Monday, March 16, 2009

OS POETAS


OS POETAS



Descemos à cave

para celebrar o poema

trazemos o fogo

que roubámos aos deuses

brindamos à vossa mesa



Somos da raça dos malditos

dos renegados de todas as eras

connosco as damas não estão seguras

connosco o sangue ferve de raiva



Os negócios dos homens nada nos dizem

entre faunos e sátiros

erigimos a nossa morada

o homem vulgar não nos atinge



Os nossos festins não conhecem limites

estamos irmanados com a loucura



O nosso grito é inumano

Vem do centro da Terra

O riso é satânico dionisíaco



Não usamos relógios

a nossa hora é o Grande Meio-Dia

as regras dos homens nada nos dizem

só as seguimos, quando as seguimos,

por conveniência



Entramos no espírito dos homens

convertemos as mulheres em bacantes

semeamos o caos e a anarquia



O sossego e o tédio amolecem-nos

tornam-nos tímidos

mas o vinho robustece-nos

torna-nos xamãs

irmãos dos deuses

Poetas.





Vilar do Pinheiro, Motina, 11.11.2008

SE NÃO BEBO


Ontem o Púcaros estava quase às moscas. Mesmo assim deu para ouvir umas coisas novas e conversar com os amigos. Enfim, melhores dias virão. As gajas, não sei porquê, começam a aproximar-se de mim. Agora vêm ter comigo no fim dos espectáculos como nos dias gloriosos de outrora. Talvez por eu ser uma espécie de cavaleiro do apocalipse, de arauto do caos e da desordem, de profeta da revolta à minha escala. Dizem que gostam de mim porque eu digo a verdade. Grande responsabilidade para quem não quer responsabilidades. Na sociedade-espectáculo um gajo tem de ter a noção do espectáculo. Não se vai pôr aos berros para uma plateia de cinco gajos. Sou um gajo repentista, não sou um estudioso no sentido clássico, embora dedique grande parte do meu tempo ao estudo e à leitura. Sou um gajo dionisíaco que se apaga perante a rotina e que renasce com a ruptura. Não sou um teórico como o Rocha que desenvolve teses sobre tudo e mais alguma coisa, que tem os livros na ponta da língua. Por vezes, consigo expressar-me melhor através da escrita do que através da fala. É claro que tenho o meu lado racional, racionalista mas o espírito dionisiaco não o suporta, combate-o com todas as forças, sobrepõe-se quando menos se espera e chega a ficar sem controle.
Se não bebo fico mole, triste, convencional. É triste dizê-lo mas hoje isto parece-me inquestionável. Se não bebo começo a perder a conversa com os gajos e com as gajas. Se não bebo começo a tornar-me enfadonho, tímido, rotineiro. Por muito que custe há que dizê-lo.

POETA DIVINO


Poeta divino
queres o agora
poeta divino
queres o céu na Terra
fartaste-te da vida previsível
do governo e dos economistas
fartaste-te do grande tédio
que traz o deus-dinheiro
poeta divino
amas a vida
poeta divino
queres que o sangue corra
fartaste-te do rebanho
e da vidinha
poeta divino
és o menino e o bailarino
procuras o banquete permanente
e a alegria
poeta divino
os deuses amam-te
afastam-te da razão
dão-te a sabedoria
poeta divino
o futuro que se foda!

A SOCIEDADE DO DINHEIRO

A SOCIEDADE DO DINHEIRo

Qual é o sentido da vida? Não há Deus nem deuses, apenas o Homem. Que sentido há em estar sempre atrás do dinheiro? Que sentido há em estar sempre atrás da bola? O que é que isso tem de belo, de bom, de transcendente? A vida não pode ser isso! A vida é a volúpia, o prazer, a alegria, o amor, a criação, a celebração. A vida é a conquista da felicidade. Não podemos ser felizes se andamos sempre a fazer contas, não podemos ser felizes se somos escravos do dinheiro, da bola, do que quer que seja. O capitalismo e o mercantilismo são inimigos da liberdade e da felicidade. O capitalismo e a sociedade do dinheiro condenam o homem ao tédio e à depressão. O capitalismo e a sociedade do dinheiro castram os instintos vitais. O capitalismo e a sociedade do dinheiro são a morte. O capitalismo e a sociedade do dinheiro transformam tudo em merda. É com a nossa vida que eles jogam. É a nossa vida que eles destroem. É da nossa vida que vos falo. É a nossa vida que eles nos tiram.

CONSIDERAÇÕES METAFÍSICAS ACERCA DE UMA TOSTA-MISTA


CONSIDERAÇÕES METAFÍSICAS ACERCA DE UMA TOSTA-MISTA

Sento-me na confeitaria
e a palavra não sai
penso em reis, criadores, artistas
naqueles que andam na corda-bamba
e entra um homem que insulta o mundo
e que pede uma tosta-mista
de que magia se faz o poema?

A D. Rosa dormita diante da folha de papel
porque raio será que isto tem de ter uma lógica?
Deveríamos passar a vida a dançar
a fazer coisas sem sentido e sem objectivo
a D. Rosa escreve um poema
medita longamente
mas a coisa lá vai saindo
que ganho eu com isto,
para além de umas presumíveis palmas
no Púcaros e noutros tascos?
Que é isto senão a arte pela arte,
a criatividade pela criatividade?
O homem come a tosta-mista
e a D. Rosa escreve o poema
cisma
demora uma eternidade
e a coisa começa a dar-me gozo
o gozo com que o homem
devora a tosta-mista
e paga
o dinheiro circula
das mãos de uns para a caixa registadora
de outros
será isto a vida?
A D. Rosa levanta-se
também dá dinheiro para a caixa registadora
a caixa registadora é sagrada
todos se lhe dirigem
e prestam vassalagem

De repente, as pessoas soltam a língua
falam de casas, dos tubos entupidos,
do 2º andar
e das paredes que rebentam
a coisa torna-se violenta
apesar das iluminações natalícias
começam a dissertar acerca da pobreza,
dos pobres de juízo, da Maria Badalhoca
aprende-se muito por estas bandas

Levanto-me
também eu presto vassalagem
à caixa registadora.

A. Pedro Ribeiro, "Motina", 4.12.2008

NIETZSCHE, zaratustra


IX
Zaratustra dormiu muito tempo e por ele passou não só a aurora mas toda a manhã. Por fim abriu os olhos, e olhou admirado no meio do bosque e do silêncio; admirado olhou para dentro de si mesmo. Ergueu-se precipitado, como navegante que de súbito avista terra, e soltou um grito de alegria porque vira uma verdade nova. E falou deste modo ao seu coração:

“Um raio de luz me atravessa a alma: preciso de companheiros, mas vivos, e não de companheiros mortos e cadáveres, que levo para onde quero.

Preciso de companheiros, mas vivos, que me sigam — porque desejem seguir-se a si mesmos — para onde quer que eu vá.

Um raio de luz me atravessa a alma: não é à multidão que Zaratustra deve falar, mas a companheiros! Zaratustra não deve ser pastor e cão de um rebanho!

Para apartar muitos do rebanho, foi para isso que vim. O povo e o rebanho irritam-se comigo. Zaratustra quer ser acoimado de ladrão pelos pastores.

Eu digo pastores, mas eles a si mesmos se chamam os fiéis da verdadeira crença!

Vede os bons e os justos! a quem odeiam mais? A quem lhes despedaça as tábuas de valores, ao infrator, ao destruidor. É este, porém, o criador.

O criador procura companheiros, não procura cadáveres, rebanhos, nem crentes; procura colaboradores que inscrevam valores novos ou tábuas novas.

O criador procura companheiros para seguir com ele; porque tudo está maduro para a ceifa. Faltam-lhe, porém, as cem foices, e por isso arranca espigas, contrariado.

Companheiros que saibam afiar as suas foices, eis o que procura o criador. Chamar-lhes-ão destruidores e desprezadores do bem e do mal, mas eles hão de ceifar e descansar.

Colaboradores que ceifem e descansem com ele, eis o que busca Zaratustra. Que se importa ele com rebanhos, pastores e cadáveres?

E tu, primeiro companheiro meu, descansa em paz! Enterrei-te bem, na tua árvore oca, deixo-te bem defendido dos lobos.

Separo-me, porém, de ti; já passou o tempo. Entre duas auroras me iluminou uma nova verdade.

Não devo ser pastor nem coveiro. Nunca mais tornarei a falar ao povo; pela última vez falei com um morto.

Quero unir-me aos criadores, aos que colhem e se divertem; mostrar-lhes-ei o arco-iris e todas as escadas que levam ao Super-homem.

Entoarei o meu cântico aos solitários e aos que se encontram juntos na solidão; e a quem quer que tenha ouvidos para as coisas inauditas confranger-lhe-ei o coração com a minha ventura.

Caminho para o meu fim; sigo o meu caminho; saltarei por cima dos negligentes e dos retardados. Desta maneira será a minha marcha o seu fim!”

O POEMA


Quando vou dizer poesia
não vou apenas dizer poesia
vou passar mensagens
sinto que estou próximo
de escrever "o poema"
o poema à Nietzsche, divino,
que vá muito para lá das bolas de Natal
que incorpore a raiva, a revolta
que vai nas ruas de Atenas
e que se vai estender por toda a Europa
o poema que está no sexo, nas mamas das gajas
que permanentemente se insinuam para mim
e me acendem
o poema que está nas vozes dos deserdados da vida,
dos que dormem à chuva e ao frio nas ruas,
nas cabines telefónicas, onde calha
o poema dos poetas malditos que insultam a vida imbecil
dos burgueses, que dizem não às convenções e às normas,
que sobem à montanha da àguia e da serpente porque estão fartos
do rebanho e da populaça, porque estão fartos dos cegos
que se deixam governar por imbecis, como dizia Shakespeare
o poema daqueles que não se contentam com a lógica do dinheirinho
e do trabalhinho, daqueles que vão ao fundo deles mesmos e do mundo,
daqueles que odeiam o mercado e os contabilistas que governam,
daqueles que se tornam neles mesmos e que dizem que o melhor governo
é não existir governo nenhum
o poema daqueles que amam o caos porque sabem que é do caos
que nasce a criação, daqueles que amam as alturas e o perigo,
daqueles que se entediam com o paleio imbecil do dinheiro
e do sucesso mediático
o poema daqueles que amam vertiginosamente sem limites, daqueles que
procuram o sublime, o céu na Terra e que sabem que pode estar ao virar
da esquina
o poema daqueles que amam a vida, a vida pura, autêntica, a vida que não está
nos bancos nem nos governos nem nas Igrejas nem no quotidiano imbecil
e previsível
o poema daqueles que vivem em rebelião, que não suportam mais a existência quadrada e vazia, a existência de percentagens, bolsas e estatísticas que esses cabrões
contabilistas nos vendem
o poema daqueles que já nada têm a perder, que atiram pedras e cocktails molotov
aos cães da polícia, aos representantes dos contabilistas e dos economistas, que
combatem a morte em nome da vida e que sabem que só assim a coisa é possível, sem
dirigentes nem vanguardas, sem negociações, mediações ou sindicatos,
já se fizeram todas as negociações possíveis, já se esgotaram todos os entendimentos,
as negociações quase mataram o Homem, quase tornaram o Homem numa espécie falhada
é tempo de reagir
agora ou nunca!
WE WANT THE WORLD AND WE WANT IT NOW!
Não aqui meios-termos
não há meias palavras
ou...ou...
ou és nosso ou és deles
estou a falar da vida
estou a falar da celebração
estou a falar da liberdade
estou a falar do amor
do amor que não está nos negócios, do amor que não está no mercado, do amor que não está no dinheiro, no amor que não está no senso comum
este é o poema
o poema que não está no mercado
o poema que não vale 4,3% nem 9%, nem 15,5% nem 18 valores
o poema que não é nota, o poema que não vai a exame
o poema que vai ao mar e se deixa levar
o poema que te ama
e que não quer saber do Natal
o poema que dança
e que não grama prisões
o poema que canta
e não quer saber de cifrões
o poema armado
que vai à luta
que vai até ao fim
o poema que vai à lua
que não tem fim
o poema que te chama
que te acena
ao lado de Merlin
o poema que procura
que anda às turras
até encontrar
o poema que conquista
que se lança ao mar
sem medos
o poema-torpedo
o poema que perfura
até conseguir
o poema que incomoda
que não está na moda
e que, se calhar, até está
o poema que cria
o poema que destrói
o poema que inaugura
e que dói

olha, alguns fogem
viram a cara
outros ficam
siderados, talvez
nunca tinhas escrito bem assim...

Vilar do Pinheiro, "Motina", 16.12.2008

O POETA E AS GAJAS BOAS


O POETA E AS GAJAS BOAS

E cá está o poeta de café, só, diante da folha que já não é branca. E cá está o poeta a olhar, a ver se gajas que o entusiasmem, que o façam cavalgar. As gajas boas são as musas que lhe dão tesão, que o fazem sair da letargia. Mesmo que nunca as conheça, que nunca fale com elas, o poeta depende das gajas. São elas que se insinuam, são elas as ancas que gingam, são elas as mamas que abanam. O poeta sem as gajas não é nada. O poeta não cria, o poeta não escreve, o poeta não vibra sem as gajas. O poeta pensa no assunto e bebe. Bebe cada vez mais, fino após fino mas as gajas boas não aparecem. Só entram gajas feias e engravatados. O poeta aborrece-se e bebe. Bebe, bebe, bebe, até que rebenta.
- A culpa é vossa, gajas boas,
só aparecestes agora que o poeta está rebentado, feito em pedaços
olhai que perda para a Humanidade
olhai que se tivesses aparecido a tempo
o poeta teria escrito a obra imortal
de agora em diante ide, ide pelos campos
à procura dos poetas
ide dar-lhes de comer e de beber
a vida dos poetas está na vossa mão
e nas vossas mamas
e na vossa pássara
sede dignas dos poetas, ò gajas boas.

GAJAS BOAS


GAJAS BOAS

Gajas boas, vós amais o poeta
deixai os bares e as discotecas da moda
deixai as passerelles e as revistas cor-de-rosa
deixai as conversas superficiais e os futebolistas
gajas boas, ide ter com o poeta
olhai que ele se afoga no àlcool e na solidão
olhai que ele se perde no riso do Do Vale
olhai que ele está prestes a cair ao chão
gajas boas, vós amais o poeta
ide ter com ele aos tascos,
aos cafés, às esplanadas
falai com ele
animai-lhe o espírito
dai-lhe beijos na boca
gajas boas,
estais na Terra para salvar o poeta
deixai os executivos
dai-lhe amor
de vós depende a Obra
gajas boas, fornicai o poeta

Saturday, March 07, 2009

ASSIM FALAVA ZARATUSTRA, NIETZSCHE


Conhecer é uma alegria para quem tem a vontade do leão!

Querer liberta: porque querer é criar: é isto o que eu ensino. E não deveis aprender senão para criar!

Vede, pois, como estes mesmos povos imitam agora os merceeiros: para juntar as mais pequenas vantagens, dão a volta a todas as sujidades!

O seu sustento- é o único assunto com que se sabem entreter; que tenham, portanto, a vida dura!

E que para nós seja considerado perdido o dia em que não dançámos!

A palavra é uma loucura encantadora: com ela o homem dança acima de todas as coisas.

Tirai-nos este Deus! Mais vale não haver Deus, mais vale cada um fazer o seu destino guiando-se pela sua cabeça, mais vale ser cada um de nós o seu próprio Deus!

Viver segundo a minha vontade ou não viver.

E preferi o desespero à submissão. E, na verdade, amo-vos porque não sabeis viver hoje, ó homens superiores!

Este hoje é o da populaça.

Louvado seja esse espírito de todos os espíritos livres, tempestade que ri e atira poeira para os olhos de todos os pessimistas e de todos os que estão cheios de úlceras!

Ó homens superiores, aprendei, portanto, a rir!

Não se mata pela cólera, mas pelo riso.

Tornámo-nos homens- queremos, pois, o reino da Terra.


NIETZSCHE, "ASSIM FALAVA ZARATUSTRA"

DEMOS CAOS AO CAOS


“Nestes tempos de crise das bolsas, dos bancos, dos negócios, nestes tempos de falência, de desemprego em massa, em que a vida perde o seu valor, a mensagem de Nietzsche e de Jim Morrison ganha uma actualidade única. Ao homem-mercadoria, ao homem-percentagem, ao homem-número, ao homem vencido, há que opôr o homem criador, o homem que diz sim à vida, não à vidinha da submissão, não à vidinha da rotina, não à vidinha do rebanho, mas sim à vida plena, à vida alegre, à vida autêntica. É possível passar do sub-homem ao super-homem se acreditarmos que, como disse Jim Morrison, isto não passa de um jogo, de um jogo imbecil. Se num desafio de futebol um jogador, uma estrela qualquer, decidir, de repente, pontapear a bola para fora e, pura e simplesmente, abandonar o campo toda a gente vai dizer: ponham esse palhaço na rua! Mas ele responde: ora, isto não passa de um jogo, da merda de um jogo, não sei porque lhe dão tanta importância. E o que temos de fazer é isso: abandonar o jogo, não deixar que façam de nós escravos, imbecis. Temos de fazer alguns sacrifícios, seguir a nossa via ("solitário, segue o caminho que conduz a ti mesmo", diz Nietzsche), descurar a sobrevivência, abandonar a máquina mas o ganho será muito superior: tornar-nos-emos livres, poetas, filósofos, super-homens. Temos de nos juntar, fazer a revolução, mas não uma mera revolução política como a de 1917, como a de 25 de Abril, uma revolução global do espírito, das consciências. Teremos de ser até algo irracionais contra a pretensa racionalidade das bolsas, dos bancos, das empresas, da economia. TEmos de derrubar todos os governos. Destruir para construir. Começar do zero. Não ouçamos os jogos eleitoralistas e tácticos dos partidos políticos, dos sindicatos e das outras organizações. Sejamos nietzscheanos, morrisonianos. Punhamos à prova os limites da realidade. SEjamos doidos! Sejamos poetas! Superemos o homem, superemos o real. Construamos a vida. Sejamos afirmadores da vida. Afastemos a morte! Afastemos Deus, o capital e o dinheiro! Brindemos a Dionisos. Construamos o Céu na Terra, o Paraíso na Terra. O mundo é nosso. Não há regras. Não há limites. Queimemos o dinheiro! Queimemos a economia! Calemos para sempre os economistas. Sejamos, como disse Nietzsche, "decifradores de enigmas". Tornemo-nos deuses em vez de carneiros. Demos caos ao caos.” A. Pedro Ribeiro

Monday, March 02, 2009

LOUÇÃ E A BOA NOVA


LOUÇÃ E A BOA NOVA
António Pedro Ribeiro

O Louçã tem razão acerca de quase tudo quanto diz sobre o Governo. No que toca ao desemprego, aos bancos, aos salários baixos. Louçã tem-se tornado uma espécie de profeta, de pregador que o povo ouve com redobrada atenção. Louçã parece infalível.
Também nós nos deveríamos converter numa espécie de pregadores. Não nascemos para trabalhar mas para pregar a Boa Nova, escrevemos já algures. Mas não temos de saber todos os pormenores técnicos como o Louçã. Nem queremos alcançar o poder como o Louçã. Devemos apenas dizer que há uma diferença de vida e de morte entre a sociedade mercantil e aquilo que desejamos. Que os economistas e os governos pregam a morte alicerçada em percentagens e estatísticas enquanto que nós falamos a linguagem da poesia, do amor, da liberdade. Contra a economia e o mercado propomos o espírito livre de Nietzsche, contra a sobrevida ou subvida ou sub-homem propomos a vida e o super-homem. Eis o que nos distingue do Louçã.

Saturday, February 28, 2009

TESES SOBRE A VISITA DO PAPA


Teses Sobre a Visita do Papa


1. Ó Estado, mais uma vez podes limpar as mãos à parede do cu do papa, ficarás com as mãos mais brancas para os teus crimes. Ó partidos, da esquerda e da direita, mais uma vez podeis beijar os pés ao papa, ficareis com a boca abençoada para mentir melhor. Explorados, escolhei o crime, escolhei a mentira. Sois livres. Tu poeta, range os dentes e indigna-te.
2. Que o Estado venere a Deus na figura do papa, que os partidos venerem o Estado na figura do papa; que os explorados venerem a Deus, o Estado, o Partido- a trindade omnipresente. Enfim, o poder temporal subordinado ao poder sobrenatural. Nem Deus nem senhor? Maldita incurável doença infantil do comunismo. Explorado, escolhe o explorador.
3. O Estado que te submete é republicano e reverencia a Igreja, o Partido em que militas é marxista e felicita o papa, o Sindicato onde estás inscrito é revolucionário e saúda a reacção. A greve geral é uma arma que não deve ferir o papa. Nada contra o obscurantismo. Paz ao inimigo. Quem disse que a religião é o ópio do povo? Explorados, que escolheis?
4. Sobretudo, nada de escândalo. Uma pedra branca sobre o crime, uma pedra negra sobre a crítica. Ecrasez l' infâme, dizia Voltaire. O silêncio dos ateus é o ouro do Vaticano. Explorado, escolhe a pedra para a tua cabeça.
5. Conquistar a liberdade de expressão para não usar a liberdade de expressão. Não denunciar o opressor, não ousar atirar-lhe à cara a revolta, sequer na forma de um cravo. Ver, ouvir, receber o papa com o medo do 24 de Abril. Explorado, porque não vomitas?
6. Explorado, sê manso e obedece. Pode ser que entres no reino dos céus, de camelo ou às costas de um rico. Obedece. Pode ser que vás para a cama com a pátria. Obedece. Pode ser que o teu cadáver ainda venha a ser estandarte glorioso do Partido. Nunca percas a esperança, explorado, jamais.
7. Abaixo a união livre. Viva a coexistência pacífica. O casamento do capital e do trabalho vai ser o grande casamento do século. Não haverá oposição dos pais nem da polícia. Sobretudo, tudo menos a erotização do proletariado. Felicidades, explorado.
8. Ouvi falar da luta de classes e da revolução e do mundo que o proletariado tem a ganhar e nada a perder. Ouvi falar das armas da crítica e da crítica pelas armas. Ouvi falar em transformar o mundo e mudar a vida. Ouvi falar de que enquanto um homem, um só que seja, e ainda que seja o último, existir desfigurado, não haverá figura humana sobre a terra. Nunca tinha ouvido uma sereia assim. Ouviste, explorado?
9. O diálogo? Que diálogo pode haver entre o condenado à morte e o carrasco que o conduz ao patíbulo? O diálogo é entre amantes, entre amigos, entre camaradas. Fora disso não há diálogo. Tens a palavra, explorado.

ANTÓNIO JOSÉ FORTE (1931-1988), in "Uma Faca nos Dentes", Revista Utopia nº 19/2005.

CARÊNCIA

carencia


A situaçao de carencia vivida no quotidiano das massas, onde nao ha nenhuma ocorrencia excepcional, onde o individuo tem que levantar-se cedo todas as manhas, apanhar um autocarro cheio, passar l´´a mais de uma hora, executar um trabalho maçador, relacionar-se superficialmente com os seus colegas de trabalho, ir cansado para casa, apanhar outro autocarro cheio e viajar mais tanto tempo, chegar a casa, jantar, sentar-se diante da TV, cochilar e por fim dormir, para ter no dia seguinte tudo outra vez, por uma vida toda, essa viv^^encia sem novidades, sem emoçoes, sem ocorrencias que fujam do quotidiano retiram ao sujeito o verdadeiro prazer de viver.
(Ciro Marcondes Filho, A Linguagem da Seduçao).

UM NÃO OU O POEMA DA NEGAÇÃO


Um Não ou o Poema da Negação


Um nao ao mercado global que tudo estrangula, que tudo sufoca, que tudo mata. Um nao ao capitalismo global que nos faz passivos, desempregados, famintos, miseraveis, subservientes. Um nao ao lucro e ao culto do lucro. Um nao rotundo do tamanho do mundo.

Um nao aos baroes da finança, aos banqueiros, aos que enchem a pança. Um nao aos governos joguetes do capital, aos heroinomanos do defice, aos senhores feudais, aos mandaretes locais.
Um nao aos vendedores da banha da cobra, aos vendilhoes do templo, aos especuladores profissionais. Um nao a economia de guerra, ao imperialismo, ``a felicidade fabricada. Um nao rotundo do tamanho do mundo.
Um nao as multinacionais, ao homem-mercadoria, a exploraçao. Um nao ao culto da competiçao.
Um nao as panelinhas, as capelinhas e as outras ias que ai vao. Um nao que incomoda. Um nao ao detergente da moda.
Um nao sem meias tintas, sem mediaçoes internacionais. Um nao sem negociaçoes sindicais, sem institucionalizaçoes partidarias, sem comites centrais. Um nao imenso de revolta. Um nao rotundo do tamanho do mundo.

Monday, February 23, 2009

DOIS ANOS

Este blogue já fez dois anos. Parabéns ao PSSL.

Thursday, February 19, 2009

O SUPER-HOMEM


A crise é culpa dos especuladores bolsistas, dos banqueiros e dos governos. É preciso dizê-lo sem rodeios. De nada adianta a atitude nihilista, pessimista de andar a lamentar a crise como se ela não tivesse culpados. Não demos ouvidos ao discurso assexuado, não vital dos economistas. Opunhamos a palavra aos números, às taxas, às percentagens. CElebremos a vida, a revolta, a palavra poética. Sejamos dandies, libertinos, libertários. CElebremos o individuo livre, o espírito livre de Nietzsche. DEclaremos guerra aos governos, aos capitalistas, aos banqueiros, aos especuladores bolsistas. Declaremos guerra aos que nadam e aldrabam em milhões, aos que nos querem reduzir ao sub-homem. Combatamos a lógica do rebanho, do sujeito dócil, frustrado, temente a Deus ou ao deus-dinheiro. Proclamemos o individuo soberano, o senhor sem escravos. O individuo que segue a via que conduz a si mesmo, que não quer governar nem quer ser governado. O individuo que se torna um deus que canta, dança e ri, o super-homem. O individuo que ri nas barbas do capitalismo. O individuo que incendeia a bolsa, os bancos e o mercado. Que queima o dinheiro. Sim, sejamos deuses contra os deuses do dinheiro e do mercado. SEjamos doidos, sejamos poetas. Afirmemos a vida contra o primado da economia. Combatamos a morte! Acabemos com a dependência face ao dinheiro. Acabemos com a morte! Rebentemos com o mundo deles. Pilhemos o mundo deles com terrorismo poético. Sejamos deuses, sejamos o super-homem!

Friday, February 13, 2009

TERRORISMO POÉTICO


Terrorismo Poético
Postado no Junho 13, 2008 por Renata Simões
DANÇAR BIZARRAMENTE A NOITE INTEIRA em caixas eletrônicos de bancos. Apresentações pirotécnicas não autorizadas. Land-art*, peças de argila que sugerem estranhos artefatos alienígenas espalhados em parques estaduais. Arrombe apartamentos, mas, em vez de roubar, deixe objetos Poético-terroristas. Seqüestre alguém & o faça feliz. Escolha alguém ao acaso & o convença de que é herdeiro de uma enorme, inútil e impressionante fortuna - digamos, cinco mil quilômetros quadrados na Antártica, um velho elefante de circo, um orfanato em Bombaim ou uma coleção de manuscritos de alquimia. Mais tarde, essa pessoa perceberá que por alguns momentos acreditou em algo extraordinário & talvez se sinta motivada a procurar um modo mais interessante de existência.

Coloque placas de bronze comemorativas nos lugares (públicos ou privados) onde você teve uma revelação ou viveu uma experiência sexual particularmente inesquecível etc.

Fique nu para simbolizar algo.

Organize uma greve na escola ou trabalho em protesto por eles não satisfazerem a sua necessidade de indolência & beleza espiritual.

A arte do grafite emprestou alguma graça aos horríveis vagões de metrô & sóbrios monumentos públicos - a arte - TP também pode ser criada para lugares públicos: poemas rabiscados nos lavabos dos tribunais, pequenos fetiches abandonados em parques & restaurantes, arte-xerox sob o limpador de pára-brisas de carros estacionados, slogans escritos com letras gigantes nas paredes de playgrounds, cartas anônimas enviadas a destinatários previamente eleitos ou escolhidos ao acaso (fraude postal), transmissões de rádio pirata, cimento fresco…

A reação do público ou o choque-estético produzido pelo TP tem que ser uma emoção pelo menos tão forte quanto o terror - profunda repugnância, tesão sexual, temor supersticioso, súbitas revelações intuitivas, angústia dadaísta - não importa se o TP é dirigido a apenas uma pessoa ou várias pessoas, se é “assinado” ou anônimo: se não mudar a vida de alguém (além da do artista), ele falhou.

O TP é um ato num Teatro da Crueldade sem palco, sem fileiras de poltronas, sem ingressos ou paredes. Para que funcione, o TP deve afastar-se de forma categórica de todas as estruturas tradicionais para o consumo de arte (galerias, publicações, mídia). Mesmo as táticas de guerrilha Situacionista do teatro de rua talvez tenham agora se tornado muito conhecidas & previsíveis.
Uma requintada sedução levada adiante não apenas pela satisfação mútua, mas também como um ato consciente por uma vida deliberadamente mais bela - deve ser o TP definitivo. O Terrorista Poético comporta-se como um trapaceiro barato cuja meta não é dinheiro, mas MUDANÇA.

Não faça TP para outros artistas, faça-o para pessoas que não perceberão (pelo menos por alguns momentos) que o que você fez é arte. Evite categorias artísticas reconhecíveis, evite a política, não fique por perto para discutir, não seja sentimental; seja impiedoso, corra riscos, vandalize apenas o que precisa ser desfigurado, faça algo que as crianças lembrarão pelo resto da vida — mas só seja espontâneo quando a Musa do TP o tenha possuído.

Fantasie-se. Deixe um nome falso. Seja lendário. O melhor TP é contra a lei, mas não seja pego. Arte como crime; crime como arte.

* Tipo de arte que usa a paisagem, normalmente natural, como objeto artístico, sendo a própria natureza (e seus fenômenos, chuva, vento, etc.) elementos constitutivos da obra.

Tradução de Jersson de Oliveira - texto original de Hakim Bey, in Caos, terrorismo poético & outros crimes exemplares, editado no Brasil pela Conrad
*encontrei no rizoma.net

>o terrorismo poético de Rafael na Belas Artes continua repercutindo. Saiu um ótimo texto da Camile no blog do Repique

Arquivado em: arte por toda parte, habemus histórias | Tagged: hakim bey, invasão de pixadores na Belas Artes, terrorismo poético

« arte como crime, crime como arte vampire weekend + flobots »

Sunday, February 01, 2009

DADAÍSMO E SURREALISMO


O dadaísmo floresceu em Zurique em 1915, após o início da I Guerra Mundial, por um grupo de jovens intelectuais contrários à guerra que se encontravam no Cabaré Voltaire, entre eles Hugo Ball, Emmy Hennings, Janco, Tristan Tzara, sendo este responsável pelos manifestos fundamentais sobre o dadaísmo. Já em Berlim iniciou em 1918, tendo uma característica diferente de Zurique, isto porque os dadaístas de Berlim provocaram uma genuína revolução, confrontando a arte, o pensamento, os sentimentos, a política e a sociedade nesta empreitada pela transformação.
Nesta época de turbulência, o dadaísmo procurava estabelecer uma ordem e por outro lado quebrar a ordem. Foi assim, que apareceu uma série de revistas com as opiniões dos integrantes deste segmento artístico.
Em 1918, o dadaísmo está no seu ápice em Berlim, ocorrendo o "Primeiro discurso dadá na Alemanha", o qual manifestam a sua simpatia pelo dadaísmo internacional, nascido dois anos antes em Zurique. A idéia deste discurso estava em contradizer ao expressionismo, futurismo, cubismo, arte abstrata, chegando à superioridade do dadaísmo, Huelsenbeck disse como "o manifesto é uma fonte literária na qual se podem injetar muitas das nossas sensações e diversos dos nossos pensamentos".
O dadaísmo buscava corrigir a arte que havia se destruído pelas várias tendências artísticas erradas, sendo que assim fundou-se o Clube Dadá. Era à busca de uma total participação e contestação de todos os valores, a começar pela arte. Inclusive, o nome Dadá é casual, escolhido abrindo-se um dicionário por acaso.


Salvador Dalí - "Natureza Morta", 1956

Até pouco tempo, contestava-se a quem atribuir as honras do legítimo nascimento do dadaísmo, a Richard Huelsenbeck ou Raoul Haussmann, utilizando-se sempre as siglas "R.H." para não acarretar um erro.
Richter afirma "é que os dois R.H., juntamente com Baader - a antiinibição personificada - unha e carne com Grosz e os irmãos Herzfelde, formavam a tropa de choque propriamente dita do movimento Dada berlinense: Huelsenbeck como emissário do Dada original de Zurique, e portanto representante da religião dadá; Haussmann como personalidade ilustre do Dadá artístico, dotado de um egocentrismo sombrio, documentado em inúmeras oportunidades; Baader como um saco cheio de dinamite, e os três outros na qualidade da ala esquerda. Em uma questão específica os Dióscuros R.H. e R.H. estavam de acordo: Dadá era a antiarte".
Apesar da proclamação da antiarte, muito do que Haussmann fazia ainda lembrava em muito a arte abstrata tão desprezada e, somente depois que começa a utilizar-se de colagens e fotomontagens, que tem o surgimento de uma nova arte, levando a uma nova imagem do mundo.
Era um momento de transformação e agitação, tendo uma função social que fez com o público despertar, mas em relação ao cultural, significava uma rebelião, o "Antitudo, o entusiasmo que dominava a maioria dizia respeito ao próprio EU, que, livre de culpa e penitência, encontrava a partir de si próprio as suas leis, sua forma e sua confirmação...porque as circunstâncias favoreciam e até mesmo provocavam a mais livre das rebeliões", afirma Richter.
O Dadá possuía um caráter totalmente anárquico, o qual refletia na vida real, mas com esta expulsão da arte para o lixo, acabou-se atenuando a luta contra as condições sociais alemãs, pronunciando o nazismo, e contestando a economia e a industrialização. Mesmo assim, o pano de fundo sempre foi a arte.
As manifestações deste grupo são sempre desconcertantes, desordenadas e escandalosas, o Dadaísmo é um contra-senso, isto porque nega a arte, sendo um movimento artístico, é a pura ação, onde não se valoriza a obra, mas sim a si próprio. Isto tudo teve como o estopim a guerra, que acarretou uma série de problemas psicológicos e sociais há sociedade daquela época.
Para Argan, o dadaísmo "propõe uma ação perturbadora, com o fito de colocar o sistema em crise, voltando contra a sociedade seus próprios procedimentos ou utilizando de maneira absurda as coisas a que ela atribuía valor. Renunciando às técnicas especificamente artísticas, os dadaístas não hesitam em utilizar materiais e técnicas da produção industrial".
Os pontos que mais fortaleciam os dadaístas em Berlim eram: o elevado número de mortes durante a guerra, o insucesso de uma revolução, a oposição reprimida, a pressão pelos comunistas, o sucesso do Dadá em Zurique e, por fim a falta de liberdade que tanto aguçava os ânimos para as oportunidades.
Os dadaístas berlinenses tinham tudo para continuar a sua luta, principalmente por terem Haussmann e Baader, como amigos e aliados frente aos entusiasmos para um levante ou o desencadeamento de uma situação revolucionária. Contrariando a todos aqueles que se opunham, continuando um caminho ativo do grupo Dadá e, muitas vezes com apresentações agressivas.
Mas, por volta de 1922, o Dadá começa a ter as suas primeiras perdas, e assim a esmorecer, onde alguns de seus personagens perdem a sua consciência com a comunidade, outros abandonam, até a volta de todos aos seus antigos afazeres.
Logo, em seguida aparece o Surrealismo que teve como ponto de partida o ano de 1924, com a reunião de um grupo em torno de André Breton que tinha como preceitos, os conceitos ligados ao inconsciente, aos sonhos e a fantasia. Não havia regras ou formas estéticas, os surrealistas buscavam o sentido mais puro do espírito e o que este proporcionaria ao poeta ou ao artista.
Contudo, os surrealistas buscaram parte de seus valores éticos e morais, no Marquês de Sade, escritor do século XVIII que serviu de inspiração para o teatro, o cinema, a literatura e as artes plásticas. Segundo Fernando Peixoto "seu pensamento, embora com certo nível extremista, é igualmente um grito de revolta eloqüente. Um grito desesperado e angustiado, o incontrolável extremo de um individualismo absoluto que limita bastante o alcance ou o significado de suas idéias, a ânsia de libertação, gigantesco protesto em favor do homem livre, a denúncia de uma civilização fundamentada nos instintos planejadamente reprimidos, baseada na hipocrisia, no preconceito, na corrupção, na injustiça, na divisão social e na feroz crueldade".
Para os surrealistas a influência do Marquês de Sade antecipou a Psicologia moderna com Freud, por meio dos estudos sobre o sonho e os caminhos explorados no inconsciente.
De acordo com as informações proporcionadas por Sade e Freud, André Breton definiu: "Surrealismo é automatismo psíquico puro por meio do qual nos propomos exprimir tanto verbalmente quanto por escrito ou de outras formas o funcionamento real do pensamento, é o ditado do pensamento com a ausência de todo controle exercido pela razão, além de toda e qualquer preocupação estética e moral".
Desta forma, o Surrealismo passa a ser visto como uma arte do inconsciente, projetando muitas vezes uma ideologia subversiva, reprimida nos seus mais profundos anseios, assim ao chegar a sua produção permite ao criador demonstrar desde seus instintos animais, aos sexuais, aos sociais, expondo os desejos do indivíduo como os da sociedade.
O surrealismo como as demais vanguardas artísticas tinham como ambição mudar a História, especialmente no campo político, apesar de ter como meta à mudança na vida, partindo da vida muda-se o mundo, desígnios presentes nas palavras de Marx,Goethe, Rimbaud e muitos outros.
Breton e os surrealistas participaram do Partido Comunista buscando concretizar parte de suas aspirações, mas acabam por deixar o partido por não ser bem este o caminho a se tomar e, desta maneira continuam no que é essencial para a existência humana, que é o sonho.
O Surrealismo foi um movimento bastante amplo, no campo da literatura, tendo como antecedentes Baudelaire, Rimbaud, Allan Poe, Apollinaire que influenciaram diretamente nas teorias de André Breton presentes no Manifesto do Surrealismo, Segundo Manifesto do Surrealismo, Posição Política do Surrealismo, Prolegômenos a um Terceiro Manifesto do Surrealismo ou não, Do Surrealismo em suas Obras Vivas e outros textos. Em todos Breton difundia com destreza a posição do homem na vida, sobre a liberdade, a loucura, a lógica, enfim os sentidos da vida humana.
Nas artes plásticas notamos importantes representantes, entre eles podemos citar Max Ernst com experiências automatistas que elucidavam em alucinações nascidas dos sonhos, o inconsciente passa a ser um dos alicerces para a produção de seu trabalho. Nas reuniões com o grupo de surrealistas permitiam a libertação do subconsciente e, assim a evasão dos medos e rejeições ao contarem os seus sonhos.
Max Ernst cria a frottage, que era uma técnica "para além da pintura", a liberação de todos os sentidos e a descoberta daqueles que ainda permaneciam escondidos ao se defrontarem com a realidade. Para Ulrich Bischoff "a frottage é mais que uma técnica é um processo artístico em que tanto o conteúdo como o conceito criam um mundo novo".
Marc Chagall apresentou um mundo imaginário e sobrenatural, onde o espírito e o corpo estavam separados, criando assim um mundo figurativo, constituindo uma série de metáforas, início do seu surrealismo que por meio de ciências ocultas buscou a intelectualidade. O mundo de Chagall era rodeado de idéias místicas que transformavam os motivos em símbolos representativos de uma realidade invisível, isto porque os acontecimentos da sua infância e a rigorosa ausência da arte figurativa no judaísmo perseguiram sua mente, alternando as suas fases analíticas e sintéticas.
Como afirma Argan, "a pintura de Chagall é fábula, mas a fábula é problemática...a fábula não é uma tradição que se transmite por inércia, mas é a expressão viva da criatividade do povo. Sendo uma força popular, pode ser uma força revolucionária".
Salvador Dali é outro artista que teve em seu trabalho a presença provinda dos sonhos e do sexualismo. Gala, a sua mulher foi a grande responsável por parte de sua produção, pois como Dali mesmo afirma só conheceu os prazeres do amor com Gala, desta forma acabará de entrar por um mundo freudiano que o levou ao obscuro caminho dos sonhos.
Os trabalhos de Dali envolviam os acontecimentos da Guerra Civil Espanhola, as torturas, a degradação, o sofrimento e a morte, sentimentos que transbordavam em suas telas. Com Luis Buñuel formata a idéia do O Cão Andaluz.
E assim, no cinema Luis Buñuel produz o primeiro filme surrealista em 1929, O Cão Andaluz, sendo este um grito sobre a tragédia humana com seqüências enlouquecidas e enlouquecedoras para o observador. No seu L'âge d'or, Buñuel se aprofunda na temática surrealista da psicanálise com discussões sobre o homem e a mulher e as alegorias do inconsciente.
A década de 30 na Europa foi marcada pelo surrealismo, influenciando todos os grupos de artistas. Com a II Guerra Mundial, grande parte do grupo surrealista parte para os EUA e, em 1940 chega ao fim um dos movimentos artísticos mais importantes da História.



Paula Regina Buonaducci Molina
Mestre em História da Arte - ECA/USP

Friday, January 30, 2009

MANIFESTO DO PSSL


O Partido Surrealista Situacionista Libertário (PSSL) opõe-se à vidinha do rebanho, previsível, rotineira, sem interesse de todos os dias. O PSSL opõe-se à não-vida do mercado, da economia, do dinheiro, do lucro, do governo, do défice, das décimas, das percentagens. O PSSL recusa que o homem se reduza à condção de número, de mercadoria, de objecto de compra e venda, o PSSL abomina a troca mercantil "que emporcalha as relações humanas". O PSSL quer silenciar o discurso assexuado dos economistas. O PSSL acredita no amor, na liberdade e na poesia como forças inaugurais de um mundo onde o homem seja criador, deus, poeta. O PSSL acredita na vida autêntica, plena, divina tornada banquete permanente, onde sejamos profetas e afirmadores da vida. O PSSL quer acrescentar caos ao caos actual de forma a atingir a revolução. O PSSL entende que a culpa da crise do capitalismo é do próprio capitalismo e que, portanto, é preciso derrubá-lo mas sem as tácticas eleitoralistas dos partidos e organizações tradicionais que apenas contribuem para o reformar. O PSSL não acredita em transições pacíficas para o socialismo nem para o anarquismo por isso defende a revolta permanente.

Tuesday, January 27, 2009

A REVOLUÇÃO E A CRISE


A REVOLUÇÃO E A CRISE



António Pedro Ribeiro



Falências, despedimentos em massa, vidas desfeitas, pobreza, miséria, eis o resultado da crise dos bancos e das bolsas. E não há aqui capitalismo financeiro ou selvagem e capitalismo "soft". O capitalismo é só um. É um sistema imensamente cruel que transforma o homem em mercadoria, em mero objecto de compra e venda como os detergentes e o papel higiénico. O que eles querem - banqueiros, capitalistas, políticos- é que passemos a vida a lamentar a crise como se ela fosse uma inevitabilidade e não tivesse culpados. A crise tem culpados: os banqueiros, os especuladores bolsistas, os capitalistas, os governantes. É preciso dizê-lo e proclamá-lo a alto e bom som. É necessário fazer como na Grécia e na Islândia. Vir para a rua agitar. Só assim eles nos compreendem. Só assim eles percebem a força que podemos ter. Só a revolução acabará com a crise.

Sunday, January 25, 2009

MORRISON


É uma espécie de jogo. Você sai para uma noite de bebedeira e nunca sabe o que pode acontecer: pode ser uma tragédia ou simplesmente uma grande noite de conversações e diversão.

Jim Morrison



Rolling Stone: Existe alguma área sobre a qual você gostaria de falar?

Jim Morrison: Que tal... você gostaria de discutir sobre o álcool? Apenas um diálogo pequeno. Nada muito longo. O álcool está oposta às drogas.

R. S.: O.k.? Parte da mitologia é a de você no papel de um beberrão pesado.

J. M.: Num nível bem básico, amo beber. Mas não consigo me ver bebendo apenas leite ou água. Mas isso me arruina. Você tem de ter vinho ou cerveja para completar uma refeição (longa pausa).

R. S.: É tudo o que você tem a dizer? (risos)

J. M.: Ficar bêbado... você está totalmente em controle até um ponto. É sua escolha, toda vez que toma um gole. Você tem muitas pequenas escolhas. É como... acho que é a diferença entre o suicídio e uma entrega aos poucos.

Saturday, January 24, 2009

JIM MORRISON


James Douglas Morrison nasceu no dia 8 de dezembro de 1943 na cidade de Melbourne, Florida - EUA. Sagitariano, ele era poeta de corpo e alma. Seus amigos mais íntimos eram os outros membros da banda, sua namorada Pam e aqueles que o acompanharam desde o começo de sua carreira.Antes de ser um músico, Morrison era um poeta, muitas vezes incompreendido. Sua sinceridade, seu jeito de expor a mais dura realidade sobre a humanidade em suas poesias conquistaram grande multidão, mas também afastavam aqueles que não compreendiam suas atitudes. Sua escrita virou porta-voz de um movimento, de uma alternativa ao status-quo social, na sua "in your face poetry" (poesia na cara).

Do seu filósofo favorito, Friedrich Nietzsche, Morrison tirou alívio e incentivo para dizer "sim para a vida". Ele não era mais um suicida do rock, como muitos acreditam, mas escolheu intensidade ao invés de duração. Tornou-se o que Nietzsche definia como "aquele que não nega, que não diz não, que se atreve a se criar".

Ele se recusava a comprometer sua arte. Este foi o seu bem e também o seu mal, ir até o fim dessa busca ou morrer tentando: tudo ou nada. E justamente por ele não industrializar ou popularizar o que escrevia, não conseguia fingir desespero ou êxtase. O que fazia não era mero entretenimento nem simplesmente a realização de movimentos já condicionados; ele era brilhante e desesperado, motivado pela necessidade de "testar os limites da realidade", sondar o sagrado e explorar o profano.

JIM MORRISON


JIM MORRISON
Os concertos dos Doors eram na verdade, rituais. Morrison conhecia profundamente a filosofia de Nietzche e particularmente suas obras: A origem da tragédia e a cultura dos gregos, nas quais o autor postula o espírito dionisíaco em cujo delírio sagrado a natureza abre ao artista suas verdadeiras portas e lhe mostra a face real:

"A música mágica e a conjuração parecem ter sido a forma primitiva e origem de toda a poesia. O homem acostumou-se durante milênios com a conecção do idioma com o ritmo da música. O poder mágico da dicção rítmica tem sido paulatinamente esquecido. Distanciamo-nos cada vez mais da nossa origem. A canção mágica é uma conjuração aos demônios que parecem estar em atividade. A iniciação - cujos mestres foram segundo a mitologia, Orfeu, Musaeu, etc... era fundamentada pelos efeitos catárticos. As canções rituais relacionadas com os antigos mistérios eram vigorosas e entusiásticas."

(Nietzche - A cultura dos gregos)

"Da mesma forma que os coribantes possuídos pela febre da dança não realizam suas que evoluções no espaço, segundo uma clara consciência, os poetas líricos também engendram as mais belas poesias apenas quando a potência da harmonia e do ritmo 'baixa' sobre eles."

(Platão, em Ion)

Morrison havia particpado na UCLA de um grupo de teatro que seguia as diretrizes do teatro da crueldade do surrealista Antonin Artaud. A representação cênica foi revolucionada por este mestre que a concebia como um ritual orgástico, mágico e irrepetitível. Artaud, que nos anos 30 já experimentava peiote (cacto alucinógeno) entre os xamãs mexicanos, descreveu esse ritual no seu livro A Taraumara.

"O país dos índios Taraumara é repleto de misteriosos signos de formas esculpidas pela rocha viva sob o sol escaldante do deserto. Sob o efeito profundo do peyote, presenciei a tradição da Cabala, esta notável música dos números. A sagrada matemática oculta, na qual o caos material se rende totalmente a seus princípios. Uma matemática grandiosa que explica como a natureza engendra a gênese das formas. Nos maciços rochosos do deserto, distinguia, cristalinamente as estátuas esculpidas segundo a progressão numérica 3,4,7 e 8. As formas bizarras e barrocas dispunham-se sob um pedestal de granito formado por 3 sólidas rochas que se arrojavam em 12 pontas até as alturas. Os Taraumara repetiam estas séries em seus rituais e danças."

(Antonin Artaud)

Os alucinógenos sempre tiveram uma importância muito grande na formulação inicial do som dos Doors. Eram utilizados como catalisadores. Morrison seguiu ao pé da letra a máxima de Rimbaud: "Embriaguês sagrada: te afirmamos método!" ritualizando seus concertos, deixava-se levar pelas poderosas correntezas de Dionísio.

(Erycson Poltronieri e Andrei Simoes)

ANARQUISMO E ANTROPOLOGIA


Livros: “Anarquismo e Antropologia” e “Dicionário da Anarquia”
Segunda-feira, 5 Janeiro 2009
[Acabaram de ser lançados dois livros que merecem ser conferidos. "Anarquismo e Antropologia", saiu na Espanha e fala das "relações e influências mútuas entre a antropologia social e o pensamento libertário". Já "Dicionário da Anarquia", foi editado na França, e é um livro que ao longo de suas 665 páginas aborda os principais defensores da anarquia, as idéias e pensamentos anarquistas no mundo contemporâneo, a sua influência, muitas vezes negligenciadas, e ainda ignoradas.]

Anarquismo e Antropologia

Desde Piotr Kropotkin até Pierre Clastres, passando por Marcel Mauss ou Radcliffe-Brown, um enigmático vínculo tem ligado o anarquismo e a antropologia. Hoje, dentro do esforço por defender antropologias não-hegemônicas está emergindo uma espécie de “antropologia anarquista”. Este livro coleciona contribuições de diversos antropólogos que se aproximam a diversas realidades influenciadas pelo pensamento libertário: Brian Morris, Abel Al Jende, Harold Barclay, Félix Talego, David Graeber, Gavin Grindon, Jesus Sepúlveda, Karen Goaman e John Zerzan. Cada um desde diversos ângulos e analisando diferentes objetos de estudo, nos mostram a coisa frutífera da aproximação entre uma escola de pensamento e movimento social, por um lado, e uma disciplina científica, por outro.

LaMalatesta Editorial, Madri 2008 - 267 págs.

Mais infos: www.lamalatesta.net

Dicionário da Anarquia

Na Abadia de Thélème, imaginada por Rabelais, fazia-se o que se queria. Este constituiu um dos antecedentes daquilo que alguns séculos mais tarde se veio a designar por anarquia. As bases deste anti-sistema floresceu no lastro do iluminismo com William Godwin e Charles Fourier, mas o verdadeiro teorizador da anarquia foi, sem dúvida, Pierre-Joseph Proudhon (1809-1865), autor de uma doutrina política socialista que sempre se mostrou extremamente crítica em relação a outra corrente de pensamento, o socialismo de Karl Marx.

Enquanto movimento político propriamente dito, a anarquia só aparece por volta de 1880, pouco depois da morte do aristocrata Mikhail Bakunin (1814-1876), considerado o pai de todos os anarquismos, e que foi excluído por Marx da Internacional. A anarquia assume-se como um movimento exterior a todos os partidos, e agrega múltiplas variantes e tendências.

“O que há de comum entre o anarquismo individualista, de Stirner a E.Armand, e o comunismo libertário de Kropotkine senão a oposição mais completa ao aparelho estatal? Assim como, pouco ou nada há em comum entre o pacifismo integral do anarquista Louis Lecoin, e a sua defesa da objeção de consciência, e o niilismo terrorista, já sem falar do anarquismo cristão ou, até mesmo, do anarco-capitalismo”.

Michel Ragon acaba de editar na França um Dicionário da Anarquia destinado a esclarecer uma corrente de pensamento e um movimento social muito pouco conhecido pelas pessoas em geral. Um pensamento que Michel Ragon, filho de camponeses, e hoje octogenário (nasceu em 1924), sempre partilhou, e o marcou no seu percurso de autodidata, desde o tempo que era alfarrabista nas margens do Sena até se ter consagrado como crítico de arte e de arquitetura.

De Proudhon a Cohn-Bendit, de Brassens a Léo Ferré, de Mirbeau a Camus, de Breton a Sartre, de Henry Thoreau a Herbert Marcuse, do Surrealismo ao Situacionismo, sem esquecer desenhistas como o belga Frans Masereel ou o pintor impressionista Camille Pissarro, a família libertária é de uma espantosa riqueza e de uma enorme diversidade, o que constitui simultaneamente o seu ponto fraco, mas também a sua maior capacidade de atração. Ora é todo este panorama que a obra de Michel Ragon, agora editada, pretende dar conta sob o ambicioso título, Dicionário da Anarquia.

Não falta sequer neste dicionário a menção do niilismo dos terroristas russos, referidos por Tourgueniev, Tchernychevski, Dostoïevski ou Nietzsche, ou os terroristas franceses, que se reivindicam anarquistas, desde Ravachol ao Bando de Bonnot, ou mesmo da Action Directe.

Figura tutelar em todo este movimento é, sem dúvida, Louise Michel (1830-1905), professora e conhecida figura da Comuna de Paris, a quem é reservada uma atenção especial nas múltiplas entradas de que é constituído este valioso dicionário da anarquia.

Editions Albin Michel, 2008. 665 págs.


agência de notícias anarquistas-ana
.
mescalero

Wednesday, January 14, 2009

COMUNICADO DOS SURREALISTAS PORTUGUESES


COMUNICADO DOS SURREALISTAS PORTUGUESES
Novembro de 2006 (ver nota 1 abaixo)





Por um deserto exaustivamente longo, seguimos o nosso caminho de inventores desconhecidos, enquanto um corpo de mulher decapitado nos sorri, e uma mêsa muito branca e sangrando sempre caminha para nós ...

Em cada país a posição surrealista tem de se colocar conforme as suas próprias possibilidades e formas de actuação, condicionada pelo meio em que existe e é obrigada a ser e servindo da capacidade de revolucionar-destruir-criar que êsse mesmo meio lhe proporciona. O surrealista não é um mártir da ciência ou de qualquer outro mito aceite pela sociedade dita organizada, nem um combatente pago (ou não-pago) para servir ordens emanadas de qualquer partido ou organização mais ou menos política ou filantrópica. O surrealista utiliza o seu próprio mito, venha ele das cavernas dos anões de sete olhos ou das máquinas de costura antiquíssimas, serve-se do seu mito particular para seguir pelos caminhos tenebrosos e ainda por descobrir onde existem pontes de velhos manequins, e usa-o conforme a sua necessidade e furor pessoais dentro do meio em que por acaso existe, sem procurar o martírio merdoso heroico-patriótico dos homens de partido. Por isso as actuações tem de se adaptar ao local em que se situam. Por isso a nossa afirmação de que, em Portugal, não é possível a existência de qualquer agrupamento ou movimento dito surrealista, mas de que apenas poderão existir indivíduos surrealistas agindo, por vezes, em conjunto.

Debaixo de qualquer ditadura (fascista ou stalinista) não é possível uma actuação surrealista organizada sem as respectivas consequências de represálias policiais e portanto sem o aparecimento dos respectivos mártires e herois. A acção surrealista, nêste caso particular, está limitada a uma série de actos que poderíamos chamar de guerrilhas, ou a um acomodamento reaccionário com os respectivos ministérios de PROPAGANDA. Das duas posições é, sem dúvida, a primeira a única possível embora, por vezes, bastante difícil de manter.

Quando num país o poeta não é mais poeta se não pertencer a um partido e o homem não pode ser homem se não for um carneiro, o grande mito do século - LIBERDADE - deixa de ser mito para se tornar uma realidade visível que se procura com ânsia e desejo. Quando num país a egreja católica tranforma os homens em seres sem sexo e a ditadura do Papa obriga os poetas a serem padres ou castrados, o nosso furor sexual obriga-nos ao grande acto mágico da subversão de valores e à afirmação total do nosso direito de actuar livremente, de sermos os verdadeiros poetas do amôr, da destruição, da surrealidade.

Queremos afirmar - e afirmamos - que a verdadeira actuação surrealista, não se limitando ao campo político, ao filosófico, ao estético, ou a qualquer outro mas reúnindo-os todos no Real-Imaginário, não pode nem deve seguir a rota de qualquer um destes caminhos mas agir dentro de todos eles. Por isso cremos que aqui, em Portugal, estando, como estamos, limitados por todos os lados, só temos à nossa frente a feroz presença do desejo individual para lutarmos contra a extinção do Homem que o estado vai realizando sistemáticamente e não podemos, portanto, enfileirar em qualquer partido que, a título de futuras liberdades políticas (ou outras quaisquer) nos faria cair fatalmente noutra ditadura. Também não acreditamos que o seguir esta ou aquela tendência estética, que a título de revolucionária, pretenda criar outro tipo de academismo, fôsse de qualquer maneira suficente para nos levar à libertação desejada. Qualquer espécie de realismo-socialista com todo o seu cortejo de estéticas, literaturas e políticas de partido, é tão prejudicial à liberdade do Homem como uma ditadura fascista, apenas conseguindo pôr no lugar de deus um outro deus igualmente absurdo.

Substituir um Papa por outro Papa é o que de forma nenhuma podemos admitir. O Homem só será livre quando tiver destruído toda e qualquer espécie de ditadura religioso-política ou político-religiosa e quando fôr universalmente capaz de existir sem limites. Então o Homem será o Poeta e a poesia será o Amor-Explosivo.

A nossa posição de surrealistas portugueses é, portanto, feita de pequenos actos, de esporádicas sortidas no campo do desconhecido, é feita de trasnformações subitas em que a serpente de repente deixa de ser o pequeno animal caseiro que todos nós conhecemos para começar a caminhar na floresta petrificada povoada de sombras e de olhos de panteras.

Contra a transformação do Homem em santo canonizado, propomos a aparição do Homem e da Mulher eternamente abraçados, a súbita nascença na praia abandonada do Cavalo de Sete Cabeças, filho do Fogo e da Água. Contra a adaptação do Homem numa máquina de defender pátrias e partidos, propomos a criação do Homem-Asa, do Homem que percorrerá o Universo montando um comêta extremamente longo e fulgurante.

Para a pátria, a egreja e o estado a nossa última palavra será sempre: MERDA.

Lisboa, Abril de 1950

Mário Henrique Leiria João Artur Silva Artur do Cruzeiro Seixas


Este COMUNICADO DOS SURREALISTAS PORTUGUESES foi enviado em 25-4-50 para Londres ao poeta Simon Watson Taylor e destinava-se a ser publicado conjuntamente com outras comunicações de grupos surrealistas de diversas nações. Por razões que se desconhecem permaneceu inédito até Petrus o publicar no terceiro volume da obra "Os Modernistas Portugueses, dos Independentes aos Surrealistas". Em 1973 a revista PHASES (nº 4, 2ª série) publicou este texto traduzido por Isabel Meyrelles.

A cidade surrealista continua-se construindo com a surrealidade de todos os Poetas, quaisquer que sejam as suas decisivas experiências. Pouco mais de meio século do primeiro aparecimento deste comunicado, os seus autores como outros surrealistas portugueses e ulteriores (abaixo assinados) continuam a afirmar a sua posição ao espírito eminentemente livre manifestando o seu apoio incondicional àqueles que, em devido tempo, disseram e escreveram a sua posição. Pretendemos que o nossa justiça seja pelo menos semelhante nesta actualização, ao homenagearmos com este abaixo assinado.

Novembro de 2006


Miguel de Carvalho Mário Cesariny Cruzeiro Seixas André Escarameia

Carlos Silva Paulo Costa Domingos Seixas Peixoto Raúl Perez

Isabel Meyrelles Nicolau Saião Carlos Martins Alvaro de Navarro




NOTA (1):
Trata-se do derradeiro comunicado assinado por Mário Cesariny, pouco antes de falecer.

LUTA SOCIAL


A crise do capitalismo, um tema para 2009
A crise do capitalismo, um tema para 2009

Um pano de fundo

Todos sabemos que o momento é delicado. O desencadear da crise financeira, com os novos episódios que se lhe seguirão demonstra, na prática, a falência do neoliberalismo. Falido e francamente desacreditado ideologicamente mas, não morto ou enterrado.

Esta crise, seguindo-se a várias outras mais localizadas umas (colapso da banca japonesa em 1995, crise russa de 1998, entre outras) ou, mais alargadas, outras (a dos “tigres asiáticos” em 1997, a bolha dos “dot.com” em 2000/2004, por exemplo) era francamente previsível quer por analistas anticapitalistas e, mais envergonhadamente, por defensores do modelo keynesiano do capitalismo. Entre os primeiros, esta crise e a dimensão que assumiu, vem acelerar a necessidade de crítica do sistema capitalista, agora em fase de readaptação e recuperação dos seus próprios fracassos. Entre os que defendem a utilização maciça da intervenção de medidas de carácter keynesiano destacam-se os conceituados Krugman e Stiglitz. Na sua senda atropelam-se em pânico, os naufragados mandarins, os seus mandantes da alta finança, os “investidores”. A questão que discutem é se iremos ter uma combinação de neoliberalismo com um tempero de keynesianismo (os mais à direita) ou de keynesianismo com concessões neoliberais (os menos à direita).

Na nossa opinião, apesar de desgastado como modelo de gestão do capitalismo, o neoliberalismo irá manter-se vivo, uma vez que é o único modelo que, hoje, permite a rápida acumulação capitalista. Pretendemos sublinhar, de modo bem claro, que a maciça intervenção dos Estados nacionais ou plurinacionais constitui apenas e tão somente um reforço da capacidade operacional do neoliberalismo e jamais um retorno a qualquer modelo do tipo social-democrata. Embora isso esteja nos planos de muitos elementos das esquerdas institucionais sempre em busca de argumentos para se arrumarem no doce recato dos partidos ditos socialistas, há muito convertidos em liberais.

É, evidentemente, menos difícil haver consenso entre anticapitalistas e keynesianos quanto à análise da crise actual do que, naturalmente quanto às receitas a aplicar. Os primeiros, entre os quais nos encontramos, defendem a destruição do capitalismo, sabendo de antemão que essa destruição exige sacrifícios, acerbos conflitos e, nesse contexto, muitas vidas humanas sendo, porém, uma destruição criativa. Já os segundos, procuram medidas para um capitalismo menos desumano, com mais preocupações sociais, num modelo entre a social-democracia e um assistencialismo que nada mudam e que perpetuarão o sacrifício de milhões de pessoas através do desemprego, da guerra, da fome, da doença, dos desastres ambientais, etc.

Há, naturalmente, quem já procedeu à sua reciclagem para posturas menos associadas ao descalabro actual e, os próximos tempos serão férteis nessas mudanças oportunistas e despudoradas de casaca. Vamos assistindo, mais lentamente, à reconversão do jurássico pensamento de muitos académicos, mormente da área da economia. Os mesmos empresários que despedem e promovem leis laborais adoptam um vocabulário mais “social” e clamam, emocionados, por apoios públicos ao pagamento de salários. Nas colunas dos jornais os notáveis dizem que desde sempre apontaram para os perigos do neoliberalismo, mesmo lambuzando a gamela do poder, como sempre. E, finalmente, mandarins como o pantomineiro Sócrates passam a afirmar as virtudes do papel do Estado, depois de passarem todo o seu tempo a privatizar, desregulamentar, favorecer o sistema financeiro e a elogiar o lucro fácil e fraudulento; a multidão, por seu turno, continua a ser ensinada a aceitar a virtuosa via do sacrifício, pois há tempos difíceis no horizonte e a contenção do deficit é um desígnio patriótico.

Sempre que se está em época de mudança eles, como os répteis, mudam de pele. Em 26 de Abril de 1974, foi espantoso como debaixo da cada pedra saltavam firmes defensores da democracia, do socialismo, do comunismo, adoptando as roupagens ideológicas que condenavam dois dias antes. O mais caricato talvez seja o CDS ter chegado a defender uma sociedade sem classes, por ocasião das nacionalizações de 1975!

Uma postura anti-capitalista para encarar a crise actual

Já neste blog afirmámos que a esquerda não detém ainda um corpus teórico capaz de produzir um modelo de análise global da crise capitalista de hoje, e, menos ainda de um leque de soluções globais exequíveis. E, isso, nomeadamente, porque entre as esquerdas e a grande massa da multidão há um fosso quanto à compreensão da realidade e às formas de a modificar.

Esse fosso é alimentado por ilusionistas da redenção no seio da “democracia” representativa das forças do mercado, a partir das virtudes de um aparelho de Estado nas mãos de “gente séria”; quaisquer ungidos na qualidade de redentores da humanidade não são aceitáveis para a multidão, que cada vez mais exige que a gestão social seja feita por gente normal e não por profissionais da política. Mesmo que gente séria e eleita democraticamente, ninguém se pode erigir num lugar acima dos demais, num qualquer aparelho de Estado alicerçado na violência e na autoridade.

A exequibilidade de um conjunto real de soluções da crise capitalista de hoje não passa pela intervenção maciça do Estado, da mobilização das receitas fiscais, ou de acordos políticos entre dirigentes políticos baseados numa legitimidade assente numa representação abusiva, consentida e não conquistada.

Politicamente, as sondagens lisonjeiras para a esquerda tradicional não dão relevo a duas coisas fulcrais. Uma é a grande margem de abstencionistas que retiram legitimidade aos partidos, no seu conjunto e que revelam o desinteresse, a desconfiança e a rejeição pelas suas propostas. Outra, é que o avanço da esquerda institucional é muito mais um custo calculado de Sócrates para proceder às tais “reformas” do que o produto de um enraizamento popular dessa esquerda. A esquerda institucional, privilegiando essa actuação nas instâncias do Estado e dos media corre o risco de ser esvaziada quando a conjuntura melhorar, como sucedeu durante a ascensão de Cavaco como primeiro-ministro e gerar, por conseguinte, um acrescido desânimo na multidão.

Para o evitar há que construir na base social uma cultura de protesto e desobediência, de boicote e perturbação do funcionamento das várias instâncias da máquina de acumulação e de sacrifício da vida de todos, em favor do interesse de uns poucos; e nesse contexto, aproveitar a crise económica, as dificuldades do capitalismo, para consolidar forças, habituar um grande número de pessoas, sobretudo jovens, trabalhadores e desempregados, à contestação, à luta, a uma cultura de exigência e desafio.

Não há soluções reais à margem da multidão, soluções que não sejam emanadas e testadas pela prática social, dos povos em luta por uma sociedade radicalmente diferente. Nenhuma solução pode surgir enquanto não houver uma grande faixa das classes trabalhadoras empenhadas e confiantes nas transformações exigidas; enquanto não surgir uma multiplicidade de forças sociais unidas num protagonismo colectivo e articulado de transformação social. E, em termos mais gerais e a longo prazo, nenhuma solução se pode tornar duradoura se confinada a um pequeno recanto do mundo; o princípio dessa transformação, para se consolidar, precisa de uma massa crítica de território, de população, de recursos capaz de fazer frente a todos os boicotes e atitudes agressivas do capitalismo, mesmo que este se encontre enfraquecido.

Não é grande compensação, no cenário actual, que as instituições capitalistas e os seus mandarins não tenham também verdadeiras alternativas para uma oleada continuidade do roubo organizado, como antes vinha ocorrendo. Na sobranceria neoliberal, atingido o fim da História (?) o Estado pretendia-se mínimo e, nesse contexto, o mandarinato pretendia-se constituído, basicamente, por instrumentos acéfalos, verdadeiras pegas, em ambas as acepções da palavra. E agora, vêm-se patetas sorridentes e impotentes, centuriões sem visão, à procura de soluções; Sarkozys, Merkels, Berlusconis burlões, o poliglota Barroso… e irá sentir-se, em breve, entre eles, a ausência da erudição do Bush!

Na ausência do tal corpus teórico à esquerda, é preciso combater os espíritos simples ou messiânicos que vierem anunciar a morte breve do capitalismo, que soube sobreviver à crise de 1929/33 com o New Deal, que soube construir o capitalismo de Estado, abafando as brasas da revolução de Outubro, que aproveitou a reconstrução do segundo pós-guerra para construir um temporário “modelo social europeu”, que contornou as ânsias libertadoras dos povos colonizados para gerar o neocolonialismo, etc. Cautelarmente diremos como Brecht, “devemos tomar o inimigo pelo seu lado mais forte”, para evitar sermos “comidos pelos percevejos”, também segundo Brecht.

www.esquerda_desalinhada.blogs.sapo.pt

DOS GRANDES HOMENS


Proudhon acredita no federalismo, na união dos proletários conscientes contra os burgueses. Eu não sei se acredito. Eu continuo a achar que a classe proletária, na sua maioria, é ignorante e nem sequer pensa na revolução. INclusivamente se incluirmos nela os precários, os empregados do comércio, uma parte da velha classe média. Os homens ignorantes, quando muito, podem preparar o advento do homem superior. Mas para isso têm de se cultivar. O homem superior, o homem nobre, é aquele que age sem constrangimentos, que é forte, que é livre. É aquele que é espontâneo como o menino, criador como o artista. Os grandes homens tem de afastar-se da populaça para conseguirem criar. Os grandes homens não têm necessidade de Deus. Amam as mulheres apetecíveis. Não perdem tempo com a mesquinhez das conversas quotidianas do rebanho. Os grandes homens aparecem nos grandes momentos. Amam as alturas e o abismo. Os grandes homens têm asas. Querem a revolução dionisíaca. Querem que os outros os acompanhem sem serem seus servos. OS grandes homens são divinos. Amam Nietzsche, Morrison e Dionisos mas respeitam Marx, Proudhon e Bakunine. Os grandes homens trazem a sabedoria e a liberdade ao mundo. Por isso é que os poderosos e os mmoralistas os temem.

Tuesday, January 13, 2009

MANIFESTO ELEITORAL E ANTI-SÓCRATES


Sócrates é um castrador
Sócrates vem dar-te palmadas se não te portares bem
Sócrates quer a maioria para governar sem oposição
Sócrates não pode com a oposição
Sócrates, se pudesse, acabava com a oposição
Sócrates é um ditador
Sócrates é um inimigo da vida
Sócrates detesta as pulsões vitais
Sócrates não tem coração
Sócrates é um robot
Sócrates calca os adversários
Sócrates rouba-nos o salário
Sócrates deixa na merda o desempregado
Sócrates é um vendilhão
Sócrates é um cabrão
Sócrates fala como um computador
Sócrates não conhece o amor.

O Partido Surrealista Situacionista Libertário (PSSL) vai legalizar-se e apresenta-se a eleições porque já não suporta mais SócratES. O PSSL entende que a recessão não se combate com receitas sociais-democratas. O PSSL aposta na criação, no amor, na liberdade, na revolução. EStamos fartos de morte e de tédio! EStamos fartos de rebanhos que dizem avé-maria a tudo. Estamos fartos da sociedade do rebanho como Nietzsche. Queremos uma sociedade sem intriga, sem usura, sem competição, sem trabalho, sem dinheiro. Queremos o mundo e exigimo-lo agora!, como gritou Jim Morrison. Queremos acabar com a bolsa, com o discurso das décimas, dos défices, das percentagens assexuadas. O nosso teatro "é o teatro da revolta humana que não aceita a lei do destino, é um teatro cheio de gritos, não de medo ma de raiva e mais do que de raiva do sentimento do valor da vida. É um teatro que sabe chorar, que tem todavia enorme consiência do riso, e que sabe existir no riso de uma ideia pura, uma benéfica e pura ideia das forças eternas da vida", como escreveu Antonin Artaud em "Mensagens Revolucionárias".

Pelo Partido Surrealista Situacionista LIbertário,
António Pedro Ribeiro
tel. 229270069
César Taíbo.

Monday, January 12, 2009

TESE


A VIDA INTERIOR



António Pedro Ribeiro



Há, de facto, uma vida interior onde coexistem céus e infernos, deuses e demónios, montanhas e abismos. No interior dessa vida trava-se um combate mortal entre o bem e o mal mas, por vezes, ficamos além do bem e do mal. A racionalização não é capaz de apreender esse mundo mágico onde é possível o homem ser homem e atingir o paraíso. Como diz Artaud, a revolução comunista ignora o mundo interior do pensamento. O pensamento está para lá da experiência. A vida interior, o pensamento é que nos permite criar, é que nos permite aproximarmo-nos dos deuses mas também dos demónios. O céu na Terra de Henry Miller está dentro das nossas cabeças. O conbhecimento poético é interno e mágico, como diz Artaud. Os poetas são mágicos, criam mundos. O materialismo capitalista persegue o pensamento poético e inveja-o.

O mundo interior, esse mundo que inventa mundos, personagens desde a infância. É lá que está o ouro. É agora que posso escrever a obra. Vou enviar estes textos a um editor. Estes textos têm de ser publicados. Não falam de gajas nem de mamas. Mas são importantes. Vêm da alma. Vêm da vida. Abominam a morTE. Vêm de Nietzsche, do homem nobre. O homem nobr não tem de se preocupar com a populaça. O homem nobre não tem de ser socialista. TEm de fecundar a mulher que o enfeitiça. TEm de ser mágico, "supõe a presença do fogo em todas as manifestações do ensamento humano", afirma Artaud. "A música é a tua única amiga/dança em cima do fogo se ela te convidar" (Jim Morrison). Dionisos copula com as bacantes em fúria. Dança em redor da fogueira. Incendeia lojas, bancos, automóveis. Cospe na polícia e no exército.Cospe no senso comum e na normalidade. Canta a canção do "Fim": " É o fim, amigo querido/ é o fim, amigo único/ custa-me deixar-te mas tu nunca me seguirias/ o fim das risadas e das doces mentiras/ o fim das noites em que fizemos por morrer, é o fim". O fim que é o princípio, o fim que é o princípio do fim do capitalismo. E chego so fim vidrado por Zaratustra, apaixonado pelas alturas e pela grandeza.

Sunday, January 11, 2009

MANIFESTO DO PSSL


Caa vez duvido mais que as massas sejam capazes ou mesmo estejam interessadas na revolução. As massas vivem em crise, em recessão mas só falam da família, das baixas nos hospitais, das doenças. Temos de ser nós revolucionários, poetas, criadores, a provocar a explosão. QUeimemos o dinheiro, queimemos os nossos próprios poemas ou obras na praça pública. Pode ser que assim consigamos captar a atenção.
Não acredito em transição pacífica para o socialismo. A defesa e o uso do parlamentarismo significam a perpetuação do parlamentarismo. Podemos eventualmente concorrer a umas eleições mas como forma de propaganda, como defende Rosa Luxemburgo. Nesta época de crise dos bancos partamos os bancos, dinamitemos a bolsa, tomemos a rua. Como diz Raoul Vaneigen o dinheiro é o deus dos nossos dias. Combatamos o dinheiro. Esse deus é, nas palavras de Nietzsche, inimigo da vida, das pulsões vitais, e amigo das sociedades do rebanho, da doença, do servilismo, da morte. Morte aos economistas! Aos profetas dos números, das percentagens, das contas, dos orçamentos. O melhor governo é não haver governo nenhum. Não queremos governar nem ser governados. Somos homens livres, nobres, senhores sem escravos, supeiores, na acepção nietzscheana. Somos Poetas, Artistas. Nós somos os meninos e os bailarinos. Não temos culpa se muitos permanecem na ignorância como camelos.

PARTIDO SURREALISTA SITUACIONISTA LIBERTÁRIO

Thursday, January 08, 2009

ISRAEL OCUPOU A PALESTINA


Numa luta entre desiguais,
a indiferença é sempre cumplicidade com o mais forte

O genocídio em Gaza, levado a cabo por Israel,
prossegue com a cumplicidade da União Europeia,
dos EUA e também do Governo português.
Apela-se à participação de todos
na manifestação de protesto
HOJE, quinta-feira, às 18 horas
em frente à embaixada de Israel.
(Rua António Enes, perto do Saldanha e do Instituto Franco-Português)

Repetir, repetir, repetir. É preciso lembrar repetidamente que Israel ocupou a Palestina.

Sunday, January 04, 2009

O GOVERNO DE ISRAEL É NAZI

Mais de 200 feridos
Ofensiva terrestre na Faixa de Gaza já matou 30 palestinianos
04.01.2009 - 14h06 PÚBLICO, Agências
A ofensiva terrestre israelita lançada ontem à noite na Faixa de Gaza já causou a morte a, pelo menos, 30 palestinianos e fez mais de 200 feridos, segundo fontes hospitalares palestinianas. Tanques israelitas e aviões militares continuam a lançar bombas sobre posições suspeitas palestinianas, enquanto o Hamas responde com "rockets" e disparos de morteiro.

Entre os mortos estão 17 civis, incluindo mulheres e crianças, informou Mouawiya Hassanein, chefe dos serviços de urgência palestinianos.

Pelo menos 20 palestinianos foram mortos em Jabalya e Beit Lahiya, uma das zonas por onde entraram ontem à noite as forças terrestres israelitas, dois perto de Khan Younes, três em Raffah, no Sul do território, e cinco na cidade de Gaza. Neste ataque, esta manhã numa zona comercial de Gaza, morreram cinco pessoas e 40 ficaram feridas.

O raide aéreo sobre Khan Younes visou um importante líder do braço militar do Hamas, Jihad Hamdan, que ficou gravemente ferido, segundo a AFP.

Uma médica do Crescente Vermelho dum hospital em Gaza descreveu à Reuters aquilo que considera um pesadelo. "Os civis estão a ser mortos... explosões estão a atingir pessoas (...). Todos estão aterrorizados".

A estação de televisão Al-Jazeera, com uma correspondente no hospital Shifa em Gaza, avança que os médicos tentam fazer o melhor que podem com escassos recursos e perante o aumento do número dos feridos. A jornalista comenta que o cenário é caótico, com os médicos a tratar dos doentes no chão.

Desde o início dos ataques israelitas a 27 de Dezembro já morreram 485 palestinianos.

Segundo o site do “Jerusalem Post”, o Hamas disparou esta tarde vários “rockets” sobre as cidades israelitas de Sderot, Ashkelon e Ashdod. Uma mulher ficou ligeiramente ferida em Sderot. Ao longo de todo o dia de hoje, o Hamas terá disparado sobre Israel 25 "rockets".

Do lado israelita, o Exército refere 32 soldados feridos desde o início da ofensiva terrestre. Quatro israelitas mortos é o balanço desde que começaram os ataques, a 27 de Dezembro.

Território "cortado" ao meio

Desde ontem à noite, os tanques e soldados israelitas cortaram, virtualmente, ao meio Gaza, um território onde vivem 1,5 milhões de pessoas, e hoje posicionaram-se às portas da cidade de Gaza.

A aviação israelita atingiu dezenas de alvos, incluindo túneis de contrabando de armas e depósitos de armas.

Mas o porta-voz do braço armado do Hamas, Abu Ubaida, disse hoje que as tropas israelitas enfrentam ou a morte ou a captura. "O inimigo sionista deve saber que a sua batalha em Gaza é uma batalha perdida", disse Abu Obeida. "A batalha só agora começou e o inimigo deve sofrer as consequências", disse hoje Obeida à estação de televisão com sede no Qatar, Al-Jazeera.

O Hamas disse hoje ter sequestrado dois soldados israelitas mas o Exército israelita negou a informação.

Na Faixa de Gaza, as populações estão escondidas nas suas casas há dias e as agências humanitárias alertaram que se estão a esgotar os alimentos, a água e os medicamentos.

www.publico.clix.pt