do Conde, na próxima sexta, dia 23, pelas 21,30 h. A apresentação do livro vai estar a cargo do escritor Valter Hugo Mãe.
Queimai o Dinheiro" é uma mescla de poesias e prosas que falam do dinheiro elevado a deus supremo, do homem reduzido às operações da bolsa e do mercado mas também do amor e da liberdade como últimos redutos da subversão.
A. Pedro Ribeiro nasceu no Porto em Maio de 1968 e reside actualmente em Vilar do Pinheiro (Vila do Conde). Além de "Queimai o Dinheiro", publicou os livros de poesia "Um Poeta a Mijar" (Corpos, 2007), "Saloon" (Edições Mortas, 2007), "Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro" (Objecto Cardíaco, 2006), "Sexo, Noitadas e Rock n' Roll" (2003), "Á Mesa do Homem Só" (Silêncio da Gaveta, 2001) e "Gritos. Murmúrios" (com Rui Soares, 1988). Participou em várias revistas ou colectâneas como "Portuguesia", "Aguasfurtadas", "Bíblia", "Sinismo" ou "Conexão Maringá" (Brasil) e foi fundador da revista literária "Aguasfurtadas".
http://www.corposeditora.com/site/default.asp
http://www.pimentanegra.blogspot.com
Queimai o Dinheiro" é uma mescla de poesias e prosas que falam do dinheiro elevado a deus supremo, do homem reduzido às operações da bolsa e do mercado mas também do amor e da liberdade como últimos redutos da subversão.
A. Pedro Ribeiro nasceu no Porto em Maio de 1968 e reside actualmente em Vilar do Pinheiro (Vila do Conde). Além de "Queimai o Dinheiro", publicou os livros de poesia "Um Poeta a Mijar" (Corpos, 2007), "Saloon" (Edições Mortas, 2007), "Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro" (Objecto Cardíaco, 2006), "Sexo, Noitadas e Rock n' Roll" (2003), "Á Mesa do Homem Só" (Silêncio da Gaveta, 2001) e "Gritos. Murmúrios" (com Rui Soares, 1988). Participou em várias revistas ou colectâneas como "Portuguesia", "Aguasfurtadas", "Bíblia", "Sinismo" ou "Conexão Maringá" (Brasil) e foi fundador da revista literária "Aguasfurtadas".
http://www.corposeditora.com/site/default.asp
http://www.pimentanegra.blogspot.com
Wednesday, October 21, 2009
JOSÉ SARAMAGO TEM RAZÃO
José Saramago apresentou-se hoje perante os jornalistas para uma conferência de imprensa de apresentação do seu novo livro "Caim". O Nobel da literatura acabou por reconhecer que foram as suas declarações em Penafiel que suscitaram "incompreensões" e "ódios velhos" e não o seu último livro.Comentar Artigo Aumentar a fonte do texto do Artigo Diminuir a fonte do texto do Artigo Ouvir o texto do Artigo em formato �udio O escritor José Saramago fez ao início da tarde de hoje a apresentação do seu último livro que tanta polémica tem suscitado desde que o Nobel da Literatura se deslocou a Penafiel no passado Domingo onde o seu último trabalho foi apresentado.
Saramago começou por lamentar que "Caim" tenha suscitado "incompreensões" e "ódios velhos", um "alvoroço" não suscitado pelo livro, mas pelas declarações por si proferidas na apresentação do livro em Penafiel.
"Desperto muitos anti-corpos" disse o escritor que com ironia referiu ser este o "livro que mais se tem falado apesar de não ter sido lido", uma situação que qualificou de "magia e quase milagre" por "se ter dito tanto sobre um livro que não leram".
"É obra!", disse José Saramago que considera "magia" e "quase um milagre que certos sectores tenham conseguido dizer tanto em relação a um livro que não leram".
Saramago diz que não escreve para ser polémico e recusou as acusações da Conferência Episcopal Portuguesa de que as declarações que fez em Penafiel fazem parte de uma operação publicitária e acrescenta que "todo este alvoroço se levantou não por causa do livro mas por umas quantas palavras que eu disse em Penafiel. O curioso é que não disse nada que as pessoas não saibam".
Saramago não escreve sobre o Corão
Com polémica ou não Saramago reafirmou que na Bíblia há "crueldade, há incestos, há violência de todo o tipo, há carnificinas. Isto é indesmentível" e sobre a acusação de ter feito uma interpretação literal do texto bíblico, os escritor referiu que "aquilo que eles querem e não conseguem é colocar ao lado de cada leitor da Bíblia um teólogo que dissesse à pessoa que aquilo não é assim, que há que fazer uma interpretaçao simbólica, a isto chamam a exegese. (...) Eu sou suficientemente ingénuo para ler aquilo que esta lá e é sobre aquilo que está lá que eu trabalho".
Desde que o livro foi apresentado, em Penafiel no passado domingo, foram muitas as reacções e uma delas, do eurodeputado do PSD Mário David, que incitou Saramago a abdicar da cidadania portuguesa, o escritor limitou-se a ironizou com o assunto: "Imagina que eu vou fazer algum comentário sobre isso? É evidente que não."
Já sobre a hipótese do Nobel da Literatura vir a escrever sobre o Corão, a resposta foi rápida: "Tenho mais que fazer, estou a escrever outro livro. Espero que para o próximo ano haja novo livro de José Saramago".
A polémica instalou-se desde domingo passado após as declarações de José Saramago sobre o seu último livro, "Caim", declarações que não caíram bem no seio da igreja católica e que, desde logo, foram veementemente repudiadas.
José Saramago voltou a referir-se a este tema e ao seu livro numa conferência de imprensa convocada para Alfragide, nas instalações do Grupo Leya, de que faz parte a editora Caminho, a histórica editora do autor.
O livro "Caim", lançado em Penafiel no domingo passad, já está nas livrarias desde segunda-feira passada, ao mesmo tempo que edições em castelhano e catalão foram postas à venda, tal como a edição brasileira
Saramago começou por lamentar que "Caim" tenha suscitado "incompreensões" e "ódios velhos", um "alvoroço" não suscitado pelo livro, mas pelas declarações por si proferidas na apresentação do livro em Penafiel.
"Desperto muitos anti-corpos" disse o escritor que com ironia referiu ser este o "livro que mais se tem falado apesar de não ter sido lido", uma situação que qualificou de "magia e quase milagre" por "se ter dito tanto sobre um livro que não leram".
"É obra!", disse José Saramago que considera "magia" e "quase um milagre que certos sectores tenham conseguido dizer tanto em relação a um livro que não leram".
Saramago diz que não escreve para ser polémico e recusou as acusações da Conferência Episcopal Portuguesa de que as declarações que fez em Penafiel fazem parte de uma operação publicitária e acrescenta que "todo este alvoroço se levantou não por causa do livro mas por umas quantas palavras que eu disse em Penafiel. O curioso é que não disse nada que as pessoas não saibam".
Saramago não escreve sobre o Corão
Com polémica ou não Saramago reafirmou que na Bíblia há "crueldade, há incestos, há violência de todo o tipo, há carnificinas. Isto é indesmentível" e sobre a acusação de ter feito uma interpretação literal do texto bíblico, os escritor referiu que "aquilo que eles querem e não conseguem é colocar ao lado de cada leitor da Bíblia um teólogo que dissesse à pessoa que aquilo não é assim, que há que fazer uma interpretaçao simbólica, a isto chamam a exegese. (...) Eu sou suficientemente ingénuo para ler aquilo que esta lá e é sobre aquilo que está lá que eu trabalho".
Desde que o livro foi apresentado, em Penafiel no passado domingo, foram muitas as reacções e uma delas, do eurodeputado do PSD Mário David, que incitou Saramago a abdicar da cidadania portuguesa, o escritor limitou-se a ironizou com o assunto: "Imagina que eu vou fazer algum comentário sobre isso? É evidente que não."
Já sobre a hipótese do Nobel da Literatura vir a escrever sobre o Corão, a resposta foi rápida: "Tenho mais que fazer, estou a escrever outro livro. Espero que para o próximo ano haja novo livro de José Saramago".
A polémica instalou-se desde domingo passado após as declarações de José Saramago sobre o seu último livro, "Caim", declarações que não caíram bem no seio da igreja católica e que, desde logo, foram veementemente repudiadas.
José Saramago voltou a referir-se a este tema e ao seu livro numa conferência de imprensa convocada para Alfragide, nas instalações do Grupo Leya, de que faz parte a editora Caminho, a histórica editora do autor.
O livro "Caim", lançado em Penafiel no domingo passad, já está nas livrarias desde segunda-feira passada, ao mesmo tempo que edições em castelhano e catalão foram postas à venda, tal como a edição brasileira
Tuesday, October 20, 2009
41 ANOS
Podia-me sair algo de genial. Mas não sai. Sai-me uma gaja jeitosa na mesa do lado. Mas não é para mim. Resta-me a consolação de o meu nome sair nos jornais de vez em quando, como hoje. De vez em quando lá há uns gajos que se lembram de mim, que me mantêm vivo. E é isto a minha vida. Vivo do palco, vivo dos jornais. Não me dão dinheiro mas dão-me fama. No dia 7 de Novembro lá vais fazer outra coisa a Braga, a convite do César Taíbo. Na "Velha-a-Branca", onde estiveste este sábado, a beber cervejas, a ver estrelas. Daqui a cinco anos ou és uma estela ou estás na miséria. E é nessa merda, no estrelato que tens de apostar. Mesmo que seja difícil. Mesmo que haja dias em que ninguém te reconhece. Como esta noite aqui no "Piolho". Onde te limitas a escrever, a ver se te sai a sorte grande. Não há aqui aplausos nem glória. Nem gajos e gajas que vêm falar contigo. Só gajos e gajas a conversar ao teu lado. É quase meia-noite e é assim a tua vida. Apareces nos jornais de vez em quando. De longe a longe lá aparece a tua fotografia. Não te dás bem com o socialmente correcto. Morres de tédio com as conversas da normalidade. És doido. E sabe-lo. Pode ser que a tua loucura te leve ao sucesso, seja lá o que isso for. Só assim te safarás neste mundo. Tens 41 anos.
QUEIMAI O DINHEIRO NA BIBLIOTECA DE VILA DO CONDE

APRESENTAÇÃO DE "QUEIMAI O DINHEIRO" NA BIBLIOTECA JOSÉ RÉGIO
O livro "Queimai o Dinheiro" (Corpos Editora) de A. Pedro Ribeiro vai ser apresentado na Biblioteca José Régio, em Vila do Conde, na próxima sexta, dia 23, pelas 21,30 h. A apresentação do livro vai estar a cargo do escritor Valter Hugo Mãe. A. Pedro Ribeiro nasceu no Porto em Maio de 1968 e reside actualmente em Vilar do Pinheiro (Vila do Conde). Além de "Queimai o Dinheiro", publicou os livros de poesia "Um Poeta a Mijar" (Corpos, 2007), "Saloon" (Edições Mortas, 2007), "Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro" (Objecto Cardíaco, 2006), "Sexo, Noitadas e Rock n' Roll" (2003), "Á Mesa do Homem Só" (Silêncio da Gaveta, 2001) e "Gritos. Murmúrios" (com Rui Soares, 1988). Participou em várias revistas ou colectâneas como "Portuguesia", "Aguasfurtadas", "Bíblia", "Sinismo" ou "Conexão Maringá" (Brasil) e foi fundador da revista literária "Aguasfurtadas". "Queimai o Dinheiro" é uma mescla de poesias e prosas que falam do dinheiro elevado a deus supremo, do homem reduzido às operações da bolsa e do mercado mas também do amor e da liberdade como últimos redutos da subversão.
Friday, October 16, 2009
AINDA DO HOMEM À MESA

Podia dar-me para escrever um daqueles poemas potentes acerca do Santo Graal e do sagrado feminino. Podia endeusar a mulher que passa. Em vez disso volto a ser o homem à mesa. Podia rebentar em alucinações aqui mesmo na confeitaria. Podia mandar altos berros à D. Arminda. Em vez disso volto a ser o homem à mesa. Podia dizer que alcancei Deus, que amei a eternidade, que sou eu próprio Zaratustra. Em vez disso volto a ser o homem à mesa. Podia falar da rosa, do cálice, do amor sagrado. Podia até armar-me em trovador, cavaleiro, poeta. Em vez disso volto a ser o homem à mesa.
Os actores conversam na mesa do fundo. Eu fui mijar. Também eu sou um actor, à minha maneira. Só nunca tive jeito para decorar os textos. Mas acho que faço bem o meu teatro e o meu cinema. Às vezes, pura e simplesmente, deixo-me levar pela minha loucura. Ou limito-me a olhar para as gajas que me interessam. Para o Sagrado Feminino. Outras vezes sou só o homem à mesa que bebe e que com isso se satisfaz.
Wednesday, October 14, 2009
MADALENA E O GRAAL
A perda do feminino teve um impacto desastroso em nossa cultura. Masculino e feminino estão profundamente feridos neste início do terceiro milênio. As dádivas do feminino não foram aceitas ou apreciadas por completo. Enquanto isso, o masculino, frustrado pela incapacidade de harmonizar suas energias com um feminino bem desenvolvido, continua a liderar o mundo empunhando a espada, brandindo armas irresponsavelmente, atacando com violência e destruição.
No mundo antigo, o equilíbrio entre as energias opostas era compreendido e respeitado. Mas, no mundo moderno, as atitudes e os atributos masculinos têm dominado. A adoração do poder e da glória do princípio masculino/solar está a poucos passos da "adoração do filho': um culto que, com freqüência, produz um homem mimado e imaturo - zangado, frustrado, entediado e, muitas vezes, perigoso." Sem poder se integrar à sua "outra metade", o masculino se exaure. O resultado final do princípio feminino desvalorizado não é apenas a poluição ambiental, o hedonismo ou a criminalidade desenfreada. O resultado fundamental é o holocausto.
Este livro é uma exploração da heresia do Santo Graal e um argumento a favor do resgate da mulher de Jesus, com base em importantes provas circunstanciais. É também uma busca do significado da Noiva Perdida na psique humana, na esperança de que seu retorno ao nosso paradigma de completude possa nos ajudar a restaurar a terra infértil. Aqui, registrei os resultados da minha busca pessoal pela Noiva Perdida na história cristã. Procurei explicar de que modo ela foi esquecida e como esse fato tem sido devastador para a civilização ocidental. Tentei, ainda, visualizar o que aconteceria se conseguíssemos restituí-Ia ao paradigma.
Os anos que passei pesquisando acarretaram conseqüências. Levei o assunto a sério. Lutei com o material deste livro e batalhei para lhe dar forma e substância. O trabalho foi longo e difícil. Muitas vezes, temi que ele me virasse do avesso. Doutrinas nas quais acreditei pela fé tiveram que ser arrancadas e descartadas para que novas crenças fossem plantadas e cuidadas até formarem raízes. Toda a estrutura da Igreja Católica da minha infância precisou ser desmontada para deixar à mostra a perigosa falha existente em suas fundações, permitindo que um novo sistema de crenças pudesse ser cuidadosamente reconstruído quando a fissura tivesse se fechado. Esse processo durou muitos anos. Em algum momento, desisti de ser apologista da doutrina e embarquei na busca pela verdade. Estou dolorosamente consciente de que minhas conclusões não são ortodoxas, mas isso não significa que não sejam verdadeiras.
Muitas pessoas estão se tornando cada vez mais conscientes do abismo que separa as descobertas dos modernos estudiosos da Bíblia da versão de cristandade ensinada nos púlpitos das igrejas. Espero que este livro possa ser uma ponte que transponha esse hiato. Ao escrevê-lo, tomei a liberdade de comparar passagens em várias Bíblias e escolher as palavras que expressavam melhor o que eu pretendia dizer. A Bíblia que usei por vários anos, de onde a maioria de minhas citações foi extraída, é a Saint Joseph New Catholic Edition (Nova Edição Católica de São José), de 1963, somente porque ela é a Bíblia com a qual tenho maior familiaridade. Em vários casos, os textos escolhidos foram da Nova Versão Internacional (NVI) e estão identificados com essa sigla. Tive a preocupação de manter a coerência com relação ao uso dos nomes e à numeração dos livros e salmos encontrados no cânon protestante da Bíblia.
Espero que este livro inspire outras pessoas a começarem a sua própria busca pelo tesouro mais precioso da cristandade, uma pérola de valor inestimável: o Santo Graal.
No mundo antigo, o equilíbrio entre as energias opostas era compreendido e respeitado. Mas, no mundo moderno, as atitudes e os atributos masculinos têm dominado. A adoração do poder e da glória do princípio masculino/solar está a poucos passos da "adoração do filho': um culto que, com freqüência, produz um homem mimado e imaturo - zangado, frustrado, entediado e, muitas vezes, perigoso." Sem poder se integrar à sua "outra metade", o masculino se exaure. O resultado final do princípio feminino desvalorizado não é apenas a poluição ambiental, o hedonismo ou a criminalidade desenfreada. O resultado fundamental é o holocausto.
Este livro é uma exploração da heresia do Santo Graal e um argumento a favor do resgate da mulher de Jesus, com base em importantes provas circunstanciais. É também uma busca do significado da Noiva Perdida na psique humana, na esperança de que seu retorno ao nosso paradigma de completude possa nos ajudar a restaurar a terra infértil. Aqui, registrei os resultados da minha busca pessoal pela Noiva Perdida na história cristã. Procurei explicar de que modo ela foi esquecida e como esse fato tem sido devastador para a civilização ocidental. Tentei, ainda, visualizar o que aconteceria se conseguíssemos restituí-Ia ao paradigma.
Os anos que passei pesquisando acarretaram conseqüências. Levei o assunto a sério. Lutei com o material deste livro e batalhei para lhe dar forma e substância. O trabalho foi longo e difícil. Muitas vezes, temi que ele me virasse do avesso. Doutrinas nas quais acreditei pela fé tiveram que ser arrancadas e descartadas para que novas crenças fossem plantadas e cuidadas até formarem raízes. Toda a estrutura da Igreja Católica da minha infância precisou ser desmontada para deixar à mostra a perigosa falha existente em suas fundações, permitindo que um novo sistema de crenças pudesse ser cuidadosamente reconstruído quando a fissura tivesse se fechado. Esse processo durou muitos anos. Em algum momento, desisti de ser apologista da doutrina e embarquei na busca pela verdade. Estou dolorosamente consciente de que minhas conclusões não são ortodoxas, mas isso não significa que não sejam verdadeiras.
Muitas pessoas estão se tornando cada vez mais conscientes do abismo que separa as descobertas dos modernos estudiosos da Bíblia da versão de cristandade ensinada nos púlpitos das igrejas. Espero que este livro possa ser uma ponte que transponha esse hiato. Ao escrevê-lo, tomei a liberdade de comparar passagens em várias Bíblias e escolher as palavras que expressavam melhor o que eu pretendia dizer. A Bíblia que usei por vários anos, de onde a maioria de minhas citações foi extraída, é a Saint Joseph New Catholic Edition (Nova Edição Católica de São José), de 1963, somente porque ela é a Bíblia com a qual tenho maior familiaridade. Em vários casos, os textos escolhidos foram da Nova Versão Internacional (NVI) e estão identificados com essa sigla. Tive a preocupação de manter a coerência com relação ao uso dos nomes e à numeração dos livros e salmos encontrados no cânon protestante da Bíblia.
Espero que este livro inspire outras pessoas a começarem a sua própria busca pelo tesouro mais precioso da cristandade, uma pérola de valor inestimável: o Santo Graal.
MULHERES E DEUSAS

MULHERES & DEUSAS
"A DEUSA TORNA O CORPO E A VIDA SAGRADOS, E LIGA-NOS À DIVINDADE QUE PERMEIA TODA A MATÉRIA: O SEU ÓRGÃO SIMBÓLICO É O ÚTERO. " A MULHER NO CORAÇÃO DAS MULHERES". O SEU ÓRGÃO DE CONHECIMENTO É O CORAÇÃO. TANTO O CORAÇÃO COMO O ÚTERO SÃO VASOS ATRAVÉS DOS QUAIS A VIDA DESPERTA. SÃO AMBOS CÁLICES PARA O SANGUE QUE OS ENCHE E OS ESVAZIA. UM SUSTENTA A VIDA, O OUTRO TRAZ NOVAS VIDAS AO MUNDO." J.S.B.
Segunda-feira, Abril 06, 2009
Recolhimento Sagrado Feminino
“O ciclo feminino é como a teia da vida e seu sangue está para seu corpo
assim como a água está para a Terra."
Autora: Tatiana Menkaiká
Observando os ciclos de nosso corpo, entramos em sintonia com o corpo maior e organismo vivo e pulsante que é a Mãe Terra.
Nós, mulheres, carregamos em nosso corpo todas as Luas, todos os ciclos, o poder do renascimento e da morte.
Aprendemos com nossas ancestrais que temos nosso tempo de contemplação interior quando, como a Lua Nova, nos recolhemos em busca de nossos sonhos e sentimentos mais profundos. As emoções, o corpo, a natureza são alterados conforme a Lua.
Nas tradições antigas, o Tempo da Lua era o momento em que a mulher não estava apta a conceber, era um período de descanço, onde se recolhiam de seus afazeres cotidianos para poderem se renovar. "É o tempo sagrado da mulher", o período menstrual, conforme nos conta Jamie Sams, "durante o qual ela é honrada como sendo a Mãe da Energia Criativa". O ciclo feminino é como a teia da vida e seu sangue está para seu corpo assim como a água está para a Terra. A mulher, através dos tempos, é o símbolo da abundância, fertilidade e nutrição. Ela é a tecelã, é a sonhadora.
Nas tradições nativas norte-americanas há as "Tendas Negras", ou "Tendas da Lua", momento em que as mulheres da tribo recolhem-se em seu período menstrual. É o momento do recolhimento sagrado de comtemplação onde honram os dons recebidos, compartem visões, sonhos, sentimentos, conectam-se com suas ancestrais e sábias da tribo. São elas que sonham por toda a tribo, devido ao poder visionário despertado nesse período. O negro é a cor relacionada à mulher na Roda da Cura. Também são recebidas nas tendas as meninas em seu primeiro ciclo menstrual para que conheçam o significado de ser mulher. Esse recolhimento não é observado somente entre as nativas norte-americanas, mas também entre várias outras culturas.
(...)
LER MAIS EM: http://www.joselaerciodoegito.com.br/site_mulher_tema_recolhimento.htm
TELA : LENA GAL
Publicada por Rosa Leonor em 10:37 AM
Tuesday, October 13, 2009
ESTADO DE GRAÇA

ESTADO DE GRAÇA
Há três dias consecutivos que estou em estado de farra e rock n' roll. Foi o cacau que veio do jornal, foi a festa do Manuel do "Guarda-Sol", foi o "meddley" a matar no "púcaros" com o "Poema de Amor Inocente Em Jeito de Manifesto Autárquico para a Cidade do Porto" e a "Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro", foram também as palavras provocatórias introdutórias no "Art 7" de São João da Madeira do Angel e do Vitó. Depois houve aquela cena absolutamente "non-sense" nos Aliados, o gajo da câmara de filmar, o gajo do microfone a perguntar se eu era um homem que acreditava na sinceridade e depois a ficar 10 minutos calado e eu sem saber o que dizer. Uma cena absolutamente surrealista. Depois pediu-me para encostar o ouvido dele à minha barriga de cerveja. Eu deixei. As perguntas provocatórias sobre a homossexualidade, o abraço. Enfim, o gajo disse que o trabalho era só para ele. Vamos ver. Regressamos ao ecrã.
A verdade é que me sinto novamente em estado de graça, próximo dos deuses e do espíritos. Capaz de teorizar sobre a situação de palco. As bocas que tu mandas, as provocações, o gozo com a campanha política permanente têm resultado. Não é chegar ali e "vomitar" os poemas. Há que fazer um enquadramento quando nos sentimos à vontade para isso. É esta a nossa profissão, o nosso trabalhinho.
António Pedro Ribeiro
http://quintasdeleitura.blogspot.com
Sunday, October 11, 2009
NASCIMENTO DO PSSL
Saturday, October 10, 2009
JEAN MESLIER, O PADRE ANARQUISTA
Jean Meslier, o padre anarquista (1664-1724)
«No início do século das Luzes, entre os verdadeiros precursores do anarquismo conta-se uma personagem admirável, Jean Meslier. Padre na aldeia de Étrépigny, na região francesa de Champanha, deixou à data da sua morte um volumoso manuscrito que contém a confissão do mais resoluto dos ateísmos e uma crítica às autoridades religiosas e políticas. Em 1762, Voltaire publicaria extractos do Testamento de Meslier, destacando, sobretudo, a sua faceta irreligiosa. Contudo, os ataques de Meslier visam tanto o poder político como a autoridade religiosa. Para ele, a religião e a política ajudam-se mutuamente: “Entendem-se como gatunos. [...] A religião apoia o governo político, por pior que este possa ser. O governo político apoia a religião, por mais estúpida e vã que esta possa ser.“.
Este sacerdote desejava que “todos os poderosos da Terra e todos os nobres fossem enforcados com as tripas dos padres“. [...] A casta política, reis, nobres ou detentores de cargos, ou seja, aqueles que hoje se designam por burocratas, grandes ou pequenos, bem como o alto clero e os ricos ociosos, são violentamente atacados.
Aliás, o nosso padre conta bastante com o assassinato político como forma de livrar o bom povo dos seus dirigentes: “Onde estão aqueles generais matadores de tiranos que vimos nos séculos passados? Onde estão os Brutos ou os Cássios? Onde estão os generais que mataram Calígula e tantos outros monstros semelhantes? [...] Onde estão os Jacques Clément e os Ravaillac da nossa França? Deviam viver ainda no nosso século, [...] para espancarem ou apunhalarem todos esses detestáveis monstros e inimigos do género humano e, deste modo, libertarem todos os povos da Terra do seu domínio tirânico!“.
Meslier protesta também contra a apropriação individual dos bens e das riquezas da terra e preconiza o comunismo social. Nos seus escritos, lança um verdadeiro apelo ao povo, que deve agir: “A salvação está nas vossas mãos. A vossa liberdade só depende de vós, se todos souberdes entender-vos. [...] Uni-vos, pois, povos, se sois sábios. [...] Começai por comunicar entre vós secretamente os vossos pensamentos e desejos. Divulgai por toda a parte, e o mais habilmente possível, os escritos deste tipo, por exemplo, que dêem a conhecer a todo o mundo a vanidade dos erros e das superstições da religião e que tornem odioso o governo tirânico dos príncipes e dos reis da Terra.“.
Jean Meslier chega até a considerar a greve dos trabalhadores e dos produtores, de maneira a levar as autoridades – políticas e religiosas – e os seus serviçais ao arrependimento, privando-os daquilo que lhes é necessário.
Solitário e clandestino, o padre Meslier aparece retrospectivamente como um autêntico espírito libertário. Ao redigir em segredo, no silêncio do presbitério rural, o seu Testamento, teve certamente o sentimento de ser um precursor e, apesar da sua visão pessimista do género humano, acreditou que as suas ideias poderiam ter alguma influência póstuma, como o prova a advertência que anexou ao papel que envolvia o seu manuscrito, como nos é relatado por Voltaire: “Vi e reconheci os erros, os abusos, as vaidades, as loucuras e as maldades dos homens; odiei-os e detestei-os. Não o ousei dizer durante a vida, mas di-lo-ei pelo menos ao morrer e depois da morte; e é para que se saiba isto que faço e escrevo a presente memória, para que possa servir de testemunho de verdade a todos os que a virem e a lerem, se a acharem boa.”.»
Préposiet, Jean, História do Anarquismo, Edições 70 (p. 32-34)
Também publicado no Diário Ateísta
Este artigo foi publicado em 10/12/2007 às 3:47, na(s) categoria(s) Liverdades, agnosticismo, anarquia, anarquismo, anticlericalismo, ateismo, ateus, biblia, catolicismo, cristianismo, deus, geral, historia, liberdade, literatura, pensamento, politica, religião, religiões, sociedade, teologia, verdade . Pode seguir as respostas a esta entrada através do feed RSS 2.0 Pode deixar uma resposta ou fazer trackback do seu próprio site.
retirado de http://liverdades.wordpress.com
«No início do século das Luzes, entre os verdadeiros precursores do anarquismo conta-se uma personagem admirável, Jean Meslier. Padre na aldeia de Étrépigny, na região francesa de Champanha, deixou à data da sua morte um volumoso manuscrito que contém a confissão do mais resoluto dos ateísmos e uma crítica às autoridades religiosas e políticas. Em 1762, Voltaire publicaria extractos do Testamento de Meslier, destacando, sobretudo, a sua faceta irreligiosa. Contudo, os ataques de Meslier visam tanto o poder político como a autoridade religiosa. Para ele, a religião e a política ajudam-se mutuamente: “Entendem-se como gatunos. [...] A religião apoia o governo político, por pior que este possa ser. O governo político apoia a religião, por mais estúpida e vã que esta possa ser.“.
Este sacerdote desejava que “todos os poderosos da Terra e todos os nobres fossem enforcados com as tripas dos padres“. [...] A casta política, reis, nobres ou detentores de cargos, ou seja, aqueles que hoje se designam por burocratas, grandes ou pequenos, bem como o alto clero e os ricos ociosos, são violentamente atacados.
Aliás, o nosso padre conta bastante com o assassinato político como forma de livrar o bom povo dos seus dirigentes: “Onde estão aqueles generais matadores de tiranos que vimos nos séculos passados? Onde estão os Brutos ou os Cássios? Onde estão os generais que mataram Calígula e tantos outros monstros semelhantes? [...] Onde estão os Jacques Clément e os Ravaillac da nossa França? Deviam viver ainda no nosso século, [...] para espancarem ou apunhalarem todos esses detestáveis monstros e inimigos do género humano e, deste modo, libertarem todos os povos da Terra do seu domínio tirânico!“.
Meslier protesta também contra a apropriação individual dos bens e das riquezas da terra e preconiza o comunismo social. Nos seus escritos, lança um verdadeiro apelo ao povo, que deve agir: “A salvação está nas vossas mãos. A vossa liberdade só depende de vós, se todos souberdes entender-vos. [...] Uni-vos, pois, povos, se sois sábios. [...] Começai por comunicar entre vós secretamente os vossos pensamentos e desejos. Divulgai por toda a parte, e o mais habilmente possível, os escritos deste tipo, por exemplo, que dêem a conhecer a todo o mundo a vanidade dos erros e das superstições da religião e que tornem odioso o governo tirânico dos príncipes e dos reis da Terra.“.
Jean Meslier chega até a considerar a greve dos trabalhadores e dos produtores, de maneira a levar as autoridades – políticas e religiosas – e os seus serviçais ao arrependimento, privando-os daquilo que lhes é necessário.
Solitário e clandestino, o padre Meslier aparece retrospectivamente como um autêntico espírito libertário. Ao redigir em segredo, no silêncio do presbitério rural, o seu Testamento, teve certamente o sentimento de ser um precursor e, apesar da sua visão pessimista do género humano, acreditou que as suas ideias poderiam ter alguma influência póstuma, como o prova a advertência que anexou ao papel que envolvia o seu manuscrito, como nos é relatado por Voltaire: “Vi e reconheci os erros, os abusos, as vaidades, as loucuras e as maldades dos homens; odiei-os e detestei-os. Não o ousei dizer durante a vida, mas di-lo-ei pelo menos ao morrer e depois da morte; e é para que se saiba isto que faço e escrevo a presente memória, para que possa servir de testemunho de verdade a todos os que a virem e a lerem, se a acharem boa.”.»
Préposiet, Jean, História do Anarquismo, Edições 70 (p. 32-34)
Também publicado no Diário Ateísta
Este artigo foi publicado em 10/12/2007 às 3:47, na(s) categoria(s) Liverdades, agnosticismo, anarquia, anarquismo, anticlericalismo, ateismo, ateus, biblia, catolicismo, cristianismo, deus, geral, historia, liberdade, literatura, pensamento, politica, religião, religiões, sociedade, teologia, verdade . Pode seguir as respostas a esta entrada através do feed RSS 2.0 Pode deixar uma resposta ou fazer trackback do seu próprio site.
retirado de http://liverdades.wordpress.com
Quando calha até escrevo umas coisas com piada. É do estado de espírito, não sei. Estou mais aberto às coisas e às pessoas. Mesmo sem beber whisky ou cerveja. Também é uma questão de desenvolver a técnica. De trabalhar o texto. E eu confesso que, muitas vezes, tento ir pela via automática, não trabalho o texto e perco claramente com isso, pelo menos em algumas situações. Serei preguiçoso como me dizia o meu professor de Português. Mas, por outro lado, sobretudo na poesia, isto não pode ser só uma questão de técnica mas sobretudo uma questão de espírito e de coração, direi mesmo de genialidade. E isso poucos são capazes de atingir. Não sei se me encontro entre eles.
Friday, October 09, 2009
DA CARLA OM
altamente diferente
... cá estou eu a baralhar vos os neurónios ! te nho um amigo que diz que eu sou up sou down !!! o am+erico que acompanha fervorosamente a carreira do gerry adamns diz que eu vivo permanentemente na utopia ! assim não dá, por vezes não se entendem pessoas utópicas e anarca de espírito que grita mais alto do que o ser ... sinto me completament e mãomortiana .... preciso de um livro aparece me um a falar da distopia na literatura ... ya deve ser um ensaio sobre a cegueira sinto me estranha as paredes do meu quarto irritam me gosto de andar por aíii em movimento ! um dia cinzzento quase a chover ha quem goste !!! .... levar com chuva n a cara sentirmos a transformação da nosso pele quente e suave, delicada como as águas de maio ... nascer livre e selhgem m e andar por aí a curtir e a escrever sobre realidades paralelas .... altamente sensíveis ... respiro e sabe bem ! where is my mind, concerteza a navefar em altos estados de mente passam me ao lado os politicos slogans gastos e irrita nem sei como é que os deolinda se associaram a esta museria toda, desgasta a imagem VIVA A REVOLUÇÃO !!! VIVA A IMAGINAÇÃO !!!
in http://voodooexperience.blogspot.com
nota: preciso de um discman emprestado sa alguem me puder desenrascar era altamente ... tou sem som uma nóia mesmo !
beijo fiquem bem C.
... cá estou eu a baralhar vos os neurónios ! te nho um amigo que diz que eu sou up sou down !!! o am+erico que acompanha fervorosamente a carreira do gerry adamns diz que eu vivo permanentemente na utopia ! assim não dá, por vezes não se entendem pessoas utópicas e anarca de espírito que grita mais alto do que o ser ... sinto me completament e mãomortiana .... preciso de um livro aparece me um a falar da distopia na literatura ... ya deve ser um ensaio sobre a cegueira sinto me estranha as paredes do meu quarto irritam me gosto de andar por aíii em movimento ! um dia cinzzento quase a chover ha quem goste !!! .... levar com chuva n a cara sentirmos a transformação da nosso pele quente e suave, delicada como as águas de maio ... nascer livre e selhgem m e andar por aí a curtir e a escrever sobre realidades paralelas .... altamente sensíveis ... respiro e sabe bem ! where is my mind, concerteza a navefar em altos estados de mente passam me ao lado os politicos slogans gastos e irrita nem sei como é que os deolinda se associaram a esta museria toda, desgasta a imagem VIVA A REVOLUÇÃO !!! VIVA A IMAGINAÇÃO !!!
in http://voodooexperience.blogspot.com
nota: preciso de um discman emprestado sa alguem me puder desenrascar era altamente ... tou sem som uma nóia mesmo !
beijo fiquem bem C.
BUKOWSKI

Não suporto lágrimas
havia algumas centenas de imbecis
de volta de uma ganso que tinha partido uma perna
enquanto decidiam
o que fazer
quando um polícia apareceu
e sacou do seu canhão
e o assunto estava encerrado
excepto para uma mulher
que saiu a correr da sua barraca
a gritar que lhe tinham morto o animal de estimação
mas o polícia agarrou o seu cinto
e disse-lhe
vai ao raio que te parta,
queixa-te ao presidente da república;
a mulher estava a chorar
e eu não suporto lágrimas.
Arrumei a minha tela
e fui para outro sítio:
os filhos da mãe tinham-me estragado
a paisagem.
versão de manuel a. domingos às 11:38
o amor é um cão do inferno
Thursday, October 08, 2009
O PODER E A VIDA
SECÇÃO: Opinião
António Pedro Ribeiro
O PODER E A VIDA
Não estamos interessados no poder. Contrariamente ao Bloco de Esquerda, com quem partilhamos algumas ideias, não estamos interessados no governo do país. Aliás, até achamos que o melhor governo é não existir governo nenhum.
No entanto, caso fosse Primeiro-Ministro encerrava de imediato a Bolsa e nacionalizava os bancos. A Bolsa e os bancos são os culpados da crise. A Bolsa, os bancos e os grandes capitalistas são os rostos do capitalismo.
“Dinamitemos a Bolsa!” é uma velha palavra de ordem dos surrealistas e dos anarquistas. O capitalismo é desumano. O capitalismo está a destruir o homem, as relações entre os homens. O capitalismo é inimigo da vida.
É preciso dizer, sem rodeios, que queremos destruir o capitalismo. Não temos de fazer quaisquer pactos ou coligações com os sociais-democratas nem com a ala social-democrata de Miguel Portas. Ou estamos contra o capitalismo ou estamos com o capitalismo.
Somos pela vida, pela criação, pela liberdade. Amamos as mulheres. Não suportamos castradores como José Sócrates ou Paulo Portas. Deixamos a vida fluir.
António Pedro Ribeiro
O PODER E A VIDA
Não estamos interessados no poder. Contrariamente ao Bloco de Esquerda, com quem partilhamos algumas ideias, não estamos interessados no governo do país. Aliás, até achamos que o melhor governo é não existir governo nenhum.
No entanto, caso fosse Primeiro-Ministro encerrava de imediato a Bolsa e nacionalizava os bancos. A Bolsa e os bancos são os culpados da crise. A Bolsa, os bancos e os grandes capitalistas são os rostos do capitalismo.
“Dinamitemos a Bolsa!” é uma velha palavra de ordem dos surrealistas e dos anarquistas. O capitalismo é desumano. O capitalismo está a destruir o homem, as relações entre os homens. O capitalismo é inimigo da vida.
É preciso dizer, sem rodeios, que queremos destruir o capitalismo. Não temos de fazer quaisquer pactos ou coligações com os sociais-democratas nem com a ala social-democrata de Miguel Portas. Ou estamos contra o capitalismo ou estamos com o capitalismo.
Somos pela vida, pela criação, pela liberdade. Amamos as mulheres. Não suportamos castradores como José Sócrates ou Paulo Portas. Deixamos a vida fluir.
Monday, October 05, 2009
ODISSEIA NA PADEIRINHA

És boa. És mesmo boa. Venho ao café por tua causa. Percorres as mesas. Não me dás bola. És boa. És mesmo boa. Bebo cerveja por tua causa. Ficas ao balcão. Tiras café. Corpo de gata. Dá mesmo gozo vir aqui. As mamas salientes. O sorriso. És mesmo boa. Matas o tédio na minha cabeça. Só não tenho dinheiro para te dar. Sou um poeta solitário. É mesmo pena. Agora estás ao balcão, pensativa. Róis as unhas, tatuada. Ver-te gingar é uma festa. Agora estás muito divertida. Traz-me outra cerveja que ainda vamos celebrar. Se calhar já topaste que só tenho olhos para ti. As mulheres apercebem-se de coisas de que nós não damos conta. O Tavares, o homem que se dá com toda a gente, também te chama. Pareces ser de poucas palavras. Talvez se eu te dissesse que já actuei em Paredes de Coura e que já apareci nos jornais me desses bola. és boa. És mesmo boa. Agora refugiaste-te na padaria. Deves ter namorado, concerteza. No fundo, só queria uns beijos e uns apalpões. Agora comes uma mista. Ris-te, de vez em quando, para o mundo. E o mundo agora és tu. Só queria estar aos beijos à tua mesa. Convidar-te para as minhas cenas. Eh! Menina, olha para mim. Ri-te para mim. Estes gajos são uns chatos. Só falam de bolas. Poderíamos ter uma conversa interessante. Falar do que falas com a tua amiga. No fundo, é tudo uma questão de solidão. Deixa esse sumo. Anda beber uns copos comigo. Vamos ficar noite fora. Já nem penso em sexo. É só a cerveja a subir. Olha para mim como eu olho para ti. Já me apetece ficar aqui a beber noite fora. Que se foda a bola! A asma já passou. A cerveja anima sempre um gajo. Por muito que se fale, por muito que me venham dizer, a cerveja põe um gajo em cima. Pode durar pouco, pode até pesar negativamente no dia seguinte mas o que é facto é que a cerveja põe um homem em cima. E tu permaneces aí, a beber café, aparentemente indiferente à minha prosa. Gasto o meu latim e tu aí, indiferente, a receber trocos. Até bebia mais uma. Mas não sei se tu mereces. O Sporting a empatar com o Belenenses. E tu na arrecadação. Estes cafés, no fundo, são uma seca. Não se ouve uma conversa interessante. E tu desapareces e reapareces, passeias-te no tapete como se fosses uma estrela. Os gajos chateados com a bola e tu passeias-te no tapete, indiferente. Até te peço mais uma cerveja. Dou dinheiro ao teu patrão. Há gajos que têm carros e conta bancária. Que correram atrás do dinheiro. Eu não segui essa via. Agora arrumas os gelados. Acabou o Verão. Se eu fosse um artista remunerado é que vos dizia. Se eu fosse um artista remunerado passava os dias a whisky nos vossos cafés de tédio. Se eu fosse um artista remunerado, como vou ser em Novembro, olhavas para mim e davas-me um beijo na boca. Tens uma calma, uma paciência impressionante. Se eu fosse um artista remunerado gozava com os vossos futebóis. Mas se não fosses tu e as tuas coxas e o teu umbigo isto era uma seca monumental. Esta zona de Vilar do Pinheiro e de V.N. Telha é uma seca monumental. Não se ouve uma conversa de jeito. Vá lá que existes tu e a cerveja. Eram conversas de jeito aquelas que eu tinha com o Jaime Lousa, com o Joaquim Castro Caldas. Agora dialogas em desafio com os clientes. Isto realmente é uma grande seca. Estar aqui tantas horas deve ser para ti uma grande seca. Não se passa nada- já dizia o outro. Agora até olhaste para o meu caderno. Deves ter alguma curiosidade. Mas isto deve ser uma grande seca. Passar aqui tantas horas é uma grande seca. A vida assim é uma grande seca. Mas, ao menos, posso olhar para ti. Observo os teus estados de espírito. Além disso, hoje tive dinheiro para beber três cervejas. Isso permite-me combater a grande seca. Eles querem fazer da vida uma grande seca. Ajuda-me, querida! Ajuda-me a vencer a grande seca. Isto não passa de uma sucessão de jogos de futebol e de longos bocejos. Aliás, os jogos são exteriores a nós, não temos interferência neles. Limitamo-nos a ser espectadores na sociedade do espectáculo. Bebemos umas drogas (cervejas) para contornar a coisa. Bebemos umas drogas quando temos dinheiro para elas. E os que trabalham? O trabalho é também, muitas vezes, sacrifício ou seca. E temos sempre de continuar a trabalhar para sacar mais dinheiro. A vida torna-se, de facto, uma seca. Vá lá que existes tu para eu me distrair, para eu me excitar. Mas a vida é, de facto, muitas vezes, uma grande seca.
Saturday, October 03, 2009
DAS BOLSAS

Confesso que ainda não percebi bem essa merda das bolsas. As cotações baixam mas há gajos que ganham com isso. Até parece que há gajos que fazem de propósito para elas baixarem. A conclusão a que chego é que é uma coisa completamente podre. Os gajos a sacar e um gajo aqui a contar os trocos. São esses os cabrões que se riem na nossa cara, que vivem à nossa custa, que chupam o nosso sangue. "Dinamitemos a bolsa!", eis o grito surrealista e situacionista. A bolsa é a essência do capitalismo. A bolsa significa o avanço das forças da morte. E nós estamos claramente do lado da vida.
Friday, October 02, 2009
PRIMEIRO MANIFESTO DADÁ

PRIMEIRO MANIFESTO DADÁ
Hugo Ball
Dadá é uma nova tendência da arte. Percebe-se que o é porque, sendo até agora desconhecido, amanhã toda a Zurique vai falar dele. Dadá vem do dicionário. É bestialmente simples. Em francês quer dizer "cavalo de pau" . Em alemão: "Não me chateies, faz favor, adeus, até à próxima!" Em romeno: "Certamente, claro, tem toda a razão, assim é. Sim, senhor, realmente. Já tratamos disso." E assim por diante.
Uma palavra internacional. Apenas uma palavra e uma palavra como movimento. É simplesmente bestial. Ao fazer dela uma tendência da arte, é claro que vamos arranjar complicações. Psicologia Dadá, literatura Dadá, burguesia Dadá e vós, excelentíssimo poeta, que sempre poetastes com palavras, mas nunca a palavra propriamente dita. Guerra mundial Dadá que nunca mais acaba, revolução Dadá que nunca mais começa. Dadá, vós, amigos e Também poetas, queridíssimos Evangelistas. Dadá Tzara, Dadá Huelsenbeck, Dadá m'Dadá, Dadá mhm'Dadá, Dadá Hue, Dadá Tza.
Como conquistar a eterna bemaventurança? Dizendo Dadá. Como ser célebre? Dizendo Dadá. Com nobre gesto e maneiras finas. Até à loucura, até perder a consciência. Como desfazer-nos de tudo o que é enguia e dia-a-dia, de tudo o que é simpático e linfático, de tudo o que é moralizado, animalizado, enfeitado? Dizendo Dadá. Dadá é a alma-do-mundo, Dadá é o Coiso, Dadá é o melhor sabão-de-leite-de-lírio do mundo. Dadá Senhor Rubiner, Dadá Senhor Korrodi, Dadá Senhor Anastasius Lilienstein.
Quer dizer, em alemão: a hospitalidade da Suíça é incomparável, e em estética tudo depende da norma.
Leio versos que não pretendem menos que isto: dispensar a linguagem. Dadá Johann Fuchsgang Goethe. Dadá Stendhal. Dadá Buda, Dalai Lama, Dadá m'Dadá, Dadá m'Dadá, Dadá mhm'Dadá. Tudo depende da ligação e de esta ser um pouco interrompida. Não quero nenhuma palavra que tenha sido descoberta por outrem. Todas as palavras foram descobertas pelos outros. Quero a minha própria asneira, e vogais e consoantes também que lhe correspondam. Se uma vibração mede sete centímetros, quero palavras que meçam precisamente sete centímetros. As palavras do senhor Silva só medem dois centímetros e meio.
Assim podemos ver perfeitamente como surge a linguagem articulada. Pura e simplesmente deixo cair os sons. Surgem palavras, ombros de palavras; pernas, braços, mãos de palavras. Au, oi, u. Não devemos deixar surgir muitas palavras. Um verso é a oportunidade de dispensarmos palavras e linguagem. Essa maldita linguagem à qual se cola a porcaria como à mão do traficante que as moedas gastaram. A palavra, quero-a quando acaba e quando começa.
Cada coisa tem a sua palavra; pois a palavra própria transformou-se em coisa. Porque é que a árvore não há-de chamar-se plupluch e pluplubach depois da chuva? E porque é que raio há-de chamar-se seja o que for? Havemos de pendurar a boca nisso? A palavra, a palavra, a dor precisamente aí, a palavra, meus senhores, é uma questão pública de suprema importância.
Zurique, 14 de Julho de 1916
MANIFESTO DO MOVIMENTO DADÁ

Manifesto do movimento Dadá
(manifeste du mouvement Dada)
Não mais pintores, não mais literatos, não mais músicos, não mais escultores, não mais religiões, não mais imperialistas, não mais anarquistas, não mais socialistas, não mais bolcheviques, não mais políticos, não mais proletários, não mais democratas, não mais burgueses, não mais aristocratas, não mais exército, não mais polícia, não mais pátrias, enfim chega de todas estas imbecilidades, mais nada, mais nada, nada, nada, nada.
Desta maneira, esperamos que a novidade que será a mesma coisa que aquilo que nós não queremos mais, se imporá menos apodrecida, menos egoísta, menos mercantil, menos obtusa, menos imensamente grotesca.
Vivam as concubinas e os concubistas. Todos os membros do Movimento DADÁ são presidentes.
Thursday, October 01, 2009
GATA
Tuesday, September 29, 2009
NASCIMENTO, CRIAÇÃO, CRIANÇA

Viestes hoje à "Motina",
ó gajas boas e bonitas,
o poder olhar para vós
já é uma bênção dos céus
a glória do amor e do belo
na Terra
Contrariamente ao que possa parecer,
à primeira vista,
não olho para vós como meros objectos
no fundo, só queria falar convosco
ouvir o que tendes a dizer ao mundo
passar-vos as minhas mensagens
o futuro do mundo
está na mulher e na criança
o futuro do mundo
só pode estar na liberdade
e não na castração, no cinzentismo
que nos vendem
na escola, no trabalho, na arena
o futuro do mundo
está em vós
no amor que está em vós
que a máquina vos quer arrancar
todos os dias
com palavras, gestos, imagens
mas que não consegue
se acreditardes em vós
no nascimento
na criação
na criança.
Friday, September 25, 2009
Thursday, September 24, 2009
CHARLES BUKOWSKI
Tuesday, September 22, 2009
Esta merda de irmos dizer poemas
e de estarem gajos a falar ao balcão
e de estarem gajas a ler o jornal
não dá com nada
tens de andar aos berros
tu que já estiveste com 500 à tua frente
tu que já foste a estrela
e que, modéstia à parte,
continuas a sê-la
não que sejas melhor do que os outros
mas apenas porque és diferente
entusiasmas-te com os anarcas
que pegam fogo aos bancos
e à Cãmara de Braga
não te entusiasmas com as coisinhas
do senso comum
com o dinheiro e com as telenovelas
odeias o Sócrates
a cara dele
mesmo que seja bonzinho
continuas a fazer campanha contra ele
e continuarás até que abandone o poder
faz parte da tua missão
é isso que estás a fazer na Terra
pouco mais
não tens medo de usar a palavra "revolução"
é a ela que queres
é a ela que amas
e esta rotina da "Motina"
faz-te bocejar.
e de estarem gajos a falar ao balcão
e de estarem gajas a ler o jornal
não dá com nada
tens de andar aos berros
tu que já estiveste com 500 à tua frente
tu que já foste a estrela
e que, modéstia à parte,
continuas a sê-la
não que sejas melhor do que os outros
mas apenas porque és diferente
entusiasmas-te com os anarcas
que pegam fogo aos bancos
e à Cãmara de Braga
não te entusiasmas com as coisinhas
do senso comum
com o dinheiro e com as telenovelas
odeias o Sócrates
a cara dele
mesmo que seja bonzinho
continuas a fazer campanha contra ele
e continuarás até que abandone o poder
faz parte da tua missão
é isso que estás a fazer na Terra
pouco mais
não tens medo de usar a palavra "revolução"
é a ela que queres
é a ela que amas
e esta rotina da "Motina"
faz-te bocejar.
Tuesday, September 08, 2009
O PRIMEIRO TASCO
Aqui na "Casa do Preto"
em Pitões das Júnias
é que se está bem
os velhotes a jogar às cartas
o casal a beber cerveja
e a ler o "Notícias do Barroso"
eu próprio com a cerveja
à minha frente
a juventude a entrar
e a jogar aos matrecos
que paraíso!
Que rica vida!
Sou como o meu pai
os outros que vão para o rio
eu fico aqui no tasco
a tomar apontamentos
e a beber umas cervejinhas
isto é que é a vida
isto é que é reinar
e até há gajas para olhar
e há cacau
enquanto houver cacau
há cerveja
e vida
e o resto é conversa
voltamos ao mesmo
estejamos no monte
ou na cidade
o concurso do gordo imbecil
é que dá em todo o lado
sempre à hora
o gordo imbecil
o àlcool é a minha religião
olha, damos dinheiro a estes
em vez de darmos aos outros
aqui no primeiro café da aldeia
no primeiro tasco que encontramos
em Pitões das Júnias
e até as mamas jogam matrecos
mas já se foram
e continuo com a cerveja à minha frente
é ela que me dá vida
a paisagem também ajuda, claro,
estou no primeiro tasco da aldeia,
Gotucha,
não há nada que enganar
sinto-me senhor
sou o senhor das redondezas
bebo e os outros
jogam ao rei, ao às e à bisca
somos todos uns ases
excepto o gordo imbecil do programa
esse é um suíno
e entra mais gente
é entrar, minha gente!
Só falta aqui a Gotucha
Ah! Agora sentes falta da Gotucha!
Deixaste-a ir para o rio
e tu vieste para o tasco
na verdade, fartaste-te de ver rios
precisavas de estar aqui
a beber e a comer queijo
a olhar para o mundo
estás com as unhas compridas, ó poeta!
Precisavas de saborear a humanidade
a seguir ao cemitério
o primeiro tasco
não há que enganar
a gerência até gosta de mim
porque sou um cliente que consome
isso é que importa
não há aqui doentinhos
nem esquisitinhos
desde que haja cacau para pagar
isso é que importa
já nem suporto essas conversinhas
da conveniência
só bebo mais esta
por causa da Gotucha
de resto sou um artista
é isso que sou
um artista
nem sequer preciso de telemóveis
na Idade do Ouro
não havia telemóveis
talvez queiras
que faça um discurso
de cinco horas à Fidel Castro
tu não sabes as ligações que eu tenho
olha, até posso ter contas na Suiça
mas talvez não interesse agora falar nisso
os meus abismos estão dentro
da minha cabeça
aliás, está tudo dentro da cabeça
até tu, ó miúdo,
me começas a enervar
se soubesses de onde venho
se soubesses quem eu sou
no primeiro tasco, Gotucha,
oito horas
Telejornal
José Rodrigues dos Santos
incidentes no Seixal
começo a preocupar-me, Gotucha,
"Casa do Preto",
Gotucha,
à esquerda do cemitério
estás a ouvir a minha voz, Gotucha?
Pitões das Júnias, 25.8.2009
Sunday, September 06, 2009
EXCERTO DO PROGRAMA ELEITORAL DO PCTP/MRPP
MOBILIZAR FORÇAS PARA A MUDANÇA,
RECUSAR AS FALSAS ALTERNATIVAS
E ELEGER UMA REPRESENTAÇÃO PARLAMENTAR DO PCTP/MRPP!
A construção de uma base social de apoio ao projecto de sociedade, ao modelo de
desenvolvimento e ao programa imediato de combate à crise atrás expostos, passa
necessariamente pela eleição de uma representação do PCTP/MRPP no futuro parlamento e
exige também uma relação dos cidadãos com a política que vá para além dos habituais
estereótipos e que signifique uma responsabilização dos mesmos cidadãos pelas suas próprias
escolhas e pela participação na vida política do país. É preciso romper decididamente com
uma situação perversa em que os partidos e os políticos se comportam como donos do voto e
da vontade dos eleitores, fazendo o que muito bem entendem em nome destes e na mais
completa impunidade.
Sendo por definição a arte e a ciência de administrar os assuntos colectivos de uma
comunidade, a política é a mais nobre das actividades humanas e aquela de que todas as
demais dependem. Mas numa sociedade dividida em classes com interesses antagónicos e
inconciliáveis, como é o caso da sociedade portuguesa actual, a política que é usualmente
posta em prática pelos governos diz apenas respeito à administração dos assuntos que
interessam e beneficiam a classe que domina as demais, a classe capitalista, e obedece a
princípios e a práticas que são idênticos aos que essa classe utiliza na gestão dos seus
negócios. O dinheiro é o deus supremo, o enriquecimento individual é a maior das ambições e
ocupa na escala de valores a posição mais elevada, o predomínio absoluto é o dos interesses
particulares sobre o interesse colectivo – esta é a lógica sem a qual o capitalismo não pode
funcionar, é aquela que é constantemente inculcada nos cidadãos e é necessariamente aquela
que tende a presidir à acção dos representantes da classe capitalista dominante no exercício de
cargos públicos, sendo que as excepções que eventualmente possam existir apenas servem
para confirmar a regra.
Sucede que a natureza essencialmente parasitária e clientelista do capitalismo em Portugal,
sempre em busca do lucro rápido e fácil e servindo-se permanentemente dos favores do
Estado, faz com que a situação no nosso país, no que diz respeito às benesses e privilégios, à
corrupção, ao oportunismo e ao carreirismo dos detentores de cargos públicos, seja
particularmente grave e chocante, não se vislumbrando, nos partidos e nos políticos do poder
instituído, nenhuma possibilidade de produzir medidas, por mínimas que sejam, para
“moralizar” o sistema político e sendo espúrias, nas condições presentes, quaisquer esperanças
de o fazer por via judicial. A “pirâmide” do BPN, que envolve uma boa parte do séquito
cavaquista e parece abranger o próprio Cavaco, o regabofe das adjudicações sem concurso de
obras públicas a empresas dirigidas por apaniguados do PS, como a Mota-Engil, e os
sucessivos casos e escândalos que rodeiam o actual primeiro-ministro José Sócrates, são
apenas os exemplos mais recentes da podridão de um sistema incapaz de se reformar a si
próprio e que urge desmantelar e substituir.
É neste contexto que se explica, mas veementemente se condena, a impunidade com que a
actual maioria e o actual governo violaram, durante a legislatura que agora termina e com o
beneplácito do Presidente da República, os seus compromissos eleitorais no plano do
emprego, dos impostos, da legislação laboral, das pensões de reforma, da política educativa e
da saúde, etc., etc. O isolamento político em que caiu Sócrates e o governo do PS representam
uma tomada de consciência e uma rejeição crescente, por parte do eleitorado popular, desta
forma de fazer política. Por sua vez, tentando pescar nas águas turvas da crise política que
assim se criou, a candidata do PSD a chefe do governo vem agora dizer que não faz promessas
que não possa cumprir, quando toda a gente já percebeu que, com as suas não-promessas, o
que Ferreira Leite pretende é o mesmo cheque-em-branco para aplicar depois, em nome da
crise, medidas antipopulares ainda mais gravosas do que as postas em prática pelo governo
actual.
De resto, nas presentes eleições repete-se o fado e a ladainha das anteriores, ou seja, gastam-se
milhões para tentar “comprar” o voto dos eleitores, para depois se utilizar esse voto em
benefício pessoal dos eleitos e em benefício privado da classe que eles representam. Só uma
tomada de posição activa por parte do eleitorado mais consciente desta realidade e a
possibilidade de concitar um apoio significativo a uma alternativa real de esquerda ao presente
sistema, é que pode fazer com que o presente acto eleitoral possa servir para algo mais do que
tem servido invariavelmente até aqui, isto é, decidir se é o PS ou o PSD que vão administrar os
assuntos da classe capitalista em Portugal. Isto não significa que se devam alimentar ilusões
infundadas no próximo acto eleitoral, já que o que é determinante é a mobilização, a luta e a
organização das massas trabalhadoras pelos objectivos imediatos e futuros de um projecto
político revolucionário. Mas tais eleições podem sem dúvida traduzir-se num contributo
importante para romper com a actual situação de crise e abrir novos horizontes de esperança
no país.
Nestas condições, a utilização das presentes eleições legislativas como instrumento de uma
mudança política de esquerda exige um compromisso, por parte dos defensores consequentes
dessa mudança, com os seguintes princípios democráticos referentes aos actos eleitorais e à
situação dos representantes eleitos nos mesmos:
• A instituição do princípio de que nenhum governante ou deputado aufira um
rendimento superior ao que auferia antes de ser eleito ou nomeado, nem tão-pouco
beneficie de nenhum tipo de regalias que sejam superiores às de qualquer trabalhador
no activo;
• A punição exemplar dos actos de corrupção e de apropriação indevida de dinheiros no
exercício de cargos públicos, devendo ser declarada a imprescritibilidade de todos os
crimes neste domínio e criada uma entidade independente e credível para escrutinar
todos os indivíduos que passaram pelos governos desde o 25 de Abril, tendo em vista
averiguar o possível envolvimento dos mesmos naquele tipo de crimes;
• A criação de mecanismos constitucionais que permitam demitir imediatamente os
governantes e os deputados que violem os seus compromissos eleitorais e políticos;
• O estabelecimento de condições de igualdade na difusão das ideias, das posições e dos
programas políticos entre todos os partidos e forças políticas que se apresentem aos
actos eleitorais.
Sem que estes princípios sejam estabelecidos, não se pode falar de eleições democráticas em
Portugal e haverá sempre, nos órgãos do poder, uma maioria de representantes políticos
submetidos ao poder do dinheiro e aos interesses das classes dominantes e dos grandes grupos
económicos.
As próximas eleições legislativas podem em qualquer caso significar o reforço de uma
corrente progressista de mudança na sociedade portuguesa, a qual não se pode no entanto
confundir com a estratégia do PCP ou do BE, consistente em subordinar toda e qualquer
alternativa à situação presente a uma hipotética e impossível “viragem à esquerda” por parte
do PS. Partido sem ideologia e sem um programa articulado e coerente de combate à crise, o
BE tem como única estratégia política a de tentar capitalizar em votos o descontentamento
popular com os sucessivos governos, pelo que acabará por entrar em crise e declínio, tão
depressa cessem as subidas eleitorais que, muito à conta dos fortes apoios que lhe têm sido
prestados pelos órgãos de comunicação social, tem vindo a registar.
Para que as próximas eleições legislativas signifiquem, como se impõe, o início de uma
ruptura política com o actual estado de coisas, é indispensável que se verifique um reforço
substancial da votação no PCTP/MRPP e a eleição de deputados seus para o novo parlamento,
e é necessário igualmente dar forma a um programa político capaz de arrancar o país da
gravíssima crise em que se encontra mergulhado, que constitua uma alternativa real ao
desemprego, à escravidão assalariada, à pobreza e à privação de direitos a que se encontram
submetidas as classes trabalhadoras, e que seja susceptível de merecer o apoio de todas as
forças políticas e personalidades que se reclamam da liberdade para o povo, da democracia e
do socialismo.
No quadro de um tal programa político, Garcia Pereira e outros candidatos do PCTP/MRPP
que venham a ser eleitos para a Assembleia da República no próximo dia 27 de Setembro,
apresentarão de imediato as seguintes dez propostas políticas urgentes de combate ao
desemprego e à crise:
1. Instituição da semana de 30 horas de trabalho, sem perda de remuneração;
2. Revogação do actual Código de Trabalho;
3. Fixação do salário mínimo em 600 euros mensais;
4. Limitação dos leques salariais nas empresas e locais de trabalho a uma relação de 5
para 1;
5. Revogação dos contratos a prazo para preencher postos de trabalho permanentes (em
particular com jovens) e eliminação da possibilidade de despedimentos ilegais;
6. Aumento do montante do subsídio de desemprego para o valor do salário auferido à
data do despedimento e eliminação das actuais restrições ao seu acesso;
7. Fixação da idade geral de reforma aos 60 anos de idade ou após 35 anos de trabalho
remunerado e revogação da alteração do cálculo das pensões que conduziu ao seu
abaixamento generalizado;
8. Garantia por cinco anos de permanência no local de trabalho ou do pagamento do
salário por inteiro a todas as jovens mães;
9. Garantia do primeiro emprego aos jovens que concluam os seus estudos, em
actividades que correspondam às respectivas áreas e níveis de qualificação e
assegurando-se aos mesmos uma remuneração adequada;
10. Lançamento de um amplo programa de investimentos públicos destinado a fazer de
Portugal a principal placa giratória entre a Europa e as demais regiões do mundo, que
inclua a construção de um grande aeroporto internacional, de uma nova travessia sobre
o rio Tejo na zona de Lisboa, de novas infra-estruturas portuárias, com destaque para
Sines, Lisboa e Aveiro, e de uma rede ferroviária de alta velocidade voltada sobretudo
para o transporte de mercadorias e efectuando uma ligação célere à Europa.
CONTRA O DESEMPREGO E O CAPITAL -
- OS TRABALHADORES PODEM VENCER A CRISE!
POR UMA MUDANÇA DE ESQUERDA NO PARLAMENTO E NO PAÍS!
NO PRÓXIMO DIA 27 DE SETEMBRO, VAMOS ELEGER GARCIA PEREIRA PARA A
NOVA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA!
UMA REPRESENTAÇÃO PARLAMENTAR DO PCTP/MRPP FARÁ TODA A
DIFERENÇA NO COMBATE À CRISE ACTUAL E POR UM NOVO MODELO DE
DESENVOLVIMENTO PARA O PAÍS!
VOTA PCTP/MRPP!
30 de Agosto de 2009
A Candidatura Nacional do PCTP/MRPP
as Eleições Legislativas de 27 de Setembro
RECUSAR AS FALSAS ALTERNATIVAS
E ELEGER UMA REPRESENTAÇÃO PARLAMENTAR DO PCTP/MRPP!
A construção de uma base social de apoio ao projecto de sociedade, ao modelo de
desenvolvimento e ao programa imediato de combate à crise atrás expostos, passa
necessariamente pela eleição de uma representação do PCTP/MRPP no futuro parlamento e
exige também uma relação dos cidadãos com a política que vá para além dos habituais
estereótipos e que signifique uma responsabilização dos mesmos cidadãos pelas suas próprias
escolhas e pela participação na vida política do país. É preciso romper decididamente com
uma situação perversa em que os partidos e os políticos se comportam como donos do voto e
da vontade dos eleitores, fazendo o que muito bem entendem em nome destes e na mais
completa impunidade.
Sendo por definição a arte e a ciência de administrar os assuntos colectivos de uma
comunidade, a política é a mais nobre das actividades humanas e aquela de que todas as
demais dependem. Mas numa sociedade dividida em classes com interesses antagónicos e
inconciliáveis, como é o caso da sociedade portuguesa actual, a política que é usualmente
posta em prática pelos governos diz apenas respeito à administração dos assuntos que
interessam e beneficiam a classe que domina as demais, a classe capitalista, e obedece a
princípios e a práticas que são idênticos aos que essa classe utiliza na gestão dos seus
negócios. O dinheiro é o deus supremo, o enriquecimento individual é a maior das ambições e
ocupa na escala de valores a posição mais elevada, o predomínio absoluto é o dos interesses
particulares sobre o interesse colectivo – esta é a lógica sem a qual o capitalismo não pode
funcionar, é aquela que é constantemente inculcada nos cidadãos e é necessariamente aquela
que tende a presidir à acção dos representantes da classe capitalista dominante no exercício de
cargos públicos, sendo que as excepções que eventualmente possam existir apenas servem
para confirmar a regra.
Sucede que a natureza essencialmente parasitária e clientelista do capitalismo em Portugal,
sempre em busca do lucro rápido e fácil e servindo-se permanentemente dos favores do
Estado, faz com que a situação no nosso país, no que diz respeito às benesses e privilégios, à
corrupção, ao oportunismo e ao carreirismo dos detentores de cargos públicos, seja
particularmente grave e chocante, não se vislumbrando, nos partidos e nos políticos do poder
instituído, nenhuma possibilidade de produzir medidas, por mínimas que sejam, para
“moralizar” o sistema político e sendo espúrias, nas condições presentes, quaisquer esperanças
de o fazer por via judicial. A “pirâmide” do BPN, que envolve uma boa parte do séquito
cavaquista e parece abranger o próprio Cavaco, o regabofe das adjudicações sem concurso de
obras públicas a empresas dirigidas por apaniguados do PS, como a Mota-Engil, e os
sucessivos casos e escândalos que rodeiam o actual primeiro-ministro José Sócrates, são
apenas os exemplos mais recentes da podridão de um sistema incapaz de se reformar a si
próprio e que urge desmantelar e substituir.
É neste contexto que se explica, mas veementemente se condena, a impunidade com que a
actual maioria e o actual governo violaram, durante a legislatura que agora termina e com o
beneplácito do Presidente da República, os seus compromissos eleitorais no plano do
emprego, dos impostos, da legislação laboral, das pensões de reforma, da política educativa e
da saúde, etc., etc. O isolamento político em que caiu Sócrates e o governo do PS representam
uma tomada de consciência e uma rejeição crescente, por parte do eleitorado popular, desta
forma de fazer política. Por sua vez, tentando pescar nas águas turvas da crise política que
assim se criou, a candidata do PSD a chefe do governo vem agora dizer que não faz promessas
que não possa cumprir, quando toda a gente já percebeu que, com as suas não-promessas, o
que Ferreira Leite pretende é o mesmo cheque-em-branco para aplicar depois, em nome da
crise, medidas antipopulares ainda mais gravosas do que as postas em prática pelo governo
actual.
De resto, nas presentes eleições repete-se o fado e a ladainha das anteriores, ou seja, gastam-se
milhões para tentar “comprar” o voto dos eleitores, para depois se utilizar esse voto em
benefício pessoal dos eleitos e em benefício privado da classe que eles representam. Só uma
tomada de posição activa por parte do eleitorado mais consciente desta realidade e a
possibilidade de concitar um apoio significativo a uma alternativa real de esquerda ao presente
sistema, é que pode fazer com que o presente acto eleitoral possa servir para algo mais do que
tem servido invariavelmente até aqui, isto é, decidir se é o PS ou o PSD que vão administrar os
assuntos da classe capitalista em Portugal. Isto não significa que se devam alimentar ilusões
infundadas no próximo acto eleitoral, já que o que é determinante é a mobilização, a luta e a
organização das massas trabalhadoras pelos objectivos imediatos e futuros de um projecto
político revolucionário. Mas tais eleições podem sem dúvida traduzir-se num contributo
importante para romper com a actual situação de crise e abrir novos horizontes de esperança
no país.
Nestas condições, a utilização das presentes eleições legislativas como instrumento de uma
mudança política de esquerda exige um compromisso, por parte dos defensores consequentes
dessa mudança, com os seguintes princípios democráticos referentes aos actos eleitorais e à
situação dos representantes eleitos nos mesmos:
• A instituição do princípio de que nenhum governante ou deputado aufira um
rendimento superior ao que auferia antes de ser eleito ou nomeado, nem tão-pouco
beneficie de nenhum tipo de regalias que sejam superiores às de qualquer trabalhador
no activo;
• A punição exemplar dos actos de corrupção e de apropriação indevida de dinheiros no
exercício de cargos públicos, devendo ser declarada a imprescritibilidade de todos os
crimes neste domínio e criada uma entidade independente e credível para escrutinar
todos os indivíduos que passaram pelos governos desde o 25 de Abril, tendo em vista
averiguar o possível envolvimento dos mesmos naquele tipo de crimes;
• A criação de mecanismos constitucionais que permitam demitir imediatamente os
governantes e os deputados que violem os seus compromissos eleitorais e políticos;
• O estabelecimento de condições de igualdade na difusão das ideias, das posições e dos
programas políticos entre todos os partidos e forças políticas que se apresentem aos
actos eleitorais.
Sem que estes princípios sejam estabelecidos, não se pode falar de eleições democráticas em
Portugal e haverá sempre, nos órgãos do poder, uma maioria de representantes políticos
submetidos ao poder do dinheiro e aos interesses das classes dominantes e dos grandes grupos
económicos.
As próximas eleições legislativas podem em qualquer caso significar o reforço de uma
corrente progressista de mudança na sociedade portuguesa, a qual não se pode no entanto
confundir com a estratégia do PCP ou do BE, consistente em subordinar toda e qualquer
alternativa à situação presente a uma hipotética e impossível “viragem à esquerda” por parte
do PS. Partido sem ideologia e sem um programa articulado e coerente de combate à crise, o
BE tem como única estratégia política a de tentar capitalizar em votos o descontentamento
popular com os sucessivos governos, pelo que acabará por entrar em crise e declínio, tão
depressa cessem as subidas eleitorais que, muito à conta dos fortes apoios que lhe têm sido
prestados pelos órgãos de comunicação social, tem vindo a registar.
Para que as próximas eleições legislativas signifiquem, como se impõe, o início de uma
ruptura política com o actual estado de coisas, é indispensável que se verifique um reforço
substancial da votação no PCTP/MRPP e a eleição de deputados seus para o novo parlamento,
e é necessário igualmente dar forma a um programa político capaz de arrancar o país da
gravíssima crise em que se encontra mergulhado, que constitua uma alternativa real ao
desemprego, à escravidão assalariada, à pobreza e à privação de direitos a que se encontram
submetidas as classes trabalhadoras, e que seja susceptível de merecer o apoio de todas as
forças políticas e personalidades que se reclamam da liberdade para o povo, da democracia e
do socialismo.
No quadro de um tal programa político, Garcia Pereira e outros candidatos do PCTP/MRPP
que venham a ser eleitos para a Assembleia da República no próximo dia 27 de Setembro,
apresentarão de imediato as seguintes dez propostas políticas urgentes de combate ao
desemprego e à crise:
1. Instituição da semana de 30 horas de trabalho, sem perda de remuneração;
2. Revogação do actual Código de Trabalho;
3. Fixação do salário mínimo em 600 euros mensais;
4. Limitação dos leques salariais nas empresas e locais de trabalho a uma relação de 5
para 1;
5. Revogação dos contratos a prazo para preencher postos de trabalho permanentes (em
particular com jovens) e eliminação da possibilidade de despedimentos ilegais;
6. Aumento do montante do subsídio de desemprego para o valor do salário auferido à
data do despedimento e eliminação das actuais restrições ao seu acesso;
7. Fixação da idade geral de reforma aos 60 anos de idade ou após 35 anos de trabalho
remunerado e revogação da alteração do cálculo das pensões que conduziu ao seu
abaixamento generalizado;
8. Garantia por cinco anos de permanência no local de trabalho ou do pagamento do
salário por inteiro a todas as jovens mães;
9. Garantia do primeiro emprego aos jovens que concluam os seus estudos, em
actividades que correspondam às respectivas áreas e níveis de qualificação e
assegurando-se aos mesmos uma remuneração adequada;
10. Lançamento de um amplo programa de investimentos públicos destinado a fazer de
Portugal a principal placa giratória entre a Europa e as demais regiões do mundo, que
inclua a construção de um grande aeroporto internacional, de uma nova travessia sobre
o rio Tejo na zona de Lisboa, de novas infra-estruturas portuárias, com destaque para
Sines, Lisboa e Aveiro, e de uma rede ferroviária de alta velocidade voltada sobretudo
para o transporte de mercadorias e efectuando uma ligação célere à Europa.
CONTRA O DESEMPREGO E O CAPITAL -
- OS TRABALHADORES PODEM VENCER A CRISE!
POR UMA MUDANÇA DE ESQUERDA NO PARLAMENTO E NO PAÍS!
NO PRÓXIMO DIA 27 DE SETEMBRO, VAMOS ELEGER GARCIA PEREIRA PARA A
NOVA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA!
UMA REPRESENTAÇÃO PARLAMENTAR DO PCTP/MRPP FARÁ TODA A
DIFERENÇA NO COMBATE À CRISE ACTUAL E POR UM NOVO MODELO DE
DESENVOLVIMENTO PARA O PAÍS!
VOTA PCTP/MRPP!
30 de Agosto de 2009
A Candidatura Nacional do PCTP/MRPP
as Eleições Legislativas de 27 de Setembro
Saturday, September 05, 2009
A MENSAGEM
“Nestes tempos de crise das bolsas, dos bancos, dos negócios, nestes tempos de falência, de desemprego em massa, em que a vida perde o seu valor, a mensagem de Nietzsche e de Jim Morrison ganha uma actualidade única. Ao homem-mercadoria, ao homem-percentagem, ao homem-número, ao homem vencido, há que opôr o homem criador, o homem que diz sim à vida, não à vidinha da submissão, não à vidinha da rotina, não à vidinha do rebanho, mas sim à vida plena, à vida alegre, à vida autêntica. É possível passar do sub-homem ao super-homem se acreditarmos que, como disse Jim Morrison, isto não passa de um jogo, de um jogo imbecil. Se num desafio de futebol um jogador, uma estrela qualquer, decidir, de repente, pontapear a bola para fora e, pura e simplesmente, abandonar o campo toda a gente vai dizer: ponham esse palhaço na rua! Mas ele responde: ora, isto não passa de um jogo, da merda de um jogo, não sei porque lhe dão tanta importância. E o que temos de fazer é isso: abandonar o jogo, deixar que façam de nós escravos, imbecis. Temos de fazer alguns sacrifícios, seguir a nossa via ("solitário, segue o caminho que conduz a ti mesmo", diz Nietzsche), descurar a sobrevivência, abandonar a máquina mas o ganho será muito superior: tornar-nos-emos livres, poetas, filósofos, super-homens. Temos de nos juntar, fazer a revolução, mas não uma mera revolução política como a de 1917, como a de 25 de Abril, uma revolução global do espírito, das consciências. Teremos de ser até algo irracionais contra a pretensa racionalidade das bolsas, dos bancos, das empresas, da economia. TEmos de derrubar todos os governos. Destruir para construir. Começar do zero. Não ouçamos os jogos eleitoralistas e tácticos dos partidos políticos, dos sindicatos e das outras organizações. Sejamos nietzscheanos, morrisonianos. Punhamos à prova os limites da realidade. SEjamos doidos! Sejamos poetas! Superemos o homem, superemos o real. Construamos a vida. Sejamos afirmadores da vida. Afastemos a morte! Afastemos Deus, o capital e o dinheiro! Brindemos a Dionisos. Construamos o Céu na Terra, o Paraíso na Terra. O mundo é nosso. Não há regras. Não há limites. Queimemos o dinheiro! Queimemos a economia! Calemos para sempre os economistas. Sejamos, como disse Nietzsche, "decifradores de enigmas". Tornemo-nos deuses em vez de carneiros. Demos caos ao caos.”
A. Pedro Ribeiro
Friday, September 04, 2009
O CASO MANUELA MOURA GUEDES

Ainda é cedo e li o "Jornal de Notícias" quase todo. O caso Manuela Moura Guedes, o debate Jerónimo/Louçã, "o mundo à beira do abismo" segundo o secretário-geral da ONU, até as ameaças de porrada dos dinamarqueses no coitado do Ronaldo. Apesar de se tratar de uma guerra de capitais que, ao primeiro olhar, não nos diria respeito, estamos do lado da Manuela Moura Guedes. Não deixa de ser uma intromissão torpe do capital e presumivelmente do governo na liberdade de informação. É claro que essa questão da liberdade de informação tem muito que se lhe diga e o capital intervém em tudo (ou quase tudo) neste mundo de merda capitalista. Sabemos perfeitamente que a informação é seleccionada, manipulada. Mas não deixamos de defender um último reduto de liberdade. Talvez aí se situe, apesar de tudo, Manuela Moura Guedes. De qualquer forma, tudo o que for contra Sócrates, neste momento, joga a nosso favor. E não estamos, nunca estivemos, sozinhos.
O MUNDO DO SEXO
Hoje, para variar, esqueci-me do caderno. Tenho que recorrer a estas folhas soltas que mais facilmente se perdem. Ontem não fui a São João da Madeira mas estive em Vila do Conde, onde revi alguns amigos. O que conta, o que verdadeiramente conta, é o monólogo, o solilóquio do homem consigo mesmo. Quanto mais rico for, mais rico se tornará o homem. Estou a basear-me em palavras de Henry Miller em "O Mundo do Sexo".
Sunday, August 30, 2009
OFERECER O POEMA À MENINA

Não perco nada
em oferecer um poema
à menina da "Cristina"
os poetas,
pelo menos aqueles de que descendo,
sempre ofereceram poemas às meninas
não é um gesto antiquado
nem fora de moda
a gaja não me vai insultar
nem fazer cara feia,
espero eu
posso não alcançar
os efeitos pretendidos
mas não perco nada
em oferecer o poema
já o fiz no passado
muitas vezes
porque não voltar a fazê-lo?
Afinal de contas, já nem sou
um poeta qualquer
publicam-me livros
convidam-me para debates e espectáculos
de vez em quando
até apareço nos jornais
porque raio não hei-de
oferecer o poema?
Wednesday, August 19, 2009
POESIA DA CAGADEIRA
Poesia da Cagadeira
Obrar é lei do mundo,
Cagar lei do universo,
E foi assim, cagando,
Que eu fiz este verso
Sentado na cagadeira,
Sinto uma emoção profunda
A bosta bate na água
E a água bate na bunda
Por que mijas fora
se no entanto cagas dentro?
Ou tens o pau torto
ou o cú fora do centro!
Pego no papel higiénico,
Passo a lixa na bunda
Aperto o botão da descarga,
Mas a merda não afunda
Bosta não é tinta
Dedo não é pincel
Para limpar o cú
É favor usar papel
Xkutiv
Obrar é lei do mundo,
Cagar lei do universo,
E foi assim, cagando,
Que eu fiz este verso
Sentado na cagadeira,
Sinto uma emoção profunda
A bosta bate na água
E a água bate na bunda
Por que mijas fora
se no entanto cagas dentro?
Ou tens o pau torto
ou o cú fora do centro!
Pego no papel higiénico,
Passo a lixa na bunda
Aperto o botão da descarga,
Mas a merda não afunda
Bosta não é tinta
Dedo não é pincel
Para limpar o cú
É favor usar papel
Xkutiv
Tuesday, August 18, 2009
BOLAS NO POSTE

Ouço Nietzsche de novo
lá dentro
os homens olham para a bola
alimentam-se dela
eu tenho a minha filosofia
penso no sentido da vida
tenho levado uma vida solitária
com as minhas festas
os meus banquetes
segui o caminho da liberdade
isso ninguém me tira
mesmo que fique na merda
mesmo que caia em desgraça
segui o caminho
que conduz a mim mesmo
há salvas de canhão
dentro da minha mente
procuro a eternidade
do instante
não me adaptei á vida burguesa
às conversas do senso comum
à vulgaridade do intelecto
a bola acaba
os homens abandonam o café
nada de profundo
nada de sublime
só golos
e bolas no poste.
Monday, August 17, 2009
BUKOWSKI
OH SIM
há coisas piores do que
estar só
mas costuma levar décadas
até que o percebamos
e frequentemente
quando o conseguimos
é demasiado tarde
e nada pior
do que
ser demasiado tarde.
Charles Bukowski
(tradução de Tiago Nené)
há coisas piores do que
estar só
mas costuma levar décadas
até que o percebamos
e frequentemente
quando o conseguimos
é demasiado tarde
e nada pior
do que
ser demasiado tarde.
Charles Bukowski
(tradução de Tiago Nené)
CHARLES BUKOWSKI
O CORAÇÃO QUE RI
A tua vida é a tua vida
Não a deixes ser dividida em submissão fria.
Está atento
Há outros caminhos,
Há uma luz algures.
Pode não ser muita luz mas
vence a escuridão.
Está atento.
Os deuses oferecer-te-ão hipóteses.
Conhece-las.
Agarra-las.
Não podes vencer a morte mas
podes vencer a morte em vida, às vezes.
E quanto mais o aprendes a fazê-lo,
mais luz haverá.
A tua vida é a tua vida.
Memoriza-o enquanto a tens.
És magnífico.
Os deuses esperam por se deliciarem
em ti.
Charles Bukowski
(Tradução de Tiago Nené
A tua vida é a tua vida
Não a deixes ser dividida em submissão fria.
Está atento
Há outros caminhos,
Há uma luz algures.
Pode não ser muita luz mas
vence a escuridão.
Está atento.
Os deuses oferecer-te-ão hipóteses.
Conhece-las.
Agarra-las.
Não podes vencer a morte mas
podes vencer a morte em vida, às vezes.
E quanto mais o aprendes a fazê-lo,
mais luz haverá.
A tua vida é a tua vida.
Memoriza-o enquanto a tens.
És magnífico.
Os deuses esperam por se deliciarem
em ti.
Charles Bukowski
(Tradução de Tiago Nené
BUKOWSKI
Um poema de amor
todas as mulheres
todos os beijos delas as
formas variadas como amam e
falam e carecem.
suas orelhas elas todas têm
orelhas e
gargantas e vestidos
e sapatos e
automóveis e ex-
maridos.
principalmente
as mulheres são muito
quentes elas me lembram a
torrada amanteigada com a manteiga
derretida
nela.
há uma aparência
no olho: elas foram
tomadas, foram
enganadas. não sei mesmo o que
fazer por
elas.
sou
um bom cozinheiro, um bom
ouvinte
mas nunca aprendi a
dançar — eu estava ocupado
com coisas maiores.
mas gostei das camas variadas
lá delas
fumar um cigarro
olhando pro teto. não fui nocivo nem
desonesto. só um
aprendiz.
sei que todas têm pés e cruzam
descalças pelo assoalho
enquanto observo suas tímidas bundas na
penumbra. sei que gostam de mim algumas até
me amam
mas eu amo só umas
poucas.
algumas me dão laranjas e pílulas de vitaminas;
outras falam mansamente da
infância e pais e
paisagens; algumas são quase
malucas mas nenhuma delas é
desprovida de sentido; algumas amam
bem, outras nem
tanto; as melhores no sexo nem sempre
são as melhores em
outras coisas; todas têm limites como eu tenho
limites e nos aprendemos
rapidamente.
todas as mulheres todas as
mulheres todos os
quartos de dormir
os tapetes as
fotos as
cortinas, tudo mais ou menos
como uma igreja só
raramente se ouve
uma risada.
essas orelhas esses
braços esses
cotovelos esses olhos
olhando, o afeto e a
carência me
sustentaram, me
sustentaram.
todas as mulheres
todos os beijos delas as
formas variadas como amam e
falam e carecem.
suas orelhas elas todas têm
orelhas e
gargantas e vestidos
e sapatos e
automóveis e ex-
maridos.
principalmente
as mulheres são muito
quentes elas me lembram a
torrada amanteigada com a manteiga
derretida
nela.
há uma aparência
no olho: elas foram
tomadas, foram
enganadas. não sei mesmo o que
fazer por
elas.
sou
um bom cozinheiro, um bom
ouvinte
mas nunca aprendi a
dançar — eu estava ocupado
com coisas maiores.
mas gostei das camas variadas
lá delas
fumar um cigarro
olhando pro teto. não fui nocivo nem
desonesto. só um
aprendiz.
sei que todas têm pés e cruzam
descalças pelo assoalho
enquanto observo suas tímidas bundas na
penumbra. sei que gostam de mim algumas até
me amam
mas eu amo só umas
poucas.
algumas me dão laranjas e pílulas de vitaminas;
outras falam mansamente da
infância e pais e
paisagens; algumas são quase
malucas mas nenhuma delas é
desprovida de sentido; algumas amam
bem, outras nem
tanto; as melhores no sexo nem sempre
são as melhores em
outras coisas; todas têm limites como eu tenho
limites e nos aprendemos
rapidamente.
todas as mulheres todas as
mulheres todos os
quartos de dormir
os tapetes as
fotos as
cortinas, tudo mais ou menos
como uma igreja só
raramente se ouve
uma risada.
essas orelhas esses
braços esses
cotovelos esses olhos
olhando, o afeto e a
carência me
sustentaram, me
sustentaram.
BUKOWSKI
Poema nos meus 43 anos
Terminar sozinho
no túmulo de um quarto
sem cigarros
nem bebida —
careca como uma lâmpada,
barrigudo,
grisalho,
e feliz por ter
um quarto.
… de manhã
eles estão lá fora
ganhando dinheiro:
juízes, carpinteiros,
encanadores, médicos,
jornaleiros, guardas,
barbeiros, lavadores de carro,
dentistas, floristas,
garçonetes, cozinheiros,
motoristas de táxi…
e você se vira
para o lado esquerdo
pra pegar o sol
nas costas
e não
direto nos olhos.
Terminar sozinho
no túmulo de um quarto
sem cigarros
nem bebida —
careca como uma lâmpada,
barrigudo,
grisalho,
e feliz por ter
um quarto.
… de manhã
eles estão lá fora
ganhando dinheiro:
juízes, carpinteiros,
encanadores, médicos,
jornaleiros, guardas,
barbeiros, lavadores de carro,
dentistas, floristas,
garçonetes, cozinheiros,
motoristas de táxi…
e você se vira
para o lado esquerdo
pra pegar o sol
nas costas
e não
direto nos olhos.
Tuesday, August 11, 2009
CHARLES BUKOWSKI
CHARLES BUKOWSKI
UM POEMA CRUEL
eles continuam a escrever
a despejar poemas –
jovens rapazes e professores universitários
mulheres que bebem vinho toda a tarde
enquanto os maridos trabalham,
eles continuam a escrever
com os mesmos nomes nas mesmas revistas
cada ano a escreverem pior,
publicam colectâneas de poesia
e despejam mais poemas
parece um concurso
é um concurso
mas o prémio é invisível.
eles não escrevem nem contos nem ensaios
nem romances
apenas
despejam poemas
todos parecidos com os dos outros
e cada vez menos originais,
e alguns dos rapazes cansam-se e desistem
mas os professores nunca desistem
e as mulheres que bebem vinho toda a tarde
nunca, mas mesmo nunca, desistem
e chegam outros rapazes com novas revistas
e há troca de cartas entre poetas e poetisas
alguns chegam a foder
e tudo é exagerado e aborrecido.
quando os poemas saem
eles reescrevem-nos
e enviam-nos para a próxima revista na lista,
e fazem leituras
todas as que conseguem fazer
a maior parte de borla
na esperança que alguém repare neles
que alguém os aplauda
lhes reconheça o talento
os felicite
eles estão convencidos da sua genialidade
há muito poucas dúvidas,
e muitos vivem no Grande Porto ou Grande Lisboa,
e as suas caras são como os poemas que escrevem:
semelhantes,
e conhecem-se uns aos outros e
reúnem e odeiam e admiram e escolhem e expulsam
e continuam a despejar mais poemas
mais e mais poemas
mais e mais poemas
o concurso dos pasmados:
tap tap tap, tap tap, tap tap tap, tap tap…
UM POEMA CRUEL
eles continuam a escrever
a despejar poemas –
jovens rapazes e professores universitários
mulheres que bebem vinho toda a tarde
enquanto os maridos trabalham,
eles continuam a escrever
com os mesmos nomes nas mesmas revistas
cada ano a escreverem pior,
publicam colectâneas de poesia
e despejam mais poemas
parece um concurso
é um concurso
mas o prémio é invisível.
eles não escrevem nem contos nem ensaios
nem romances
apenas
despejam poemas
todos parecidos com os dos outros
e cada vez menos originais,
e alguns dos rapazes cansam-se e desistem
mas os professores nunca desistem
e as mulheres que bebem vinho toda a tarde
nunca, mas mesmo nunca, desistem
e chegam outros rapazes com novas revistas
e há troca de cartas entre poetas e poetisas
alguns chegam a foder
e tudo é exagerado e aborrecido.
quando os poemas saem
eles reescrevem-nos
e enviam-nos para a próxima revista na lista,
e fazem leituras
todas as que conseguem fazer
a maior parte de borla
na esperança que alguém repare neles
que alguém os aplauda
lhes reconheça o talento
os felicite
eles estão convencidos da sua genialidade
há muito poucas dúvidas,
e muitos vivem no Grande Porto ou Grande Lisboa,
e as suas caras são como os poemas que escrevem:
semelhantes,
e conhecem-se uns aos outros e
reúnem e odeiam e admiram e escolhem e expulsam
e continuam a despejar mais poemas
mais e mais poemas
mais e mais poemas
o concurso dos pasmados:
tap tap tap, tap tap, tap tap tap, tap tap…
Monday, August 10, 2009
ENTRE A NOVA ONDA E A PADEIRINHA

Entre a "Nova Onda" e a "Padeirinha"
a televisão incomoda
e até vejo aqui gajas boas
aparte as que a televisão mostra
em biquini
as empregadas estão sempre a mudar
tal como na "Nova Europa"
e o homem que se dá com toda a gente
fala com toda a gente
e lê o jornal
as boazonas desfilam
de biquini na televisão
que já não incomoda
e a miss que ganhou
nem é grande coisa.
O VELHOTE E O ROCHA
O velhote fuma cá dentro
parece que tem dívidas
ao Arlindo
que o manda fumar
lá para fora
o velhote fala
no outro mundo
e o Rocha não está cá
para comentar.
parece que tem dívidas
ao Arlindo
que o manda fumar
lá para fora
o velhote fala
no outro mundo
e o Rocha não está cá
para comentar.
Venho ao "Nova Europa"
o Rocha uma vez mais
não está
que será feito do Rocha?
O Arlindo saúda-me
não se esqueceu de mim
o "Nova Europa"
está na mesma
só falta aqui o rocha
a Rosa também não está
que pasmaceira!
São quase cinco
e eu tenho de ir à AJA
entregar os livros
Paredes de Coura já era
e a Gotucha não sei se vem.
o Rocha uma vez mais
não está
que será feito do Rocha?
O Arlindo saúda-me
não se esqueceu de mim
o "Nova Europa"
está na mesma
só falta aqui o rocha
a Rosa também não está
que pasmaceira!
São quase cinco
e eu tenho de ir à AJA
entregar os livros
Paredes de Coura já era
e a Gotucha não sei se vem.
Thursday, August 06, 2009
DIÁRIO

É quase Agosto. Até o futebol anda às moscas. Ontem em V.N. Telha falava-se de política, do Bragança Fernandes, o presidente da Câmara da Maia. Devem pensar que eu sou um perigoso revolucionário. Começaram a falar mal dos políticos à segunda cerveja. Há conversas que me acendem. A maior parte das conversas é uma seca. A maior parte das conversas falam sempre das mesmas coisas. Há jogos de futebol que me fazem dormir. Há adeptos que praguejam a todo o momento. Há adeptos que só têm bolas na cabeça. Valha-nos a cerveja. O gerente e a mulher são porreiros. Até me compram livros. Não há dúvida que a cerveja acelera a escrita. Hoje aqui neste ermo e amanhã no meio da multidão. São os contrastes deste mundo. Só espero que não chova às três horas lá em Paredes de Coura.
Vai chover amanhã. Isso põe em causa o espectáculo de Paredes de Coura. Estou preocupado. Estou nervoso. Aqui em Vilar do pinheiro os cafés estão às moscas. Cheira a Agosto. Com um dia destes nada faria prever que chovesse amanhã. Amanhã lá estaremos, aconteça o que acontecer. A Gotucha continua retida na Madeira.
Monday, August 03, 2009
O POETA QUE BEBE E ESCREVE

O Do Vale chegou
e eu bebo
acho que se pudesse
passava a vida a beber
sempre suportava
melhor o tédio
sempre apanhava
brutas bebedeiras
e andava quase sempre
alegre
de qualquer modo
este ofício de escrever
não é mau
desde que haja álcool
um gajo lá se diverte
a escrever acerca dos outros
sempre tece umas considerações
acerca da humanidade
sempre mica umas gajas
sempre tem uns momentos de fama
e de anonimato
e lá vai bebendo uns copos
sem ter de trabalhar
como os outros
isso é que interessa
o que interessa é o rock n' roll
e as bolas a rolar
às vezes até se gosta de futebol
sem se deixar contagiar
também não se pode andar
paranóico com a gripe
ou com a SIDA
ou com o caralho que seja
o que importa
é um gajo estar inteiro
e inventar umas coisas
deixar fluir
de vez em quando
umas gajas vêm ter connosco
dão-nos o que queremos
não tem necessariamente
de ser "top-models"
e lá vamos passando as horas
no "Piolho"
a fazer horas para o "Púcaros"
os media lá nos vão dando importância
e assim existimos
é claro que ainda não dissemos
o que queríamos dizer
é claro que ainda não dissemos tudo:
Sócrates, cabrão cinzentão sem coração,
não temos medo de ti!
Mundo não serves,
queremos outro!
Mas hoje não é dia para dramatizar
hoje só queremos beber uns finos
somos o poeta à mesa que bebe e escreve
divertimo-nos com o espectáculo do mundo
neste momento até nem temos
razões de queixa
outros que se manifestem
outros que subam ao palco
já chegamos onde queríamos chegar
já vimos Deus e os deuses e os demónios
já estivemos no céu e no inferno
já estivemos neste palco muitas vezes
já recebemos palmas e apupos
agora somos apenas o poeta que bebe
o poeta que bebe e escreve
à mesa do "Piolho"
nada mais
apenas isso
contentamo-nos com uns finos
e uns sorrisos.
"Piolho", 29.7.2009
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